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Correio da Manhã

Economia

Zeinal Bava: “Pai da ideia fui eu”

Zeinal Bava disse que foi o pai da ideia da PT comprar uma parte da Prisa. Esta hipótese, diz, surgiu na reunião de 19 de Junho, onde a discussão “caminhou para um potencial investimento. Eu, fruto do plano estratégico, considerei que ser uma oportunidade boa e que deviamos prosseguir”. Logo, o “pai da ideia fui eu”.
29 de Abril de 2010 às 20:26
Zeinal Bava responde aos deputados na Comissão de Inquérito
Zeinal Bava responde aos deputados na Comissão de Inquérito FOTO: Pedro Elias/Jornal de Negócios

Bava disse ainda que numa “reunião em Maio a Prisa deixou claro que via com muito bons olhos que a PT fosse essa parceira [para a venda de uma parte do capital]”. 

Sobre Rui Pedro Soares, que conheceu na PT, Zeinal Bava admitiu que “sabia que ele tinha boas relações, mas eram do foro pessoal, privado. Não sei qual é a proximidade dele com Mário Lino e José Sócrates. Não faço ideia”, disse. O CEO da PT referiu ainda que nunca suspeitou que Rui Pedro Soares actuasse na PT movido por fins políticos.  

Zeinal Bava disse ainda que não teve conhecimento da viagem de 3 de Junho de Rui Pedro Soares a Madrid, em Junho, a qual só soube que existiu quando a Comissão de Inquérito pediu o plano de voo desse administrador. “Não sei o que foi fazer ou com quem esteve”, sublinhou. 

Sobre a questão política, Zeinal Bava disse que este lhe é “completamente indiferente”, dando como alguns exemplos negócios feitos em que garante que não deu conhecimento ao Governo. “A venda de Marrocos, não referenciamos isso à Golden Share”, disse.  

“Sou completamente indiferente à questão política. Se actuei com qualquer convicção só foi uma: É que esta transacção é boa. Era uma compra minoritária, se fosse 100% talvez tivessemos pensado de outra maneira”.

"SE RUI PEDRO SOARES FALOU COM PAULO PENEDOS NÃO O DEVIA TER FEITO" 

Zeinal Bava afirmou que se Rui Pedro Soares comentou o negócio com Paulo Penenos não o devia ter feito, até porque o assessor jurídico da PT não fazia parte da equipa negocial. “Para mim Paulo Penedos nunca participou nesta transacção. Se Rui Pedro Soares falou com Paulo Penedos não o devia ter feito. Se falaram nunca o deviam ter feito. Era uma transacção confidencial e o limite da equipa tinha sido decidido por mim”, afirmou o presidente executivo da PT. 

Segundo Zeinal Bava a equipa negocial estava restrita a ele próprio, Pacheco de Melo e Rui Pedro Soares, um circulo de conhecimento que foi alargado a Henrique Granadeiro, presidente do Conselho de Administração da empresa, no dia 21, domingo, pelo próprio Zeinal Bava.  

No dia seguinte à noite, “quando ficou claro que ia haver fuga de informação, o nosso departamento de comunicação já estava ao corrente”. Sendo que no dia seguinte, quando estava a ser preparado o comunicado para enviar à CMVM, a PT já tinha os “advogados e a equipa financeira a trabalhar nisso”. 

Sobre a tentativa de contratar José Eduardo Moniz, Zeinal Bava disse que este era “crucial” para a PT “quer na Media Capital quer no Meo”. “O nosso propósito era tentar garantir que [Moniz] olhasse para um projecto caso a PT concretizasse a transacção. “Acreditávamos que podíamos criar uma plataforma de conteúdos que podia servir todo o mundo de língua portuguesa”, disse. 

BAVA DESCONHECIA NEGÓCIO DO TAGUSPARK 

“Não fui informado” das negociações do Taguspark para a compra da TVI, afimou Zeinal Bava na Comissão de Inquérito. De recordar que Américo Thomati referiu na mesma comissão que foi Rui Pedro Soares que o convidou para reunir com um grupo de investidores interessados em entrar na Media Capital.

O CEO da PT disse ainda que não sabia que a PT tinha pago as viagens de Rui Pedro Soares no âmbito do caso Taguspark, acrescentando ainda que como a descoberta desses factos é recente a comissão de auditoria da empresa ainda se vai debruçar sobre isso.  

"NEGÓCIO TINHA CONDIÇÕES PARA SER APROVADO RAPIDAMENTE" 

Zeinal Bava afirmou que se a comissão executiva da PT e o conselho de administração da empresa tivessem aprovado este negócio a compra de uma participação na Media Capital “tinha condições para ser aprovado rapidamente”, esclarecendo que existiam ainda alguns “detalhes que teriam de ser afinados”.  

Segundo o CEO da PT, Rui Pedro Soares foi envolvido neste negócio porque o mesmo tinha uma componente publicitária e o administrador era também presidente da APAN Associação Portuguesa de Anunciantes).  

Foi esse motivo, disse, que o levou a “participar na reunião de dia 19 de Junho”, data em que se “alargou o âmbito do negócio”, fazendo com que Rui Pedro Soares ficasse “dentro do circulo restrito que fez parte da transacção”. Um circulo de conhecimento que não englobava Henrique Granadeiro, presidente do Conselho de Administração da empresa, que apenas foi informado no dia 21, domingo, pelo próprio Zeinal Bava. Data em que segundo Bava “passaram a ser quatro pessoas dentro da PT que sabiam o que se estava a passar [Bava, Pacheco de Melo, Rui Pedro Soares e Granadeiro]”. 

Bava disse ainda que nunca teve conhecimento que Rui Pedro Soares utilizasse o nome de José Sócrates durante a condução deste negócio. 

"TIVEMOS REUNIÕES EM MAIO PARA DISCUTIR O TEMA" 

Apesar de reafirmar que as negociações para a compra da Media Capital apenas se iniciaram a 19 de Junho, Zeinal Bava confirmou que manteve “reuniões em Maio para discutir o tema”. Na comissão de inquérito o CEO da PT fez questão de dizer que a PT desde sempre esteve interessada em entrar numa televisão, revelando que em 2003, no projecto “Sintonia”, a PT esteve próxima de adquirir 15% da SIC.

Depois disso, e em 2004, existiram “várias vezes conversações com a Media Capital”. Nesse mesmo ano, e quando a dona da TVI entrou em bolsa, Bava adiantou que a PT comprou 1,93% da empresa, uma participação que foi vendida “um ano ou ano e meio depois. Duplicamos investimento que fizemos”, disse.

Zeinal Bava disse ainda que enquanto esteve na PT o “Estado nunca interviu” em nenhum negócio. “Nunca senti interferência ou pressão para fazer esta transacção. O objectivo era estritamente empresarial”, disse. E o negócio só não se concretizou porque o “mediatismo ganhou uma proporção que não aconselhava fazer a transacção naquele momento”.

Bava confirmou ainda as declarações de Mário Lino, revelando que a única vez que falou com um elemento do Governo sobre este negócio foi a 26 de Junho. “Acompanhei o Dr. Henrique Granadeiro numa reunião a 26 de Junho com o ministro da tutela, Mário Lino. Foi a única vez que tive interacção com o Governo”, disse.

 

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