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Correio da Manhã

Economia
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VIVER DENTRO DO MÓDULO

A importância da auto-suficiência e da construção sustentável para o futuro é o tema da Concreta 2003- 19.ª Feira Internacional de Materiais de Construção que, até hoje, pode ser visitada pelos profissionais do sector na Exponor, em Matosinhos.
27 de Outubro de 2003 às 00:00
No conjunto de iniciativas previstas no âmbito da auto-suficiência, destaca-se a criação, à escala real, de módulos habitacionais, recorrendo a materiais de construção como a madeira, aço, vidro e pedra.
Este tipo de módulos, projectado por um gabinete de arquitectura conceituado e vanguardista, da autoria dos arquitectos Fátima Fernandes e Michele Cannatá, serão, de raiz, unidades habitacionais reduzidas, versáteis e transportáveis.
“Os módulos habitacionais são uma solução rápida e eficiente para muitas situações que nos impõe a vida actual. A casa, com uma área de 27 m2 úteis, está dotada de casa de banho com chuveiro, cozinha, sala/quarto e aquecimento através de painéis fotovoltaicos, que permitem a produção de energia eléctrica suficiente para uma semana. Tudo isto com processos de (des)montagem rápidos”explicou ao CM Jorge Vieira, da empresa DST-Domingos da Silva Teixeira, com sede em Braga.
Segundo este responsável, a montagem e desmontagem de uma casa deste tipo, que custa cerca de 40 mil euros (8 mil contos), demora cerca de cinco horas e a sua construção 15 dias, podendo ser habitada por uma pessoa ou por um casal.
“O preço é variável conforme os extras e o espaço da casa. Tem a vantagem de se poder acoplar várias unidades, construindo espaços à medida de cada necessidade. A versatilidade dos módulos permite-lhes utilizações várias, nomeadamente escritórios, gabinetes de obras, bar de praia, observatório científico, casa de férias, postos de vigia contra incêndios, quiosques, abrigos para guardas-florestais, e um sem-número de utilizações”, referiu Jorge Vieira.
Com este tipo de casa pode construir-se também um bloco residencial temporário com todas as estruturas necessárias, que poderá servir para albergar desalojados ou trabalhadores de uma obra.
A empresa DST tenciona contactar uma câmara municipal para saber qual a possibilidade de instalar uma casa num terreno disponibilizado pela autarquia, para provar não tem interacção com o meio.
“O mercado está a reagir bem a este tipo de casas. Falta saber como vão ser as vendas. Exportar para todo o mundo onde possam ser construídos estes módulos habitacionais é o nosso próximo objectivo”, acrescentou Jorge Vieira.
A construção sustentável é o futuro da construção por utilizar apenas os recursos naturais sem os esgotar ou danificar. A questão ambiental está na ordem do dia, e o recurso a sistemas não poluentes e a matérias biodegradáveis constitui factor fundamental no futuro da construção. Os módulos auto-suficentes reduzem o impacte ambiental e propõem formas de construção alternativas.
CARACTERÍSTICAS
TECNOLOGIAS
Em cada módulo são utilizados novos materiais ou tecnologias que possibilitam maior conforto energético e tiram proveito da resistência e leveza dos materiais.
UTILIZAÇÃO
Os módulos habitacionais podem ser convertíveis em habitação, posto de turismo, quiosque, bar, restaurante, posto de observação ou biblioteca virtual.
RECURSOS
A casa auto-suficiente tem painéis fotovoltaicos e iluminação de elevado rendimento e baixo consumo. Possui climatização inteligente e reservatório próprio de água.
UMA ESCOLHA DIFERENTE PARA PRIMEIRA HABITAÇÃO
A empresa Capa, com sede em Valongo e filial em Porto Alto, Samora Correia, também comercializa e constrói módulos habitacionais auto-suficientes, mas em aço inox e vidro, projectados igualmente pela dupla de arquitectos Fátima Fernandes e Michéle Cannatà.
Cada módulo tem as dimensões de 3m de largura e 9m de comprimento, e trata-se de uma estrutura previamente elaborada consoante as necessidades, que não oferece qualquer trabalho no local onde será instalada.
“O módulo é fácil de transportar num camião e colocado em qualquer lugar. Podem ser a solução habitacional especialmente para jovens e casais jovens, para trabalhar, estudar, estagiar, iniciar a vida a dois”, referiu Rui Lopes, da empresa Capa.
O módulo habitacional auto-suficiente vem de encontro a todas estas necessidades e apresenta-se como um produto de aplicação imediata.
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