“Não é justo perder os meus meninos”
Pai de Paulo e Rita fica em choque com destino dos filhos. “Trabalhava de sol a sol para eles”. <br/>
'Isto não é justo, lutei tanto por eles, para os fazer crescer e agora roubam-mos desta maneira. É inexplicável e absurdo perder os meus meninos', disse ontem ao CM António Augusto Cardoso, que na véspera ficou sem dois filhos num brutal acidente, pelas 22h30, na EN206, em Fafe. Paulo Sérgio Pereira Cardoso, 16 anos, e a irmã Rita Isabel Pereira Cardoso, de 13, morreram ainda no local do acidente.
O violento embate ocorreu quando o namorado da irmã mais velha das vítimas, João Manuel, foi buscar Paulo e o amigo Armando ao jantar de Natal da equipa de futebol de Quinchães. A pequena Rita foi acompanhar João para este não ter de fazer a viagem sozinho.
João Manuel Neiva, de 18 anos, e Armando Rafael Guimarães, de 16, acabaram gravemente feridos e estão internados nos Cuidados Intensivos dos hospitais de Guimarães e de S. João, Porto. Na outra viatura envolvida no acidente estavam três passageiros, mas que apenas sofreram ferimentos ligeiros.
Há ainda poucas explicações para o que terá motivado a violenta colisão. No local – uma recta em descida –, eram ainda ontem visíveis as marcas de uma travagem de 40 metros feita pelo Renault Clio em que seguiam as vítimas. O carro entrou em sentido contrário e depois de chocar com um Seat Toledo galgou o separador lateral.
'O carro travou e foi bater de lado com a outra viatura. O choque ocorreu do lado em que os dois jovens que morreram seguiam. Não se sabe porque é que terá ocorrido a travagem', disse fonte da GNR.
Em Fornelos, Fafe, na casa onde moravam as duas vítimas, os gritos de desespero e as lágrimas foram--se repetindo ao longo do dia. 'A vida não está a ser justa para mim. Trabalho de sol a sol para poder dar uma boa vida aos meus filhos e agora acontece-me isto', disse António, com os olhos vermelhos de um choro ininterrupto, enquanto a mãe, em choque, se mantinha recolhida. As vítimas tinham mais dois irmãos, Ana Sofia, de 18 anos, e o pequeno Luís Miguel, de seis.
João Manuel tinha terminado de jantar em casa dos pais da namorada e ofereceu-se para ir ao encontro de Paulo. 'Era para ir buscá-lo ao jantar, mas o João insistiu que queria ir ele. Nunca tive problemas em emprestar-lhe o carro, porque confiava nele', disse António.
'COMEÇÁMOS A VER O INEM E PRESSENTI QUE ERAM ELES...'
'Antes de sair disse-me que já voltava para irmos as duas para a internet', lembra com as lágrimas a caírem a tia de Rita, Sónia Pereira, de 28 anos. Os primeiros sinais de que algo tinha corrido mal na viagem de regresso a Fornelos começaram quando Ana Sofia tentou ligar para o namorado e ele não atendeu. Seguiram-se chamadas para os irmãos, mas os telemóveis estavam desligados. A preocupação adensou-se. Ana e Sónia decidiram pegar no carro para ver se algo tinha acontecido. 'Mal chegámos à variante em Fafe começámos a ver o INEM e eu pressenti que eram eles', diz Sónia. Os piores pensamentos tornaram-se realidade. 'Nem tive coragem de ir ao local do acidente vê-los', acrescentou. O pai, António, mostrava a sua revolta. 'O João conduzia tão devagar. Como foi isto acontecer?'
PORMENORES
JANTAR DE NATAL
Paulo estava no jantar de Natal da equipa de futebol do Quinchães com o amigo Armando, antes da tragédia. Era o pai que ia buscá-los, mas acabou por ser o namorado da irmã mais velha.
ALEGRIA EM PESSOA
Rita é descrita por todos os familiares como 'a alegria em pessoa' e Paulo como um rapaz 'espectacular'.
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