“Não haver provas de que está vivo leva-nos ao pior”

Acusação fez com que Filomena começasse a acreditar que Rui Pedro está morto. Pai espera que Afonso confesse finalmente a verdade em tribunal.

01 de março de 2011 às 00:30
RUI PEDRO, AFONSO DIAS, DESAPARECIMENTO, FILOMENA TEIXEIRA, LOUSADA Foto: João Carvalho Pina
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A esperança de Filomena desvaneceu quase por completo. A notícia de que Afonso Dias, de 34 anos, tinha sido acusado do rapto do filho Rui Pedro, de 11 anos, trouxe ao de cima os seus piores receios. Teme que Rui esteja morto e que nunca mais volte para perto de si. O coração diz-lhe para continuar a acreditar, mas a cabeça convence-a de que nunca mais abraçará o seu menino, desaparecido há quase 13 anos.

"Ela teme o desfecho mais dramático. O facto de não haver provas de que o Rui Pedro esteja vivo leva--nos a pensar o pior. Não há nada que diga, por exemplo, que ele foi para o estrangeiro. Não se sabe mais nada depois de eles terem estado com a prostituta", desabafou Manuel Mendonça, pai do menor.

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Ao contrário da mulher, Manuel não viu a acusação como uma sentença de morte, mas sim como uma nova réstia de esperança. Acredita que em julgamento Afonso irá finalmente revelar o que aconteceu a Rui Pedro depois de se terem encontrado com a prostituta. "Vamos esperar pelo julgamento com alguma ansiedade. Pode ser que surjam novas provas. Espero que isto ajude a que o Afonso fale. Ele agora vai ter de se defender do que é acusado, o que nunca tinha acontecido até aqui", realçou.

Desde o desaparecimento que Manuel se tornou no pilar da família. Aprendeu a suportar a sua dor e ajuda a mulher a não perder a fé.

Para Filomena, a vida parou a 4 de Março de 1998. Nunca mais trabalhou e actualmente está reformada e a receber uma pensão de 200 euros. Refugia-se em casa, no meio das recordações de Rui Pedro. Mata as imensas saudades que tem do filho revendo fotografias, desenhos e cadernos da escola. Todas as semanas vai ao Hospital Magalhães Lemos, onde está a ser acompanhada. Manuel não esconde a revolta. Em treze anos a família nunca teve ajuda.

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"Três anos após o desaparecimento fui com a minha mulher ao Magalhães Lemos. Ela estava muito mal e mandaram-nos embora. A esposa do dr. Durão Barroso conseguiu que a minha mulher fosse internada. Foi a única que nos ajudou", rematou o pai.

PJ INVESTIGOU MORTE POR EPILEPSIA

Uma das teses mais fortes investigadas pela Polícia Judiciária do Porto foi a hipótese de Rui Pedro ter morrido devido a um ataque de epilepsia. Os inspectores colocaram a possibilidade de o menino ter vivido um momento de enorme tensão ao estar com a prostituta Alcina, a quem Afonso deu dez euros para ter sexo com Rui Pedro, e ter sofrido um ataque. Sem medicamentos, o menor poderia ter falecido e em pânico Afonso ter decidido desfazer-se do corpo.

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Os inspectores ouviram a neuropediatra que acompanhava Rui Pedro e pediram vários relatórios médicos que sustentassem a tese, mas o facto de o corpo do menor nunca ter sido encontrado obrigou a que tal hipótese não passasse do domínio das teses.

No relatório médico, a neuropediatra do menor afirmava que se aquele estivesse 16 horas sem tomar os medicamentos poderia sofrer um ataque, que em casos extremos pode levar à morte. A médica adiantava ainda que caso o menor tivesse sido sujeito a uma situação de elevado stress ou se tivesse consumido álcool tal podia elevar em muito a possibilidade de sofrer um ataque epiléptico.

O facto de o campo onde Rui Pedro se encontrou pela última vez com Afonso ser agora uma zona habitacional dificultou também a investigação. Quando os inspectores voltaram ao local já tudo tinha mudado.

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