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40 milhões do BPP em paraísos fiscais

Quarenta milhões é o valor aproximado que o Banco de Portugal e a Comissão de Mercados de Valores Mobiliários (CMVM) apuraram ter saído nos últimos anos dos cofres do Banco Privado Português (BPP), fundado por João Rendeiro, com direcção a offshores. As autoridades tentam agora perceber quais os crimes que poderão estar na origem da saída do capital – para o estrangeiro ou para a Madeira – que poderão variar da fraude fiscal ao branqueamento, passando pelo crime de abuso de confiança ou mesmo burla.
29 de Janeiro de 2009 às 22:00
 O Ministério Público e a PJ fizeram buscas à sede do BPP, em Lisboa
O Ministério Público e a PJ fizeram buscas à sede do BPP, em Lisboa FOTO: João Cortesão

As buscas anteontem efectuadas pela Polícia Judiciária (PJ) e Ministério Público não estiveram assim relacionadas com a queixa dos clientes, formalizada em Dezembro passado, mas sim com um ‘dossiê’ mais vasto recolhido pela entidade que tem como função fiscalizar os bancos, ou seja, o Banco de Portugal. O CM sabe que agora será feita uma análise exaustiva para verificar a documentação apreendida. Estão em causa centenas de transacções bancárias, não estando ainda determinadas responsabilidades individuais. Apenas foi constituído anteontem um arguido, que não é um quadro do banco, mas sim alguém que aparece de forma recorrente nas mesmas transacções. Recorde-se que o BPP, que chegou a pedir um aval do Estado no valor de 750 milhões para equilibrar as contas, está a viver uma situação económica muito débil. A investigação ainda continua, podendo haver novas diligências nos próximos dias.

BUSCAS NÃO PARAM PLANO

O governador do Banco de Portugal (BdP), Vítor Constâncio, afirmou ontem que a investigação de que está a ser alvo o Banco Privado Português (BPP) não inviabiliza o plano de salvação do banco apresentado pela actual gestão. "Não tem dimensão para pôr em causa o plano de viabilização do BPP", afirmou Constâncio. O responsável pelo BdP confirmou ainda que o Banco de Portugal apresentou queixa ao Ministério Público sobre algumas operações do BPP.

Também Carlos Tavares, presidente da Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), revelou ontem à saída da comissão parlamentar que a denúncia ao Ministério Público que motivou buscas ao Banco Privado Português (BPP) resultou de suspeita de ilícitos "ainda por apurar". 

SAIBA MAIS

DEZEMBRO

As queixas por suspeitas de branqueamento foram apresentadas em Dezembro, tendo os clientes sido representados pelo advogado Luís Miguel Henrique. Esse processo está no DCIAP, liderado por Cândida de Almeida.

40 milhões é o valor estimado de transferências de capitais para offshores.

750 milhões foram pedidos pelo BPP ao Estado, como aval, para poderem fazer face às dívidas.

CONTAS CONGELADAS

Diversas contas bancárias foram congeladas quando foram tornadas públicas as primeiras suspeitas. Há clientes que ainda não conseguiram aceder às suas quantias depositadas na instituição bancária.

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