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25 mil enfermeiros a menos em Portugal

Nos cuidados de saúde primários faltam 5 mil profissionais. Os hospitais precisam de 20 mil.
20 de Abril de 2011 às 00:30
Sindicato dos enfermeiros exige a admissão de mais profissionais
Sindicato dos enfermeiros exige a admissão de mais profissionais FOTO: Nuno Jesus

Faltam cerca de 25 mil enfermeiros em Portugal: 20 mil nos hospitais e 5 mil nos cuidados de saúde primários. A denúncia parte do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses que acusa o Ministério da Saúde de diferença de tratamento entre os profissionais de saúde, referindo-se à contratação de 42 médicos colombianos para suprimir carências nos centros de saúde de Lisboa e Vale do Tejo e Algarve.

"Estes 42 médicos foram contratados para os cuidados de saúde primários, nos quais faltam cinco mil enfermeiros", afirmou Guadalupe Simões, da direcção do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, explicando que "o número aumenta para 25 mil se forem incluídos os 20 mil enfermeiros em falta nos hospitais".

Estes números são reconhecidos, garante Guadalupe Simões, pela própria Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) através da classificação dos doentes por grau de dependência. "É uma ferramenta que nos permite calcular o número de profissionais em falta em função dos doentes internados e do número de horas de cuidados que cada doente precisa em 24 horas", acrescentou.

Em causa está a decisão do Ministério da Saúde em colocar os médicos colombianos nos centros de saúde de Lisboa e Algarve. "Isto não acontece com os enfermeiros, porque o Governo diz que não pode admitir ninguém devido às restrições orçamentais. Há aqui uma situação clara de medidas diferentes para problemas iguais", acrescenta. Confrontado pelo CM, o Ministério promete responder hoje.

ESTADO PAGA 1600 EUROS POR SUBCONTRATADOS

Cada enfermeiro subcontratado, a empresas de trabalho temporário, custa aos cofres do Estado cerca de 1600 euros, dos quais 900 correspondem ao vencimento efectivo do profissional de saúde. Para Guadalupe Simões, esta situação é insustentável face à despesa que representa. "Fica muito mais caro ao erário público do que apresentar aos cerca de três mil enfermeiros de-sempregados uma solução semelhante à dos médicos colombianos agora contratados", referiu, acrescentando: "Qualquer solução que se aproxime à encontrada para os médicos é melhor do que as condições apresentadas aos enfermeiros." Os 42 médicos colombianos contratados para os centros de saúde das regiões de Lisboa e Vale do Tejo e do Algarve vêm para Portugal com contratos de três anos.

COLOMBIANOS ACOMPANHADOS

Os 29 médicos colombianos que vão trabalhar nos centros de saúde de Lisboa e Vale do Tejo estão a acompanhar as consultas de um médico da unidade, começando a exercer dentro de duas semanas, segundo a Administração Regional de Saúde. "É previsível que o período médio de adaptação dos médicos seja de duas semanas. Durante este período, encontram-se a acompanhar as consultas de um médico da unidade de saúde", disse Luís Afonso, vice-presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT). Os 29 médicos colombianos, que fazem parte de um grupo de 42, irão exercer nos centros de saúde de Algueirão/Rio de Mouro, Odivelas, Almada, Arco Ribeirinho, Seixal/Sesimbra, Setúbal/Palmela, Amadora, Sintra, Cascais, Lisboa Oriental, Queluz/Cacém, Lisboa Norte e Oeiras. Segundo Luís Afonso, "o número [de médicos] ainda não será o suficiente" para colmatar a falta de clínicos.

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