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Agricultor preso por difamar

Classificou de corrupta a actuação política do presidente da Junta de Manique do Intendente
15 de Julho de 2010 às 00:30
Salazar Gomes não se conforma com a condenação do filho a três meses de prisão
Salazar Gomes não se conforma com a condenação do filho a três meses de prisão FOTO: Bruno Agostinho

Macário Gomes, agricultor de Manique do Intendente (Azambuja), cumpre três meses de cadeia no Estabelecimento Prisional das Caldas da Rainha e está obrigado a indemnizar em 1500 euros o presidente da Junta de Freguesia local, Herculano Martins (CDU), por, numa sessão da Assembleia Municipal da Azambuja, ter feito uma exposição em que classificou de corrupta a actuação de Herculano Martins. 

Os pais, Salazar Gomes (75 anos) e Suécia Gomes (74 anos), estão desorientados por o filho estar a cumprir a pena, pois não sabem como conseguir obter o dinheiro. 'Apesar do meu filho não o querer, pretendo tentar arranjar o dinheiro para o tirar da cadeia', disse o pai. A mãe acrescenta que foi apanhada de surpresa com a decisão. 'A 29 de Junho, o meu filho disse-me que fora chamado ao posto da GNR. Algumas horas depois telefonou a dizer que estava preso', explicou.

O pai não se conforma com o detenção: 'na televisão ouvimos todos os dias a chamarem nomes uns aos outros na Assembleia da República. O meu filho, que estudou só até ao 9º ano e que teceu apenas uma opinião, está preso'.

Em Fevereiro de 2007, depois de considerar o autarca corrupto pela forma como empregou uma funcionária, Macário Gomes seria chamado à Justiça por injúrias a Herculano Martins.

Foi condenado a 8 de Abril de 2008, no Tribunal do Cartaxo, a três meses de prisão, pena que seria suspensa por um ano, caso o agricultor indemnizasse o autarca no prazo de seis meses. Terminada a pena, Macário Gomes permanece obrigado a pagar a indemnização, acrescida de juros.

Os desentendimentos entre o agricultor e o presidente da Junta duram há mais de cinco anos e iniciaram-se quando o presidente decidiu vender os sinos da igreja, segundo explicou Suécia Gomes. 'Foi o meu filho e outros moradores que fizeram os sinos regressar à terra', acrescentou. Ontem o CM não conseguiu ouvir Herculano Martins sobre o cumprimento da decisão do tribunal.

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