Enfermeiro da Naval passa de Emanuel a Ema

Emanuel Alves, de 37 anos, integra o departamento médico do clube. Assumiu-se como mulher após uma intervenção cirúrgica em Espanha

14 de outubro de 2010 às 00:30
Enfermeiro da Naval passa de Emanuel a Ema Foto: direitos reservados
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"Por dentro sempre fui mulher. Agora vou começar uma vida nova com toda a tranquilidade." Emanuel Alves, 37 anos, enfermeiro do plantel sénior da Naval e funcionário do Hospital da Figueira da Foz, mudou de sexo. Após uma cirurgia a que se submeteu em Marbella, feita por uma equipa médica espanhola, assumiu-se como mulher e pôs fim a um conflito com que vivia há anos. "O Emanuel morreu e deu lugar à Ema Alves", disse ontem ao CM, na Figueira da Foz.

Em pouco tempo, muita coisa mudou na vida de Ema Alves: "Não sei o que vai acontecer no clube, mas acho que o mundo do futebol não está preparado para uma Ema. Para já, estou de férias por decisão da Naval, e acho que não vou voltar ao clube. Estou à espera." Foram seis anos de serviço que lhe despertaram a paixão pela Naval e pelo desporto-rei.

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Para já, Ema está em convalescença da cirurgia, mas espera entrar ao serviço no hospital muito em breve. "Fui muito bem aceite pela direcção e pelos colegas de trabalho. Todos começaram logo a tratar-me por Ema", explica.

Na Figueira da Foz, Ema tenta levar o dia--a-dia com a maior normalidade possível. "A Figueira é uma cidade pequena, e as pessoas falam muitas coisas e inventam histórias. Contudo, não sinto pressão nenhuma e ando completamente à vontade. Faço tudo o que tenho e quero fazer e até acho que olham menos para mim do que antigamente", diz.

Aprígio Santos, presidente da Naval, mostrou-se surpreendido, em declarações ao CM. "Foi com surpresa que soube dessa notícia. Ele está de férias e agora apareceu esta novidade. Para já, o que me vem à cabeça é lamentar o sofrimento pelo qual estarão a passar os familiares da pessoa em causa."

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O funcionário Emanuel Alves é descrito por Aprígio Santos como "do melhor e do mais educado que há. Um profissional do melhor".

Quanto ao futuro, o líder da Naval 1º de Maio deixa a decisão em suspenso. "Não estou ao corrente de toda a situação. Vamos analisar e depois decidimos", concluiu.

"QUEM NÃO ESTIVER PREPARADO NÃO CHEGA AO FIM"

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Ema Alves assume-se como transexual. Diz que esta "foi uma decisão difícil, mas que tinha de tomar". "Vivi 37 anos em angústia e sofrimento. Agora sinto-me bem, estou muito feliz", refere. A operação, realizada a 28 de Setembro, com "uma excelente equipa especializada", durou sete horas e "correu muito bem", explica Ema. Antes da operação, foi seguida ao longo de um ano por uma equipa de psicólogos. "Quem não estiver preparado não chega ao fim da transformação", explica a enfermeira da Naval 1º de Maio.

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