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Advogado da Casa Pia com filha abusada

Um dos advogados envolvidos desde o início no mediático julgamento do caso Casa Pia, há já quase cinco anos, viu agora o flagelo da pedofilia entrar-lhe pela casa adentro, apurou o CM. Defensor de um dos sete famosos arguidos no mega- processo – acusados pelos crimes de abuso sexual de várias crianças –, este jurista deparou-se com uma situação em que a vítima é a sua própria filha – atacada precisamente por um pretenso amigo, também ele jurista.
11 de Agosto de 2009 às 02:00
Advogado da Casa Pia com filha abusada
Advogado da Casa Pia com filha abusada FOTO: Simulação

O inquérito está a correr termos sob a liderança do Ministério Público, na Grande Lisboa, mas o pedófilo continua à solta até ao julgamento, adiantam ao CM fontes judiciais. O predador sexual – um jurista que alcançou notoriedade no meio através da liderança e gestão de um conhecido site na internet de informação jurídica – terá, inclusive, confessado os seus crimes, justificando-os como 'uma doença'.

Em causa estava neste caso um ataque sexual a uma menina, menor de 14 anos, que terá denunciado os abusos à família. A Polícia Judiciária de Lisboa foi logo chamada a investigar e rapidamente concluiu que a denúncia correspondia à realidade. O pedófilo era mesmo um amigo do pai da vítima (advogado no caso Casa Pia) –, como é frequente nestes casos. 'O agressor é, na maioria das vezes, alguém muito próximo, do círculo íntimo da família, com um acesso privilegiado às vítimas', recorda ao nosso jornal uma fonte judicial.

Assim que foi apanhado e confrontado com os factos, o predador sexual rapidamente os reconheceu e assumiu a culpa perante todos. Quanto à aplicação de uma medida de coacção mais leve do que a prisão preventiva até ao julgamento, deve-se também ao facto de os abusos sexuais à menor de 14 anos não terem incluído qualquer tipo de penetração – apesar de serem considerados por lei crimes graves.

Ao que o CM apurou, a menina seria deixada à guarda do pedófilo pelo próprio pai, que, na sua ignorância, confiava no amigo, também colega de profissão. Só que as intenções deste eram outras e, quando se viu sozinho com a criança, na sua casa, abusou dela de diferentes formas. Apesar de ser um homem casado, também com filhos menores, decidiu atacar sexualmente a criança. Justifica-se com impulsos que diz não conseguir controlar.

O caso caiu como uma bomba no seio das duas famílias, uma vez que o predador estava acima de qualquer suspeita: 'São crimes transversais à sociedade e, entre os mais reputados juristas, médicos, académicos ou políticos pode sempre estar um pedófilo, como, de resto, verificámos nos últimos anos.'

SENTENÇA DE JULGAMENTO SEM DATA À VISTA

O julgamento mais longo da Justiça portuguesa tem nova sessão marcada para hoje. Quase cinco anos depois, trata-se apenas de cumprir formalidades – como o julgamento não pode estar parado mais de 30 dias, juízes e advogados vão reunir-se para marcar calendário. Cumprida a fase de alegações finais, ainda não é sabido se o colectivo aceitou as alterações da acusação que o procurador do Ministério Público, João Aibéo, solicitou. Em causa está a alteração das datas em que o MP diz que houve abusos sexuais. Ainda não há data para o acórdão que decide o destino dos arguidos Carlos Cruz, Jorge Ritto, Manuel Abrantes, Carlos Silvino, Hugo Marçal, Gertrudes Nunes e Ferreira Diniz.

PJ CAÇA VIOLADOR DE CRIANÇAS E JUIZ DEIXA-O EM LIBERDADE

Violou durante quase três anos os filhos da sua então companheira, com quem vivia na Póvoa de Varzim. No ano passado, durante uma operação stop da GNR, os militares descobriram fotos dos menores nus, com 11 e 14 anos, na sua máquina fotográfica e telemóvel. A PJ foi alertada mas o homem, de 38 anos, fugiu para o Luxembrugo. No último fim-de--semana, de férias no Algarve, o violador foi detido pela PJ do Porto, que o apresentou a tribunal. Está indiciado por abuso sexual de crianças, actos sexuais com adolescentes e pornografia de menores. Apesar de já estar referenciado pela prática de crimes semelhantes, acabou por ser libertado após ser presente a tribunal. Está proibido de sair do País.

PORMENORES

DOIS IRMÃOS

No caso da Póvoa de Varzim, crianças foram abusadas de 2005 a 2008, na casa onde viviam.

GNR ALERTOU

Suspeito estava referenciado mas foi a GNR que encontrou imagens pedófilas na sua máquina fotográfica

FUGA

Antes de o caso passar para a PJ, o violador fugiu para o Luxemburgo, onde estava a trabalhar.

DE FÉRIAS

Foi no Algarve que o abusador foi detido, no passado fim-de-semana, quando estava a gozar férias.

MEDIDAS DE COACÇÃO

Tribunal proibiu-o de sair do País e contactar as vítimas. Está obrigado a apresentações na GNR.

NOTAS

COL. MILITAR: ADVOGADO ABUSOU

Um advogado de 32 anos está preso desde finais de 2008 por abuso sexual de crianças no Colégio Militar, em Lisboa, e na colónia balnear O Século, em Cascais. São-lhe imputados 26 crimes

PORTO: PEDÓFILO CONDENADO

Um advogado de 32 anos está preso desde finais de 2008 por abuso sexual de crianças no Colégio Militar, em Lisboa, e na colónia balnear O Século, em Cascais. São-lhe imputados 26 crimes

BENAVENTE: 12 ANOS DE ABUSOS

Um homem de 45 anos violou as duas filhas – hoje com 17 e 19 – durante 12 anos. Em Abril foi condenado pelo Tribunal de Benavente a 22 anos por ter violado 3600 vezes cada uma

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