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Correio da Manhã

Economia

Vítor Constâncio ameaçou BPN

Abdool Karim Vakil garantiu ontem que havia uma relação de "crispação" e "deteriorada" entre a administração do Banco Português de Negócios (BPN) liderada por Oliveira e Costa e os órgãos de supervisão, em particular o Banco de Portugal (BdP). O presidente interino do BPN afirmou que quando assumiu a gestão do BPN havia 157 pedidos por responder ao BdP e que durante os quatro meses de presidência recebeu mais de cem novos pedidos, entre ameaças de "medidas coercivas".
17 de Janeiro de 2009 às 00:30
Abdool Karim Vakil não se escusou a qualquer pergunta dos deputados da comissão parlamentar de inquérito
Abdool Karim Vakil não se escusou a qualquer pergunta dos deputados da comissão parlamentar de inquérito FOTO: Tiago Petinga / Lusa

Abdool Vakil, que esteve à frente do BPN antes de Miguel Cadilhe, explicou aos deputados da comissão de inquérito à supervisão bancária na instituição que, quando foi ao BdP depois de ter sido empossado, 'o vice-governador quase começou ao ataque, e estava muito zangado porque estava farto de não ter respostas'. O responsável adiantou ainda que o supervisor 'ameaçava com sanções, como a impossibilidade de angariar depósitos ou a de fazer operações de crédito'.

O CDS-PP não ficou agradado por descobrir que o BdP tivesse ficado tanto tempo sem respostas. 'Como é possível a supervisão estar desde 2004 sem respostas, em crispação, e não intervir a nenhum nível?', inquiriu o deputado centrista Nuno Melo. O presidente interino do BPN entre Fevereiro e Junho de 2008 revelou ainda que estava 'inibido de tomar quaisquer medidas, inclusive de auditoria, enquanto não viesse o presidente efectivo'. Sobre o Banco Insular, Vakil revelou que durante anos desconheceu as ligações entre a Sociedade Lusa de Negócios (SLN) e o Banco Insular de Cabo Verde. Mas num documento interno datado de Março de 2008, revelado pelo CDS-PP, o grupo admitia que o Banco Insular era 'um problema'.

Vakil afirmou ainda que fez uma proposta para comprar o Banco Efisa mas que nunca obteve resposta. Em comunicado, a SLN nega, e garante que a proposta foi rejeitada devido ao seu preço 'inaceitável'. Decisão esta comunicada pessoalmente por Cadilhe a Vakil.

BDP SÓ COMENTA ACUSAÇÕES NA ASSEMBLEIA

O Banco de Portugal (BdP) escusou-se ontem a comentar as declarações de Miguel Cadilhe na comissão de inquérito ao BPN, na qual acusou o regulador de 'falhas graves' de supervisão, remetendo explicações para 'a sede própria'. 'Qualquer comentário que o Banco tenha a fazer fá-lo-á na sede própria neste caso concreto – e, como tem sido habitual, na comissão parlamentar', disse à Lusa fonte oficial do BdP. Miguel Cadilhe considera que se o BdP tivesse feito o que devia os actuais problemas do BPN não teriam acontecido.

PORMENORES

 SLN

A Sociedade Lusa de Negócios (SLN) admitiu num documento aos accionistas, de Março de 2008, semelhanças entre a situação no grupo e o caso BCP, devido à posse de acções próprias por empresas ‘offshore’ detidas pela SLN.

AJUDA RECUSADA

O ex-presidente do BPN garantiu que esteve 'sempre à disposição para tudo' depois de ter passado a pasta a Miguel Cadilhe mas que este nunca lhe pediu ajuda.

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