Mil proibidos de jogar em casinos
Salas de jogo só podem vedar entrada com autorização do jogador. Associação de Casinos reforça interdição com a destruição de cartões.
Há cerca de mil jogadores que estão impedidos de entrar nos casinos. No combate ao fenómeno do jogo compulsivo, o secretário-geral da Associação Portuguesa de Casinos, Artur Mateus, sublinha que as salas de jogo possuem vários mecanismos para impedir o acesso do apostador às máquinas. A afirmação surge depois de o Casino de Espinho ter sido condenado a pagar 82 mil euros a um jogador viciado, que estava proibido pela Inspecção-Geral de Jogos de entrar na sala, explorada pelo grupo Solverde. O jogador perdeu 240 mil euros em dois anos.
O secretário-geral da Associação de Casinos não consegue explicar a presença do jogador viciado em Espinho depois de o próprio ter pedido para ser impedido de entrar nos casinos em Portugal. "A entrada só é vedada depois de o jogador pedir junto da Inspecção-Geral de Jogos para ser proibido de frequentar casinos. Para isso, o jogador entregou duas fotografias e os cartões de acesso aos salões de jogo", explica. "Os cartões são depois anulados pelos sistemas informáticos e as fotografias divulgadas junto dos porteiros", acrescenta. Ao mesmo tempo, o representante dos industriais das salas de jogo refere que "os profissionais recebem instruções para detectar jogadores compulsivos e convencê-los a parar de jogar", sublinhando que "os casinos não têm interesse em ter estes jogadores".
PERDEU 240 MIL EUROS NO JOGO
"A minha vida depende deste processo para poder começar de novo e ter, finalmente, estabilidade." O desabafo pertence ao empresário do Marco de Canaveses que processou o Casino de Espinho por este não o ter impedido de entrar nas salas de jogo, após ter enviado uma carta à Inspecção-Geral de Jogos a pedir uma autoproibição. O casino, condenado a pagar 82 mil euros, vai recorrer para o Supremo e diz que "é impraticável impedir o acesso a todas as pessoas interditas de entrar".
O empresário do ramo automóvel começou a jogar com 29 anos e foi em 2003 que sentiu que o jogo se estava a tornar num vício. No jogo perdeu mais de 240 mil euros, chegando a gastar em média, numa noite, entre 500 a oito mil euros.
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