300 mil dólares por ano
Cerca de 300 mil dólares anuais (quase 240 mil euros ao câmbio actual) é quanto o ex-primeiro-ministro português, António Guterres, vai auferir de salário como Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). A informação foi avançada ao CM pelos serviços de Imprensa do ACNUR, em Genebra, na Suíça.
Fonte próxima de António Guterres garantiu ao CM que “ele nem sabe quanto vai ganhar”, tendo o primeiro-ministro concorrido ao cargo por considerar poder “desempenhar um papel útil no problema dos refugiados” (cerca de 17 milhões em todo o mundo). Atendendo a que o ACNUR tem mais de seis mil funcionários, distribuídos por 115 países, e gere um orçamento de mil milhões de dólares (cerca de 800 milhões de euros), o salário de Guterres fica aquém de um gestor português de uma empresa com os ditos seis mil funcionários.
O ex-governante português terá de escolher casa em Genebra (não há residência oficial), disporá de motorista oficial e a segurança é ‘sui generis’, assegurada pela polícia de Genebra, cidade internacionalizada, dada a quantidade de organizações ali sediadas.
António Guterres foi informado da escolha por alguém do gabinete do secretário-geral das Nações Unidas na segunda-feira de madrugada, pelas 02h00, quando se encontrava em Israel. Com a chegada a Portugal prevista para as 23h00 de ontem, Guterres já teve ocasião de comentar a sua nomeação com o Presidente da República, Jorge Sampaio, e com o primeiro-ministro, José Sócrates, os seus antecessor e sucessor, respectivamente, no cargo de secretário-geral do PS.
Sucedendo ao holandês Ruud Lubbers (também ele ex-chefe de governo), o ex-primeiro-ministro português será o 10.º ACNUR, desde que o cargo foi criado em 1951, e terá um mandato de seis anos.
O cargo é, segundo afirmou ao CM o embaixador Costa Pereira da Missão Permanente de Portugal junto das Nações Unidas em Genebra, “importante para o prestígio do País”, sendo “seguramente um dos quatro ou cinco cargos mais importantes em Genebra, cidade onde têm sede a Organização Mundial de Saúde, a Organização Mundial do Comércio, a Organização Internacional do Trabalho e o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos. Importante no xadrez negocial terá sido o papel de Londres, no limar das arestas oferecidas pelas resistências de Washington (Estados Unidos) à escolha do antigoprimeiro-ministro português, segundo adiantou ao CM fonte do PS próxima de António Guterres.
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