Terror financiado no Sul do País

Polícia Judiciária caça dez armas destinadas a atentados de dissidentes do IRA. Dois irlandeses presos lavam dinheiro em construção civil no Algarve.

09 de julho de 2011 às 00:30
IRA, IRLANDA DO NORTE, OMAGH, ATENTADOS, TERROR, DINHEIRO, SUL Foto: Cathal Mcnaughton/Reuters
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Ronan Kerr foi o último alvo a abater, mal o jovem oficial da polícia, 25 anos, se sentou ao volante do seu carro à porta de casa, em Omagh, Oeste da Irlanda do Norte. A bomba-lapa explodiu, a 2 de Abril, e matou-o. Mais um atentado imputado ao IRA verdadeiro ou IRA da continuidade, dissidentes do Exército Republicano Irlandês, já desactivado. Os separatistas continuam activos – armando-se e financiando-se pela Europa fora. No Algarve, onde lavam dinheiro na construção civil, a Judiciária prendeu anteontem três homens com dez armas destinadas à acção terrorista naquele país.

A operação-relâmpago foi lançada pela Unidade Nacional de Contra-Terrorismo da PJ, depois da investigação de um ano que partiu de informações das autoridades inglesas para o crime organizado e violento, e levou à apreensão de dez pistolas e 250 munições – na posse de um dos três homens, suspeitos de associação criminosa, branqueamento de capitais no Algarve e tráfico internacional de armamento.

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Trata-se de dois irlandeses e um português, entre os 38 e 59 anos, todos com missões bem definidas. O último dava apoio logístico no sul do nosso país, onde os grupos terroristas, tal como no sul de Espanha, se financiam na valorização de propriedades e têm vários investimentos na construção civil – e os primeiros dois, operacionais, estão ligados aos grupos radicais que lutam pela independência da Irlanda do Norte. Um andava entre países no transporte de armas; o outro é um histórico do IRA, referenciado por terrorismo.

A investigação ainda apura a origem das armas apanhadas – sendo seguro que o destino era a Irlanda do Norte. Falta descobrir em pormenor a rota do tráfico de armamento, em colaboração com polícias europeias, para o desmantelamento de células terroristas fora da Irlanda – e apurar a verdadeira dimensão do financiamento no nosso país, com apoio de elementos da comunidade irlandesa no Algarve.

Historicamente, o IRA financiava-se com contrabando de tabaco, tráfico de pólen de haxixe e armas. Em 1998, a PJ apanhou 800 mil maços de tabaco, da Turquia e da China, que iam financiar o IRA. Um dos 15 arguidos era irlandês.

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