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30 mil crianças assediadas na net

Só na faixa dos 10 aos 15 anos serão trinta mil as crianças vítimas de assédio sexual pela internet – contas feitas à estimativa do responsável da investigação de crimes sexuais da Directoria do Centro da PJ, inspector-chefe Camilo Oliveira. Apesar de "a esmagadora maioria dos casos" não chegar ao conhecimento da polícia, o responsável da PJ adiantou ao CM que será cinco por cento o total de menores com acesso à net aliciados sexualmente.
4 de Março de 2009 às 02:13
A PJ de Coimbra realizou no ano passado 38 palestras junto de estudantes e educadores sobre os perigos da internet
A PJ de Coimbra realizou no ano passado 38 palestras junto de estudantes e educadores sobre os perigos da internet FOTO: Ricardo Almeida

'Mais de 90% das crianças e adolescentes entre os 10 e os 15 anos têm acesso à internet. Se 5% forem aliciadas sexualmente, isso representa um número elevado de vítimas', diz o investigador. E a percentagem poderá pecar por defeito: uma sondagem na Escócia revelou que 50% dos menores foram assediados. Em Portugal, segundo o Instituto de Estatística, há 601 894 crianças com idades entre os 10 e 15 anos com net– significando isto que 30 095 (5%) terão sido aliciadas, embora na esmagadora maioria dos casos não haja contacto real com os predadores.

Camilo de Oliveira entende que o combate passa, sobretudo, pela prevenção. E a PJ de Coimbra faz acções de esclarecimento com pais, alunos e professores desde 2007. No ano passado houve 38 palestras, a que assistiram 6272 pessoas. Uma das últimas foi dirigida aos encarregados de educação do Agrupamento de Escolas de Penacova.

'Já vivemos estas situações', conta uma mãe, lembrando que a filha marcou encontro com um desconhecido que conheceu on-line aos 14 anos. E uma professora descreveu o drama de uma aluna, ao ver a sua fotografia, nua, que enviara a um amigo, 'em todos os telemóveis dos colegas de escola'.

António Gonçalves, responsável pela investigação do crime económico da PJ de Coimbra, alerta: 'Deixem os filhos pensar que os pais não percebem nada de internet – assim não vão ter cuidados', deixando pistas sobre páginas que visitam e as conversas mantidas.

MENORES SÃO VÍTIMAS DE CHANTAGEM

Nem sempre as crianças que são aliciadas on-line se apercebem de que estão a ser abusadas, afirma Camilo Oliveira, ao exemplificar que há indivíduos que lhes pedem para se exibirem nuas perante uma webcam. Mesmo que considerem o pedido anormal por norma não contam aos pais, por temerem perder o acesso à internet.

Foi o que aconteceu a uma menina de 11 anos, em Coimbra, que se deixou seduzir por um ‘amigo’ virtual que começou a fazer chantagem, ameaçando divulgar a imagem. É também usual o envio por esses indivíduos de imagens com cenas de sexo para os telemóveis de menores. Estes casos só chegam à PJ quando são detectados pelos pais. Em Coimbra, a PJ investigou no ano passado 105 crimes de abuso sexual de menores e dependentes e 21 violações.

CRIMINALIDADE INFORMÁTICA AUMENTA

Não vale a pena tentar evitar que os menores se encontrem com pessoas que conheceram pela internet porque 'a curiosidade é muito grande', afirma António Gonçalves, considerando preferível sugerir cautelas como marcar encontros em locais públicos e sempre acompanhados.

Quanto às burlas informáticas, alertou para os perigos da divulgação de dados das contas bancárias. A criminalidade informática foi das que mais subiu em 2008, tendo entrado na PJ de Coimbra 312 processos. Em causa acesso indevido, burla informática, e nas comunicações e burla com dimensão internacional.

DETALHES

CONSELHOS

Os pais devem vigiar (os filtos não sãoseguros), ver o histórico da navegação, esclarecer dúvidas dos filhos e comunicar à polícia conteúdos suspeitos.

ON-LINE

Um estudo do INE revelou que 92,7% dos menores com idades entre os 10 e os 15 anos utilizavam a internet em 2008.

ABUSOS

O envio de imagens ou escritos pornográficos, convites indecentes e actos sexuais através de webcams são frequentes.

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