Carreira milionária entre os diplomatas

Os diplomatas portugueses não têm razão para se queixar dos rendimentos de carreira que auferem por mês. De embaixadores a adidos, os vencimentos são chorudos e só em abonos compensatórios podem oscilar entre os sete mil e os 15 mil euros.

08 de fevereiro de 2006 às 13:00
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A este subsídio acresce ainda, segundo documentos referentes a 2005 a que o CM teve acesso, o salário base, que varia entre 1481 euros para adidos e 4030 euros para embaixadores. Feitas as contas, um diplomata no topo de carreira pode auferir 20 mil euros por mês, enquanto o rendimento mensal de um adido poderá ascender a 12 mil euros.

Os documentos confirmam a denúncia do ministro dos Negócios Estrangeiros no Parlamento em Outubro passado. Durante a discussão do Orçamento do Estado para 2006, Freitas do Amaral revelou que os adidos e conselheiros ganhavam por mês, com salários e abonos, em média 12 400 euros. Por isso mesmo, decidiu, na quinta-feira passada, despedir 39 diplomatas com aquela categoria. E os abonos estarão isentos do pagamento de impostos.

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Os diplomatas mais ‘caros’ estão em Espanha: José Moraes Cabral, ministro plenipotenciário na embaixada de Portugal em Madrid e ex-chefe da Casa Civil de Jorge Sampaio, recebe, de acordo com os documentos relativos a 2005, em abonos de representação e de residência 14 804 euros. Um valor mensal que é acrescido a um salário entre 2963 e 3555 euros.

No caso de um conselheiro na embaixada de Madrid ou Sevilha, os rendimentos mensais são ligeiramente inferiores aos de um ministro (cargo inferior ao de embaixador). Em abonos recebem 13 736 euros, enquanto os seus salários variam entre os 2133 e os 2607 euros, conforme o escalão.

Curiosamente, nas cidades mais caras do Mundo, como Oslo, na Noruega, e Tóquio, no Japão, os rendimentos dos diplomatas são semelhantes àqueles que exercem as suas funções em Espanha. No caso de Oslo, o rendimento de um conselheiro é inferior ao do seu homólogo em Madrid. Os abonos de representação e residência de um conselheiro em Oslo ficam-se pelos 10 711 euros, menos cerca de três mil euros que em Madrid. Já em Tóquio, um conselheiro recebe por mês em subsídios 14 991 euros.

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No pagamento dos abonos, além do valor base e da residência, são ainda tidos em conta os dependentes (por exemplo os filhos) e o risco. Mesmo assim, no caso da embaixada de Portugal em Bagdad, Iraque, um conselheiro tem direito a 9276 euros de subsídios, menos 4460 euros que o seu homólogo em Madrid.

SITES DESACTUALIZADOS

Pontos de contacto de Portugal no exterior, as embaixadas estão a precisar de um choque tecnológico, a avaliar pela desactualização patente em informações disponíveis nos seus ‘sites’.

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A desactualização é flagrante nas listas de contactos com assessores governamentais e com a Imprensa portuguesa que dá a representação diplomática em Madrid, onde, ligada ao primeiro-ministro, aparece Leonor Ribeiro da Silva, que trabalhou com Durão Barroso (2002-2004), e Fernando Lima, director de comunicação da recente campanha presidencial de Cavaco Silva, aparece referido em simultâneo como assessor do Ministério dos Negócios Estrangeiros, que deixou em 2003, e director do ‘Diário de Notícias’, de onde saiu em 2005.

Outros erros do género existem no ‘site’ da embaixada em Paris, enquanto Londres falha no feriado de Corpo de Deus.

MUDANÇAS NA MAIS BEM PAGA

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Embaixada mais bem paga de acordo com a tabela de abonos revelada pelo CM, Madrid foi também atingida com os cortes decididos no dia 2 deste mês pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, com a retirada dos conselheiros de Assuntos Jurídicos, Joaquim dos Reis Brandão, e dos Assuntos Económicos, Maria Teresa Sanches.

De forma diferente do que se passou em Londres e Paris, de onde também saíram dois adidos em cada embaixada, em Madrid não se cortou nos sectores da Imprensa ou Cultura, embora também aqui se aguardem mudanças, uma vez que a conselheira de Imprensa, Maria de Lurdes Vale, assumiu funções em 2003 e o responsável pelos Assuntos Culturais, o escritor João de Melo, está prestes a cumprir seis anos no cargo e o MNE já definiu esse tempo como limite de exercício de funções.

SALÁRIOS DOS DIPLOMATAS EM 2005

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EMBAIXADOR

Escalão 1 - 3674,46 euros

Escalão 2 - 3852,26 euros

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Escalão 3 - 4039,05 euros

MINISTRO PLENIPOTENCIÁRIO

Escalão 1 - 2963,28 euros

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Escalão 2 - 3200,34 euros

Escalão 3 - 3318,87 euros

Escalão 4 - 3427,40 euros

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Escalão 5 - 3555,93 euros

CONSELHEIRO DA EMBAIXADA

Escalão 1 - 2133,56 euros

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Escalão 2 - 2252,09 euros

Escalão 3 - 2370,62 euros

Escalão 4 - 2607,68 euros

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SECRETÁRIO

Escalão 1 - 1600,17 euros

Escalão 2 - 1659,43 euros

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Escalão 3 - 177,97 euros

Escalão 4 - 1896,50 euros

Escalão 5 - 2015,03 euros

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ADIDO

Escalão 1 - 1481,64 euros

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