Máfia brasileira ‘fecha’ tribunal

Há uma semana que a PSP vigia a sala de audiências, fechada a outros julgamentos. Sandro ‘Bala’, o líder da rede de extorsão na noite, estará ausente.

26 de abril de 2011 às 00:30
Seixal, julgamento, máfia brasileira, 'Bala' Foto: direitos reservados
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Há cerca de uma semana que a sala de audiências do Tribunal do Seixal onde esta manhã começa o julgamento da Máfia Brasileira da Noite não recebe julgamentos. Por ordem do colectivo de juízes que vai julgar o processo em que o principal arguido é o instrutor de jiu-jitsu Sandro Lima ‘Bala’, de 39 anos (que está em fuga no Brasil), o espaço tem vindo a ser vigiado pela PSP, que montará um perímetro de segurança no tribunal com o intuito de precaver ataques a arguidos, juízes e advogados.

Como o CM noticiou em primeira mão, tanto o colectivo de juízes como a procuradora que em tribunal representará a acusação estão com protecção pessoal da PSP desde Março. A rede que a partir das 09h15 de hoje começa a ser julgada foi acusada pelo DIAP de Lisboa de um total de 109 crimes (como homicídio, ofensas corporais agravadas, extorsão, falsificação de documentos, entre outros).

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Dos 25 arguidos que, tudo indica, se apresentarão hoje no Tribunal do Seixal, cinco estão em prisão preventiva na cadeia de alta segurança de Monsanto, em Lisboa. O seu trajecto até à Margem Sul do Tejo será feito em carrinhas do Grupo de Intervenção em Serviços Prisionais (GISP), estando até previstos condicionamentos de trânsito na Ponte 25 de Abril, no sentido Norte-Sul, entre as 08h00 e as 09h00. À chegada ao tribunal, a PSP responsabilizar-se-á por um cordão de segurança em redor das instalações judiciais, controlando todas as entradas através de revistas pessoais.

Sandro ‘Bala’ será o único dos 26 arguidos acusados que não estará presente na sala de audiências. O CM sabe que o instrutor de jiu--jitsu, ausente de Portugal desde o início de 2010, alegadamente para prestar assistência ao irmão (Júlio Pudim) por este ter ficado tetraplégico após ter sido baleado num assalto, diz não se rever em nenhuma das acusações que lhe foram feitas e desconhecer até algumas delas.

'SUPER-JUIZ' DEIXOU ACUSAÇÃO QUASE INTACTA

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Carlos Alexandre, magistrado titular do Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa, deixou quase intacta a acusação do DIAP contra os arguidos da Máfia Brasileira da Noite. Dos 113 crimes inicialmente imputados aos 25 suspeitos e a uma empresa (a firma de segurança Olho Vivo) por parte da procuradora Cândida Vilar, apenas ‘caíram’ quatro crimes de tráfico de droga e detenção de arma proibida.

O ‘superjuiz’ viu, assim, motivos para sentar no banco dos réus os arguidos pela prática de 109 crimes. A escolha da comarca qualificada para o julgamento dos mesmos revelou-se a polémica seguinte. Carlos Alexandre enviou o processo para a 5ª Vara Criminal de Lisboa, presidida pelo juiz Renato Barroso. Este, no entanto, mostrou-se incompetente para o julgar, remetendo-o para o Seixal.

'IMPORTAVAM' DESPORTISTAS PARA EXTORSÃO

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A operação ‘Nemesis’, realizada a 19 de Fevereiro de 2010 e coordenada pelo Sistema de Segurança Interna, pôs fim a meses investigação à Máfia Brasileira da Noite. O grupo liderado por Sandro ‘Bala’ angariava praticantes de jiu-jitsu no Brasil, forjando-lhes títulos de permanência em Portugal como desportistas. Alguns destes imigrantes chegaram, no entanto, a atacar estabelecimentos de diversão nocturna, impondo aos donos, pela violência, o esquema de protecção do gang e da empresa de segurança Olho Vivo, de Setúbal, cujo dono, Carlos Pereira, é também arguido neste processo.

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