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108 crianças foram devolvidas

Muitos não correspondem às expectativas dos candidatos a pais.
17 de Outubro de 2011 às 01:00
Menores viram processo de adopção ser interrompido
Menores viram processo de adopção ser interrompido FOTO: Getty Images

Em 2010, foram devolvidas aos centros de acolhimento do Estado 12 crianças em processo de pré-adopção. Entre 2005 e 2010, registaram-se um total de 108 devoluções, de acordo com dados do Instituto da Segurança Social (ISS). Entre as razões para a não concretização da adopção estão a falta de entendimento entre os candidatos e a não correspondência da criança às expectativas dos pais adoptivos.

"Durante o período de pré--adopção [6 meses], dois irmãos foram devolvidos" conta Carla Semedo, directora da Casa das Crianças de Tires (Cascais). A instituição acolhe crianças dos 3 aos 10 anos, algumas por indicação do ISS. Uma das justificações dadas pelo pai adoptivo para devolver uma das crianças é que "não é companheira, não correspondeu às expectativas". Os dois irmãos acabaram por regressar à Casa de Tires. O menino que não correspondia "às expectativas", tem agora 7 anos e "diz que não pode fazer asneiras porque senão não tem pai", revela Carla Semedo.

Para Luís Villas Boas, director do Refúgio Aboim Ascensão (Faro), o elevado número de crianças devolvidas pelas famílias adoptantes resulta da "má avaliação" dos candidatos. "As instituições têm de ter capacidade para preparar estas crianças para uma futura integração numa família e, para isso, é preciso ter técnicas de várias áreas. Não é isso que se passa", diz.

MENOS CRIANÇAS ACOLHIDAS

Os centros de acolhimento temporário em Portugal receberam no ano passado 9136 crianças e jovens em risco, menos 3443 do que em 2009, revela o ‘Relatório de Caracterização das Crianças e Jovens em Situação de Acolhimento em 2010’.

De acordo com o Ministério da Solidariedade e Segurança Social, a redução do número de crianças em acolhimento institucional "deve-se ao esforçode desinstitucionalização que tem vindo a ser feito nos últimos anos" e ao facto de já não serem contabilizados "os jovens que atingiram os 21 anos e ainda as crianças que estavam em acolhimento em famílias com laços de parentesco, uma vez que essa figura deixou de ser considerada como uma resposta de acolhimento institucional".

 

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