Smith pede verba para campanhas
O escocês aconselhou os ingleses a pagarem três milhões ao Partido Socialista porque era “quem estava no governo” e ia ganhar as eleições. <br/>
Charles Smith, arguido no ‘caso Freeport’, escreveu ao director do Grupo em Inglaterra, Jonathan Rawnsley, aconselhando-o a pagar três milhões de euros ao Partido Socialista (PS). Segundo um documento manuscrito pelo próprio Smith, a que o CM teve acesso, o escocês transmitiu aos ingleses do Freeport que tinha sido abordado por várias forças partidárias que solicitaram donativos; 'os partidos políticos têm-nos solicitado donativos para a campanha eleitoral para as eleições autárquicas', escreve Smith num resumo do que é um longo relatório que foi enviado para Inglaterra.
Embora o documento não tenha data, as eleições a que se refere Charles Smith foram as realizadas em 2001 e ganhas pelo PS. O próprio Smith recomenda aos ingleses que considerem seriamente a realização de uma contribuição 'em particular para o partido que está no poder (o PS) e que vai aprovar esta fase do projecto'. Na nota manuscrita para Jonathan Rawnsley, o escocês diz que as quantias exigidas são; 'três milhões de euros para o PS, 500 mil para o PSD (oposição), 300 mil para a CDU (que tem o actual presidente da câmara) e 300 mil para o CDS-PP'.
Contactada pelo CM, a advogada de Smith, Paula Lourenço, afirmou que 'quem passa esse tipo de informação nesta altura não é digno de fazer parte de um organismo de investigação criminal, nem é digno de ser procurador da República. Não passa de um vendilhão de documentos'.
DONATIVOS SÓ PARA CARIDADE
'A política do Freeport é de dar donativos para caridade e não para a política.' Esta foi a resposta à carta enviada por Charles Smith para os responsáveis em Inglaterra, solicitando o pagamento de contribuições para várias forças partidárias.
Segundo apurou o CM, Charles Smith foi confrontado com as cartas pelos investigadores do ‘caso Freeport’, tendo admitido que foi ele quem as escreveu.
Os mesmos documentos foram apreendidos pelo escritório de advogados inglês Deckers, quando foi chamado pelo Grupo Carlyle para investigar as acusações de suborno que pendiam sobre a administração do Freeport. O Serious Fraud Office já arquivou o processo em Inglaterra e o Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) promete, para breve , o encerramento da parte portuguesa.
SAIBA MAIS
DE FARO A ALCOCHETE
A Smith & Pedro, criada em 2000, em Faro, por Charles Smith e Manuel Pedro, foi contratada nesse ano pela RJ McKinney para obter as licenças e aprovações necessárias ao projecto para os terrenos da Firestone, em Alcochete.
75 000 metros quadrados de área fizeram do Freeport de Alcochete o maior outlet da Europa.
4 000 000 ‘de euros ou de contos’ foi a verba que Júlio Monteiro, tio de José Sócrates, disse ser referida por Charles Smith como necessária para a aprovação do Freeport.
‘DESIGNER VILLAGE’
O projecto imobiliário apresentado em 1999 pela RJ McKinney ao Instituto de Conservação da Natureza era um complexo lúdico-comercial denominado ‘Designer Village’.
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