Burlões usam casinos para levantar milhares
Dupla de nacionalidade brasileira levantou quantias avultadas de contas de portugueses
A Polícia Judiciária de Braga, numa investigação que decorre desde o início deste ano, detectou diversos levantamentos bancários em casinos de norte a sul do País, no âmbito de um esquema vulgarmente conhecido como phishing. Os burlões utilizam aqueles espaços de jogo por não haver limites para os levantamentos bancários nas caixas de ATM, conseguindo assim obter milhares de euros, retirados às vítimas, em poucos minutos.
O esquema remonta ao ano de 2009 e terá sido ainda posto em prática na primeira metade de 2010. Bruno e Filipe, dois cidadãos brasileiros, na casa dos 30 anos, levantaram das contas bancárias de cidadãos nacionais – do Norte, do Centro e do Sul do País – centenas de milhares de euros.
O esquema era simples: os brasileiros obtinham os códigos de multibanco das suas vítimas através do envio de e-mails, em que se faziam passar por responsáveis da entidade bancária. Conseguiam dessa forma obter diversos elementos que lhes permitiam aceder às contas pessoais dos lesados.
O passo seguinte passava por angariar jovens oriundos de bairros sociais, a quem pediam os respectivos elementos bancários. Com os seus dados abriam contas para onde iam as transferências bancárias. A compensação era de 5 por cento dos valores envolvidos.
Ainda segundo o CM apurou, os brasileiros faziam as transferências bancárias directamente das contas das vítimas para as contas dos jovens recrutados, sendo que o dinheiro era depois levantado em instituições bancárias ou em casinos (onde é possível levantar quantias superiores a 400 euros).
AMEAÇADOS COM ARMAS DURANTE VIAGEM
Nos dias aprazados para o levantamento de dinheiro, os jovens recrutados eram obrigados a dirigir--se ao banco ou ao casino no automóvel de Bruno. Durante o percurso, tanto Bruno como Filipe faziam sempre questão de exibir armas de fogo. Depois, enquanto Bruno esperava no carro, a Filipe cabia acompanhar os jovens, para que eles não tivessem a tentação de fugir com o dinheiro.
O processo, que teve origem na Póvoa de Lanhoso, abrange todo o País. A investigação foi no entanto concentrada na Judiciária de Braga.
Ainda segundo o CM apurou, os dois suspeitos brasileiros repetiram o mesmo esquema e angariaram várias dezenas de jovens em todo o País. Neste momento, encontram-se ambos a monte.
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