Conta da Câmara de Penela roubada on-line

Dois cidadãos ucranianos são suspeitos do desvio de cerca de 86 mil euros da conta bancária da Câmara Municipal de Penela na Caixa Geral de Depósitos. A transferência do dinheiro para outras contas do mesmo banco foi feita através da internet com um sistema informático sofisticado, e o caso está a ser investigado pela Polícia Judiciária (PJ). Os dois homens foram detidos quando tentavam levantar oito mil euros numa agência da CGD, na Póvoa de Varzim.

16 de outubro de 2008 às 22:00
Conta da Câmara de Penela roubada on-line Foto: direitos reservados
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O movimento bancário foi detectado na passada semana pelos serviços do município. "Verificámos, no próprio dia, que aquelas transferências bancárias eram muitoestranhase imediatamente avisámos o banco", disse ao CM João Falcão, chefe de gabinete do presidente da Câmara de Penela. Segundo o CM apurou, os serviços da CGD accionaram os mecanismos informáticos para bloquear as contas de destino e comunicaram a situação às autoridades.

Foram estas diligências que permitiram, no dia seguinte, detectar um movimento suspeito numa agência da CGD da Póvoa de Varzim, onde os dois homens ainda conseguiram levantar dois mil euros. Por questões de segurança dos funcionários e clientes, o alerta à PSP foi dado sem que os dois homens suspeitassem.

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Assim que saíram desta agência dirigiram-se para uma outra na mesma cidade, já com os passos vigiados pela polícia. Foram detidos quando tentavam levantar mais oito mil euros noutra agência da CGD. As contas estavam em nome destes dois ucranianos, mas a proveniência do dinheiro era da conta do Município de Penela.

Dados suficientes para os levar a tribunal como suspeitos de fraude e roubo. Os dois ucranianos foram constituídos arguidos e sujeitos às medidas de coacção de apresentações periódicas às autoridades.

Segundo o CM conseguiu saber, o método usado passará por criar balcões virtuais  na internet.  No caso concreto foi o Caixa e-Banking", não se sabendo ainda como conseguiram os códigos de acesso exigidos para movimentar a conta da Câmara de Penela.

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SUSPEITAS DE CRIME ORGANIZADO

A polícia investiga as ligações destes dois suspeitos. Oleg e Yoroslav estão em situação legal no nosso país. Um reside na Póvoa de Varzim, outro em Valença. Ambos têm contas na Caixa Geral de Depósitos, que foram o destino das transferências bancárias do dinheiro da autarquia. O CM sabe que os 86 mil euros foram parcelados em várias quantias e transferidos pelo mesmo método para várias outras contas bancárias, também através da internet.

Pelos dados disponíveis, há sérias suspeitas de se estar perante uma rede internacional organizada e que estes dois ucranianos sejam apenas operadores do sistema em Portugal, admitindo-se a existências de outros operadores e de mais vítimas deste sistema informático fraudulento que consegue entrar na contas bancárias electrónicas.

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FORAM APANHADOS EM FLAGRANTE

Os agentes da PSP da Póvoa de Varzim travaram a fuga dos dois ucranianos com os bolsos cheios de dinheiro. O sistema de alerta de segurança da CGD funcionou assim que fizeram o primeiro levantamento de dinheiro numa agência. Neste caso, o rápido aviso dos serviços da autarquia de Penela ao banco foi fundamental para que as medidas fossem postas em prática também rapidamente. E, enquanto a polícia procedia a diligências para a identificação dos titulares das contas de destino, o risco de o dinheiro poder ser levantado em qualquer local do País existiu durante cerca de 48 horas.

O CM contactou o responsável das relações públicas da Caixa Geral de Depósitos, mas Luís Goldschmidt limitou-se a dizer que "não há qualquer comentário a fazer sobre a situação".

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SAIBA MAIS

RECUPERADO

Os 86 mil euros retirados ilegalmente da conta da Câmara de Penela foram recuperados quase na sua totalidade, devido ao bloqueio das contas.

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48 HORAS

Foi em menos de 48 horas que o dinheiro foi recuperado e os dois principais suspeitos detidos. Os autarcas de Penela elogiam o trabalho célere dos serviços da CGD e da polícia.

175 KM

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A distância entre as duas cidades-alvo da fraude ronda os 175 quilómetros. A internet foi o meio mais rápido e eficaz para assaltar a conta bancária da autarquia.

ALERTAS

A PJ investiga os crimes praticados via internet e lança vários avisos aos utilizadores para não revelarem todos os dados das contas bancárias. As instituições financeiras também alertam os clientes.

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