Jura que não agrediu

Rapariga de 15 anos nega que tenha batido em Leandro. Os colegas garantem o contrário.<br/>

06 de março de 2010 às 00:30
Jura que não agrediu Foto: Joana Neves Correia
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A chuva cai sem parar no leito do rio Tua e o vento frio sopra insistentemente. Na margem, Paula e Goreti, tias do pequeno Leandro Pires, de 12 anos, que na terça-feira se atirou ao rio, permanecem imóveis e dali não saem enquanto o corpo do sobrinho não aparecer. Na Escola EB 2,3 Luciano Cordeiro, em Mirandela, uma jovem de 15 anos jura inocência, contra aqueles que dizem que a viram bater em Leandro, antes da tragédia.

Na aldeia de Vale Pereiro, Maria José, mãe da rapariga que é acusada juntamente com o namorado de agredir o menino de 12 anos, está revoltada. 'A minha filha não bateu em ninguém, jurou-me que não o fez e eu confio nela. Nunca me mentiu. Tenho pena dos pais e do menino, mas não podem acusar ninguém sem provas', disse ao CM. A jovem foi ontem ouvida na escola, tal como o namorado. Ao conselho directivo contou a mesma versão relatada à mãe, um dia após a morte de Leandro.

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'Perguntei-lhe se o outro rapaz bateu no Leandro e ela disse que não sabia, que o viu a agarrá-lo pelos braços, a obrigá-lo a sentar num banco e a ameaçá-lo para que não saísse dali. Avisei-a que se mentir será castigada', acrescentou a mãe.

A filha de Maria José frequenta o 9º ano. Tem problemas de coração e aos seis anos foi-lhe diagnosticado um cancro no rim, que a levou a estar três anos internada. Sempre foi bem comportada, mas há um ano mudou. Começou a andar com más companhias e reprovou. 'Tenho feito asneiras atrás de asneiras. Sei que te causei muito sofrimento e que não tens orgulho em mim, mãe. Sou uma pessoa diferente, falto às aulas, não faço os trabalhos de casa', escreveu a jovem num caderno.

O irmão, os primos e os amigos de Leandro, e ainda os colegas da jovem acusada, garantem que a rapariga está a mentir. 'Vi-a e ao namorado a baterem no Leandro. Ela anda sempre em conflitos. O que aconteceu não foi um caso isolado', assegurou uma das crianças.

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ALUNA DE 16 ANOS ATACADA NA ESCOLA POR DUAS COLEGAS

Sem motivo aparente e de forma violenta, uma rapariga de 16 anos foi anteontem agredida por duas colegas nos corredores da Escola Secundária Alexandre Herculano, no Porto. As agressoras, de 15 e 16 anos, já perseguiam a vítima há cerca de um mês. 'Cismaram comigo, diziam que iam estrangular-me e insultavam-me, mas nunca liguei muito', conta Maria João. As ameaças concretizaram-se quando a adolescente reagiu a um encontrão. 'Perguntei: qual é a tua?', e uma delas agarrou-me pela cabeça e a outra prendeu-me as pernas. Depois caí e deram-me pontapés na cabeça e no tronco', descreve.A agressão aconteceu num intervalo das aulas, tendo as duas alunas sido advertidas pelo conselho executivo. Os pais de Maria João decidiram apresentar queixa-crime contra as agressoras.

PORMENORES

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FAMILIARES AMEAÇADOS

Paula Nunes, tia de Leandro, garante que a mãe da jovem acusada de agressão ameaçou o seu filho e os sobrinhos. 'Avisou-os de que se acontecesse algo à filha, eles iam ter que se ver com ela', conta Paula.

PROIBIDOS DE FALAR

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A direcção da Escola EB 2,3 Luciano Cordeiro proibiu os alunos de falarem sobre Leandro. Três dias após o desaparecimento, a associação de pais admitiu, em comunicado, 'ter conhecimento de casos de violência'.

LEANDRO

Leandro, 12 anos, de corpo franzino, era alvo de agressões por parte de colegas e já tinha estado hospitalizado. Tinha um irmão gémeo.

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