Doente com legionella morre no hospital
Ana Pires estava internada desde Abril e teve contacto com água contaminada.
Morreu uma das duas doentes infectadas no Hospital de Bragança pela bactéria da legionella, que provoca pneumonia. Ana de Jesus Pires, 43 anos e portadora de Síndrome de Down, faleceu depois de dar entrada naquela unidade, no dia 20 de Abril, com uma infecção abdominal. Viria a ser infectada mais tarde pela bactéria, presente na água do 4º piso, onde esteve internada. Foi transferida para os Cuidados Intermédios com o quadro clínico agravado pela pneumonia aguda e prognóstico reservado. Faleceu sábado.
Todos os anos morrem 1600 pessoas em Portugal por causa das bactérias hospitalares (ver texto ao lado).
O responsável pela Unidade de Cuidados Intermédios, Domingos Fernandes, esclarece que a bactéria não está directamente ligada à causa de morte da paciente: "A doente deu entrada com risco de vida elevado e não posso dizer que a bactéria tenha acelerado o processo." Só a autópsia poderá determinar. O médico garante que a família esteve sempre a par de toda a situação, o que é desmentido pelo irmão de Ana Pires. "Já tinha ouvido falar da bactéria no hospital, mas nunca me passou pela cabeça que fosse a minha irmã", diz Vicente Pires, que não equaciona avançar com uma acção judicial. "Ia gastar dinheiro para nada, e já nada me devolve a minha irmã." António Marçoa, administrador do Hospital de Bragança, garante que foram desinfectadas as canalizações do edifício e que não há risco de mais infecções.
A primeira mulher, de 75 anos, a ser infectada pela legionella já recebeu alta.
SARAMPO PREOCUPA AUTORIDADES
A ministra da Saúde, Ana Jorge, apelou ontem à vacinação contra o sarampo. Em todo o Mundo, 33 países (14 dos quais na Europa) estão em alerta devido à epidemia de sarampo – só em França, desde o início do ano registaram-se nove mil casos. Segundo a subdirectora--geral da Saúde, Graça Freitas, Portugal registou desde Janeiro dois casos da doença, que só na sua última fase faz aparecer manchas no corpo. Um caso refere-se a um jovem que esteve temporariamente a residir em França; o outro é uma estrangeira que esteve num congresso em Portugal. A vacina é gratuita e está disponível nos centros de saúde. Em Portugal, 97% dos nascidos após 1969 estão vacinados. Contudo, há milhares de adultos não vacinados, como é o caso dos portugueses que viveram a infância no estrangeiro e imigrantes que não se vacinaram nos países de origem. A vacina integra o Plano Nacional de Vacinação: a 1ª dose é aos 15 meses e a 2ª aos 5 anos.
BACTÉRIAS MATAM 1600 NOS HOSPITAIS
Todos os anos mais de 1600 doentes morrem nos hospitais portugueses vítimas de infecções hospitalares adquiridas no internamento, segundo os dados mais recentes da Direcção-Geral da Saúde.
A bactéria que mais infecções provoca em ambiente hospitalar é a ‘staphylococcus aureus’ (em português, estafilococo dourado). Numa investigação liderada por Inês Crisóstomo, do Instituto de Tecnologia Química e Biológica (ITQB) de Oeiras, esta bactéria ganhou resistência aos antibióticos muito rapidamente.
Entre 1943 e 1960, a bactéria adquiriu resistência à penicilina, estreptomicina, tetraciclina e eritromicina. Em 1961, a ‘staphylococcus aureus’ passou a resistir à meticilina. A única excepção é a vancomicina.
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