Seca apesar das cheias

A chuva que tem caído nos últimos dias já provocou cheias em vários pontos do País mas deixou as albufeiras praticamente na mesma, tendo-se registado apenas ligeiros aumentos no volume de água de algumas barragens. Segundo o Instituto da Água (Inag), só se chovesse ininterruptamente até final do ano a situação de seca no País seria ultrapassada.

13 de outubro de 2005 às 13:00
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“No sul, as albufeiras continuam quase vazias, sem registo de aumentos de água, com capacidades médias inferiores a 20 por cento”, adiantou ao CM Rui Rodrigues, do Inag.

A albufeira do Arade está quase seca, com a sua capacidade abaixo dos cinco por cento. A barragem do Alqueva também “nem pestanejou com estas chuvas”, disse o especialista. Aliás, houve mesmo uma redução do volume de água no Alqueva em cerca de um centímetro devido à produção de energia.

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No Centro, a água da barragem do Cabril subiu seis centímetros nos útlimos dois dias, tal como a de Castelo de Bode. “Seis centímetros não são nada tendo em conta a capacidade destas albufeiras”, sublinhou Rui Rodrigues, adiantando que estas duas barragens estão a cerca de 60 por cento da sua capacidade média.

No Norte, a situação é um pouco melhor, com totalidade das albufeiras a cerca de 40 ou 50 por cento da sua capacidade média. No Douro, por exemplo, o volume da barragem do Torrão subiu cerca de 20 centímetros graças à chuva dos últimos dias, “um valor pouco significativo em termos percentuais”, explicou Rui Rodrigues.

SOLOS SECOS

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Em primeiro lugar é necessário combater a deficiência de humidade dos solos, que têm de atingir um estado de saturação que permita escoamentos para os ribeiros e rios, que depois vão afluir às albufeiras.

Actualmente, o défice de precipitação em Portugal Continental ronda os 500 milímetros, já que entre Outubro de 2004 e Setembro de 2005 apenas caíram 398 milímetros de chuva, face a uma média de 912. Em Setembro último caíram apenas 14 milímetros de chuva, quando a média é de 41.

Segundo Rui Rodrigues, para acabar com a situação de seca não são necessários os 500 milímetros de chuva, por tratar-se de um valor médio. Para recuperar, Portugal precisaria de 200 a 300 milímetros de chuva, um valor suficiente para permitir a saturação dos solos e o escoamento para as albufeiras. “Na prática, significaria que teria de chover bem em Outubro, Novembro e Dezembro, pois é necessária, não apenas o volume de precipitação, mas a sua permanência no tempo”, afirmou o especialista em recursos hídricos.

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Até agora, as afluências às barragens ainda não se registaram, “porque os solos estão em grande carência”, acrescentou Rui Rodrigues.

No último dia do mês de Setembro de 2005 e comparativamente ao último dia do mês de Agosto, verificava-se uma descida no volume armazenado em todas as bacias portuguesas. Das 57 albufeiras monitorizadas pelo INAG, duas tinham disponibilidades hídricas superiores a 80 por cento do volume total e 34 albufeiras disponibilidade inferior a 40 por cento do volume total.

METEOROLOGIA

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Segundo o Instituto de Meteorologia, para hoje e amanhã são esperados aguaceiros no Cenrto e no Norte do País, mas a temperatura vai subir e a chuva parar no fim-de-semana, voltando segunda e terça-feira. Segundo Rui Rodrigues, do Inag, com as temperaturas mais altas no fim-de-semana, é de esperar alguma evaporação da pouca água das barragens, que foi recuperada nos últimos dias.

AGRICULTURA

O sector agrícola poderá ser primeiro a tirar partido desta chuvas. “Não haverá ainda qualquer benefício nas reservas de água, quer subterrâneas quer superficiais, mas a nível dos campos é possível que haja, nomeadamente, para pasto dos animais”, disse Rui Rodrigues. Os agricultores têm agendada uma manifestação nacional para dia 25 contra a falta de apoio do Governo.

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97 POR CENTO

Noventa e sete por cento do território continental estava em situação de seca extrema ou severa na última quinzena de Setembro. Segundo o último relatório quinzenal da Comissão para a Seca, 61 por cento do território estava em seca extrema e 36 por cento em seca considerada severa.

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