A primeira queda do PS

Pela primeira vez desde que ganhou as últimas legislativas, o PS caiu de forma visível nas sondagens. De acordo com uma sondagem Correio da Manhã/Aximage, se as eleições fossem hoje, os socialistas obteriam 40,4 por cento dos votos, o que significa menos 4,7 pontos percentuais face ao resultado real obtido em 20 de Fevereiro de 2004, que foi de 45,1 por cento.
08.07.05
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A primeira queda do PS
A sondagem foi realizada entre 1 a 5 do corrente mês, o que quer dizer que reflecte o descontentamento social durante todo o mês de Junho, com greves e manifestações (por exemplo dos professores, dos polícias e dos trabalhadores da Administração Pública). Digno de registo é que, apesar do aumento de impostos e do fim de algumas regalias na Função Pública (como, por exemplo, o aumento da idade de reforma), o PS só tenha caído 4,7 pontos percentuais na intenção de voto em Julho, depois de ter mantido durante três meses um valor ao nível do resultado das eleições de 20 de Fevereiro de 2004: 44,7 por cento no início de Abril, 46,1 por cento no início de Maio e 45,7 no início de Junho. Poderá isso significar que a maioria dos portugueses compreendeu os sacrifícios que foram pedidos pelo Governo.
PSD NA MESMA
Outro dado relevante ser deve extraído desta sondagem: o PSD, liderado por Marques Mendes, não consegue capitalizar com a queda de popularidade do Governo e do PS . Nesta sondagem, os sociais-democratas conseguem apenas 28,4 por cento das intenções de voto. Ou seja, ligeiramente abaixo do valor conseguido nas últimas legislativas (28,7 por cento). Contudo, verifica-se um aumento relativamente às últimas sondagens CM/Aximage: em Abril, o PSD obteve 29,3 por cento, em Maio baixou para 26,5 por cento e em Junho 26 por cento.
Mas não foi só o PSD que ganhou com a queda do PS (subiu de 26 por cento em Junho para 28,4 em Julho). A transferência de votos favoreceu todos os restantes partidos. De Junho para Julho, a CDU subiu de 5,8 para 6,5 por cento, o CDS subiu de 3,1 para 4,5 por cento, e o BE de 6,7 para 7,2.
BE EM TERCEIRO
Com excepção do BE, todos os partidos da oposição obtiveram nesta sondagem valores abaixo do resultado das últimas legislativas. Os bloquistas de Francisco Louçã conseguem mesmo a proeza de serem o terceiro maior partido nesta sondagem, passando de 6,4 por cento (valor real em Fevereiro de 2004) para 7,2 por cento. Em contrapartida, o CDS-PP, agora sob a batuta de José Ribeiro e Castro, quase desaparece, descendo de 7,3 por cento, valor obtido nas legislativas em Fevereiro, para 4,5 por cento.
AVALIAÇÃO
CHUMBO ROTUNDO
Metade do Governo tem uma avaliação negativa nesta sondagem. Campos e Cunha, ministro das Finanças, e Isabel Pires de Lima, titular da pasta da Cultura, são os únicos a registar um desempenho negativo nos últimos três meses, obtendo em Julho apenas 8,9 e 9,7 pontos no ranking da popularidade, respectivamente.
PASSAGEM À JUSTA
Dos restantes oito ministros que compõem o Executivo, apenas Freitas do Amaral, ministro dos Negócios Estrangeiros, tem um nível de popularidades superior a dez. Todos os restantes têm um desempenho situado entre os 10,5 pontos de António Costa, ministro da Administração Interna, e os 10,1 pontos de Pedro Silva Pereira, ministro da Presidência.
FREITAS É O AMIS SIMPÁTICO
Freitas do Amaral é o ministro que reúne mais simpatia entre os portugueses. Apesar de uma pequena descida em relação ao mês anterior, o ministro dos Negócios Estrangeiros manteve-se na liderança da popularidade dos membros do Governo, com uma classificação de 11,4 numa escala de zero a 20. O esforço de Freitas do Amaral na negociação das perspectivas financeiras para 2007/13 para defender Portugal terá contribuído o apreço dos portugueses. Mas foi em Junho que o ministro conseguiu a sua nota máxima, 12,3.
... E CAMPOS É O MENOS POPULAR
A subida dos impostos e o fim dos privilégios da Função Pública tornou Campos e Cunha o membro do Governo mais ‘detestado’. Numa escala de zero a vinte, o ministro das Finanças conseguiu apenas um 8,9. Os portugueses não perdoaram, assim, Campos e Cunha pelas medidas de austeridade, mostrando desta forma um ‘cartão vermelho’ à sua governação. A polémica criada em torno da acumulação do salário como ministro com a pensão do Banco de Portugal também terá contribuído para a impopularidade do ministro.
FICHA TÉCNICA
Objectivos Intenção de voto legislativo; Avaliação dos líderes partidários; Ministros
UNIVERSO Eleitores residentes em Portugal em lares com telefone fixo.
AMOSTRA Aleatória estratificada por região, sexo, idade, actividade, instrução e voto legislativo, polietápica e representativa do universo, com 550 entrevistas telefónicas (343 a mulheres)
COMPOSIÇÃO Proporcional pela variável estratificação RESPOSTAS Taxa de resposta de 77,6 por cento. Desvio padrão máximo de 0,021.
REALIZAÇÃO 01, 04 e 05 de Julho de 2005 para o Correio da Manhã pela Aximage, com a direcção técnica de Jorge Sá.

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