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80 milhões para a Primária

As escolas do 1.º Ciclo vão oferecer a partir de Setembro actividades de enriquecimento curricular a cerca de 420 mil alunos. O Governo estima que o investimento oscile entre 80 e 100 milhões de euros, valor que dependerá da adesão das entidades promotoras – municípios, associações de pais, escolas e instituições de solidariedade social – aos modelos de financiamento. A oferta será obrigatória, mas a frequência não.
7 de Junho de 2006 às 13:00
Professores sem turma vão dar apoio aos mais novos
Professores sem turma vão dar apoio aos mais novos FOTO: Pedro Catarino
As escolas terão de oferecer quatro actividades, duas das quais obrigatórias: apoio ao estudo e Inglês para os 3.º e 4.º anos. As actividades de apoio ao estudo não serão financiadas, pois serão os professores do agrupamento, sem turma atribuída, ou os titulares de turma a assegurar o acompanhamento dos alunos. Realização de trabalhos de casa e de consolidação de aprendizagens podem ser algumas das actividades de apoio.
Entre as opcionais, o Ministério da Educação escolheu como prioritárias a actividade física e desportiva e o ensino da música. Mas também poderão ser teatro, dança ou expressão plástica, por exemplo. Os alunos dos 1.º e 2.º anos de escolaridade poderão ter actividades de ocupação enquanto os alunos dos 3.º e 4.º anos têm Inglês. Nas restantes actividades poderá haver junção de alunos dos quatro anos na mesma turma, desde que não ultrapasse os 25.
O objectivo é que cada aluno possa ter pelo menos dez horas semanais de actividades de enriquecimento extracurricular. Os estabelecimentos de ensino terão de ficar abertos pelo menos até às 17h30 e no mínimo oito horas diárias.
Nos jardins-de-infância, os agrupamentos de escolas deverão planificar actividades de animação e apoio às famílias, tendo em conta a necessidade das famílias, e em articulação com os municípios.
O tempo de serviço dos professores contratados pelas entidades promotoras para as actividades de enriquecimento curricular e que disponham de qualificações profissionais para a docência dessa actividade valerá para efeitos de concurso.
O projecto é hoje apresentado pelo primeiro-ministro, José Sócrates, e pela ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, na Escola da Viscondessa, em Santa Cruz do Bispo (Matosinhos), um estabelecimento que já oferece várias actividades extracurriculares.
AJUSTAR CURRÍCULO E EXTRAS
O Ministério da Educação pretende que a componente curricular seja ajustável com a componente extracurricular. Ou seja, em escolas onde os alunos podem ter actividades de expressão plástica, os professores deverão não apostar tanto nesta área durante o tempo lectivo – 25 horas semanais – e mais nas componentes que não são disponibilizadas no extracurricular. Cada turma não terá mais de 25 alunos.
A actividade física e desportiva poderá juntar alunos dos quatro anos numa mesma turma: os dos 1.º e 2.º anos têm actividade física, os dos 3.º e 4.º anos actividade desportiva. Para o ensino da música, deverão ser celebrados acordos, de preferência com estabelecimentos de ensino vocacionados para a música.
O Governo vai apresentar até ao final do ano lectivo a definição dos tempos curriculares para Português, Matemática e Estudo do Meio no 1.º Ciclo.
'PAIS E PROFESSORES DE COSTAS VOLTADAS'
Elisabete Jacinto, professora do 3.º Ciclo e piloto

Correio da Manhã – Os pais devem avaliar os professores?
Elisabete Jacinto –Não há qualquer condição para os pais avaliarem professores.
– Porquê?
– Estão de costas voltadas, não há colaboração. Só podem avaliar o que o miúdo diz que o professor fez. Com esta sociedade, em que sempre que qualquer coisa corre mal se aponta o dedo aos professores, não é viável. O ensino não é matéria que se possa trabalhar de forma leviana, a partir dos gabinetes.
– Deve haver avaliação externa do trabalho dos professores?
– O nosso trabalho deve ser sempre avaliado. Nos últimos anos não fomos avaliados por ninguém, fomos abandonados, fazemos o que queremos. É preciso olhar para o ensino com olhos de ver.
'CONSIGO AVALIAR DE UMA FORMA GENÉRICA'
Francisco Ferreira, ambientalista com filhos nos 1.º e 6.º anos

Correio da Manhã – Os pais devem avaliar os professores?
Francisco Ferreira – Sim, desde que tenha um peso muito limitado na evolução. Não acredito que os professores possam vir a trabalhar em função dos pais.
– Quais os critérios que podem ser avaliados pelos pais?
– Os pais só serão capazes de identificar um ou outro ponto e só para alguns professores. A assiduidade, se manda fazer muitos trabalhos de casa, se tem um bom relacionamento com o aluno. Mas é sempre uma visão limitada.
– Sente-se com capacidade para avaliar?
– Conheço alguns professores, de outros não sei nada. Consigo avaliar de uma forma muito genérica. É difícil ter um conhecimento concreto do ponto de vista educativo.
FINACIAMENTO POR ALUNO/ANO
- Ensino do Inglês nos 3.º e 4.º anos (obrigatório): 100 euros
- Ensino da música e actividade física e desportiva: 250 euros
- Ensino da música e outra actividade de enriquecimento curricular: 180 euros
- Actividade física e desportiva e outra actividade de enriquecimento curricular: 180 euros
- Duas actividades de enriquecimento curricular que não sejam o ensino da música e a actividade física e desportiva: 160 euros
- Ensino da música: 130 euros
- Actividade física e desportiva: 130 euros
ACTIVIDADES CURRICULARES - 1º CICLO
- Actividades de apoio ao estudo (obrigatório) – mínimo de 90 minutos por semana
- Ensino do Inglês (obrigatório para os 3.º e 4.º anos) – 135 minutos por semana
- Ensino de outras línguas estrangeiras
- Actividade física e desportiva – 135 minutos por semana
- Ensino de música – 135 minutos por semana
- Outras expressões artísticas e actividades que incidam nos domínios identificados – máximo 90 minutos por semana
ALUNOS COPIAM POR SMS
Os alunos do ensino secundário não se inibem de usar as novas tecnologias para ‘esclarecer’ dúvidas que surgem nos testes. O telemóvel é o principal aliado dos ‘cábulas’. Para evitar este tipo de copianço, a China vai dificultar o acesso ao sinal das operadoras de redes móveis nas escolas nos próximos dois dias, altura em que 9,5 milhões de alunos fazem exames de entrada na universidade.
Em Portugal, os telemóveis estão expressamente proibidos, ficando à porta nos dias em que se realizam exames nacionais de acesso ao ensino superior. Apesar disso, ao longo do ano, os alunos do secundário fazem-se valer das mensagens escritas (SMS) e da câmara fotográfica para obter respostas e ajudar colegas.
“Costumo usar o telemóvel com alguma frequência”, diz sorridente Rui Pedro, 18 anos, aluno do 12.º ano. “Há sempre um exercício mais puxado que os outros, por isso costumo pedir ajuda.” Rui usa sobretudo as mensagens escritas, mas já houve casos em que saiu para telefonar a confirmar dados. Nos testes de Português ou Filosofia é complicado copiar, “mas a Matemática é fácil, basta escrever a equação na mensagem e esperar pela resposta”. “Os telemóveis estão na moda! Até tiramos fotografias aos testes para enviar aos colegas.”
O fenómeno do ‘copianço’ faz-se a dois, por isso existe quase sempre um segundo elemento à espera para responder às mensagens escritas. Muitas vezes são companheiros de outras turmas, outras são professores/explicadores pessoais que dão uma ajudinha. Quando a dificuldade aperta, Rui Pedro não hesita: “Tenho o explicador em alerta, envio--lhe uma mensagem com a equação, ele resolve e envia-me o resultado.”
“Os telemóveis estão cada vez mais pequenos”, explica o aluno, por isso torna-se muito fácil utilizar o aparelho sem ser denunciado. O esquema é simples: “Ao tirá-lo do bolso parece que estamos a usar um lenço de papel, fazemos de conta que escrevemos com uma mão e mandamos a mensagem com a outra.”
Edviges Ferreira, professora de Português há 28 anos, não admite que nenhum aluno tenha o telemóvel ligado durante os testes. “Apesar de haver indicação da proibição do uso dos telemóveis na escola, muitos professores fecham os olhos e permitem que os alunos os tenham sem som”, explica. Segundo a docente, este é o passo necessário para que “o alunos usem o telemóvel para outros fins, quer guardando cábulas, quer pedindo ajuda a colegas”. “Nunca passei por essa situação, mas conheço professores que já passaram e também já tive alunos a gabarem-se de o ter feito noutras disciplinas. Este fenómeno é uma realidade.”
UNIVERSIDADES SEM REGRAS
Se no ensino secundário existem regras para controlar o uso do telemóvel, nas universidades o bom senso dos alunos é que dita os hábitos.
Segundo Isabel Rocha, presidente da Associação de Professores de Matemática e docente universitária, “no ensino superior, as regras são definidas por cada instituição”. Por isso, apesar dos avisos e apelos à maturidade, o telemóvel em cima da mesa acaba por dar uma ajudinha para responder às questões das frequências. João Carlos, 24 anos, já deixou os bancos da faculdade há dois anos, mas recorda um episódio em que não conseguiu resistir à tentação.
Último ano, último exame de direito e a necessidade passar à cadeira. “Não estava ninguém a vigiar, liguei a dois advogados, outras pessoas ligaram a conhecidos e no final curzámos as respostas.” Ainda assim, admite: “Não era prática corrente, até porque é muito pouco prático.”
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