‘Máfia da Noite’ “assaltou Petit”
Depois de já ter acusado em tribunal o grupo conhecido por ‘Máfia da Noite’ de ter assaltado "jogadores de um grande clube", entre vários crimes ligados ao alterne, L. S. foi ontem convidado pela juíza a dar nomes das vítimas. Sob pena de perder a credibilidade. E o ex-gerente do bar Gallery apontou "Petit", na altura jogador do Benfica – que estaria "com colegas numa festa privada com raparigas, numa casa de Telheiras [Lisboa]. Chegou o grupo armado e roubou quatro jogadores – relógios Rolex, Franck Muller, Cartier..."
A testemunha de Acusação ainda hesitou em avançar o nome do jogador da selecção nacional, desde o início da época a representar o Colónia, da Alemanha. Mas o crime ocorreu dentro de um apartamento particular "há mais de um ano", e L. S. não assistiu. Diz ao tribunal ter sabido de tudo "pelo próprio Petit", que, tal como os outros jogadores, não apresentou queixa à polícia.
"O Petit ligou-me a contar. Estava com os colegas numa festa, em casa de raparigas, quando de repente chegaram cinco homens. Levavam pistolas à cintura – e intimidaram os jogadores, antes de lhes roubar carteiras e relógios." Os quatro atletas usavam "Rolex, Franck Muller e Cartier", que valem em média 20 mil euros. Ficaram sequestrados, enquanto os elementos do gang "foram levantar dinheiro" com cartões das vítimas.
L. S. foi pressionado pela defesa dos arguidos a apontar outras vítimas, mas a juíza não insistiu – este crime não consta na Acusação do actual processo. E o ex-gerente de um bar de alterne resistiu à inconfidência – mesmo quando lhe perguntaram se um dos jogadores "é o Miguel", ex-jogador do Benfica.
Petit não conhece quem os assaltou, mas L.S. diz saber quem são: "Falei com a Denise [arguida no processo por ligações ao alterne], que estava lá, e ela contou-me". A brasileira ajudou a montar a armadilha aos jogadores e chamou "Pedro Gameiro, Paulo Baptista, Pedro Alemão, François e Veiga."
"NÃO PASSEI POR SITUAÇÃO PARECIDA"
"Não passei por nenhuma situação parecida, nem quero ser envolvido em situações deste género. Estou aqui no meu cantinho, na Alemanha, concentrado na minha equipa – e não entendo como é que o meu nome aparece nisto", reagiu ontem Petit, que só teve conhecimento das declarações do ex-gerente do Gallery, ao colectivo da Boa-Hora que julga a ‘Máfia da Noite’, através de um contacto do CM. "Mas, a ser verdade que alguém [L. S.] falou no meu nome, vou já entregar o caso ao meu advogado e agir em conformidade." Entretanto, o CM sabe que é intenção da Defesa dos arguidos chamar a depor o internacional português, de 32 anos. O objectivo é desacreditar a testemunha L. S., que neste processo acusa o grupo de crimes de extorsão, entre outros. .
FUNCIONÁRIOS DO GALLERY EXPÕEM CLIENTES AO GANG
De acordo com o depoimento de L. S., os empregados que trabalham no Gallery "ligam para os amigos do Alfredo Morais a dizer quem são os clientes que lá estiveram e quais são as suas profissões". Sabendo que a maior parte dos frequentadores do bar de alterne da av. Duque de Loulé "são homens casados, com cargos influentes em várias áreas da sociedade portuguesa", o grupo "é um perigo público, capaz de usar essa informação". Desconhece-se qual o destino dado a essa informação e quantas pessoas já terão sido ‘manipuladas’ pelo grupo; mas, segundo o ex-gerente do Gallery, o gang "é capaz até de fazer sequestros".
PORMENORES
TESTEMUNHA CONTINUA
L. S., que durante anos conviveu com o grupo no Gallery, acusando-o de extorsão aos donosdo bar, continua a ser ouvidoàs 09h30 de Quarta-feira.
BENFICA NÃO COMENTA
Contactado pelo CM, o director de Comunicação do Benfica, João Gabriel, diz que "o clube não comenta a vida privada dos seus jogadores ou ex-jogadores".
SEGURANÇA PESSOAL
L. S., entre três testemunhas--chave da Acusação, continua a ter segurança pessoal da PSP.
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