MP não trava homicida
PSP propôs afastamento; procuradora recusou. Vítima foi morta a tiro três semanas depois.
De tanto ir à esquadra, Teresa Mendes 'já era cumprimentada' por agentes da PSP nas ruas de São Marcos, Cacém, recorda ao CM Isidro Gomes. Está revoltado por a polícia não ter impedido a morte da irmã, abatida pelo ex--marido com dois tiros à entrada do prédio, depois de ter ido apresentar várias queixas contra ele por ameaças de morte e agressões violentas – mas, três semanas antes do crime, quem recusou aplicar ao agressor uma medida de afastamento da vítima foi a procuradora Ana Rita Granado, do Ministério Público de Sintra.
O homicídio ocorreu na manhã de 9 de Dezembro, mal a mulher de 37 anos saiu de casa. Como sempre, Euclides Silva Varela já a esperava no hall do prédio – mas desta vez não ameaçou nem bateu. Matou-a. Até porque uma das últimas vezes que, num ano, a agredira naquele local, foi só três semanas antes, quando a PSP pôs este caso à consideração da magistrada.
Resposta: uma vez que o casal já vivia em casas separadas, não se justificava impor ao agressor medidas de afastamento da vítima – apesar de Euclides, que andava armado, já ter cumprido pena por matar outra mulher. Resultado: três semanas depois morreu Teresa Mendes.
MULHER DEIXOU DOIS FILHOS DE 12 E 14 ANOS
'Qualquer dia vou dar cabo dela'. A frase era vezes sem conta repetida por Euclides Silva Varela na rua e nos cafés onde passava a maior parte dos dias. Incapaz de aceitar o fim do casamento dois meses antes, pelas 05h00 de 9 de Dezembro esperou por Teresa no hall do prédio e assassinou-a com dois tiros no peito mal esta saiu de casa para ir trabalhar. Aos 14 anos, Nilton, filho mais velho da vítima, já estava habituado à violência e adivinhou o pior quando ouviu os tiros. Levantou-se da cama, foi ter com uma das amigas de Teresa e disse: ‘Pronto, o pai matou a minha mãezinha’. Não era difícil de adivinhar, uma vez que Euclides ameaçava de morte a mulher em frente aos filhos (Liliana tem 12 anos). Familiares de Teresa levaram de imediato as crianças, que ainda viram o corpo da mãe estendido no chão.
'A TERESA LEVAVA MURROS E PONTAPÉS TODOS OS DIAS'
Empregada numa pastelaria em Oeiras, Teresa 'vivia num pesadelo' há cerca de um ano, quando Euclides voltou de Cabo Verde, onde se conheceram. 'A minha prima levava murros e pontapés todos os dias e por isso agarrou-se à coragem e deixou-o. Só casou com ele para aquele assassino poder vir para Portugal e no fim ele faz-lhe isto', lamentava ao CM Manuel Mendes, primo da vítima, no dia a seguir ao crime. Quanto ao irmão da vítima, Isidro Gomes, não sabia que a decisão de não afastar o agressor de Teresa foi de uma magistrada. 'A minha irmã já tinha apresentado dezenas de queixas contra o assassino. Os polícias até já a cumprimentavam na rua de tantas vezes que ia à esquadra. Ele andava armado, mas nunca ninguém fez nada'.
APONTAMENTOS
SETE ANOS PRESO
Euclides Silva Varela já cumprira sete anos de prisão em Cabo Verde pela morte – à facada e dentro de uma esquadra – da antiga namorada.
MEDIDA DE COACÇÃO
A procuradora recusou a medida de afastamento porque entendeu que o termo de identidade e residência, prestado na sequência de agressão anterior, era suficiente.
PRISÃO PREVENTIVA
Depois de matar Teresa, o homicida entregou-se na esquadra. Está em prisão preventiva.
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