Taguspark na TVI sob investigação

Rui Pedro Soares é figura central no negócio que DIAP está a passar a pente-fino. Compra de 40 por cento do capital da estação privada em discussão. <br/>

26 de março de 2010 às 00:30
Taguspark na TVI sob investigação Foto: Vítor Mota
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A tentativa de compra de uma parte do capital da TVI através do Taguspark é um dos elementos centrais da investigação em curso no Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa.

Os elementos sobre esta acção, protagonizada por Rui Pedro Soares na qualidade de administrador da PT e do Taguspark, surgiram no âmbito da investigação ao contrato celebrado por esta última entidade com o ex-futebolista Luís Figo. Os elementos sobre esta possibilidade de negócio, que sustentou um pedido de parecer ao escritório de José Miguel Júdice, surgiram nas buscas à PT, ao Taguspark e à casa de Rui Pedro Soares.

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Alguns dos protagonistas foram já inquiridos formalmente pelo Ministério Público sobre factos relacionados com os dois objectos da investigação: contrato de Figo e intervenção de Rui Pedro Soares na tentativa de aquisição de 40 por cento do capital da Media Capital, detentora da TVI. O CM sabe que os dois casos podem vir a ser autonomizados e que já foram constituídas como arguidos as pessoas que tiveram intervenção formal em actos de duvidosa legalidade – Rui Pedro Soares, João Carlos Silva e Américo Thomati, administradores do Taguspark.

Na prática, este inquérito pode vir a confirmar que se registaram duas tentativas de compra de parte do capital da TVI antes de surgir a hipótese de entrada da Portugal Telecom. Primeiro, por uma operação que envolvia fundos ingleses e, depois, pelo Taguspark, ambas em datas muito anteriores à fase mais quente da polémica, em Junho de 2009.

QUEREM VOLTAR À REFER

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Manuel Guiomar e José Lopes Valentim, ambos funcionários da REFER, vão requerer a alteração das medidas de coacção aplicadas aos arguidos no âmbito da investigação do processo ‘Face Oculta’. Os arguidos irão usar como argumento a decisão tomada no âmbito do mesmo caso pelo Tribunal da Relação do Porto. Os desembargadores terão decidido que o juiz de Aveiro não podia determinar a suspensão de funções de Carlos Vasconcelos, por a empresa não ter estatuto de empresa pública. 'Vamos pedir a alteração das medidas de coacção', disse Poliana Pinto Ribeiro ao CM.

Também José Penedos, ex-administrador da REN, aguarda por decisão da Relação. O ex-secretário de Estado pediu que seja alterada a medida que implicava o afastamento da empresa mas entretanto foi substituído.

SAIBA MAIS

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ARGUIDOS

Rui Pedro Soares, João Carlos Silva e Américo Thomati foram constituídos arguidos pelo DIAP de Lisboa na investigação do negócio que envolveu o Taguspark e o ex-futebolista Luís Figo.

750 mil era o valor total do contrato feito com Figo. As autoridades suspeitam que o dinheiro seria a contrapartida pela participação do antigo internacional na campanha do PS.

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40% era o capital que a Prisa, detentora da TVI, pretendia vender. A PJ de Aveiro interceptou escutas que davam conta de um esquema irregular de compra que envolvia capitais de empresas públicas.

'ATENTADO'

'Atentado contra o Estado de Direito' foi a forma como a acção foi catalogada.

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