Não faz sentido realizar exames nacionais do 9.º ano no presente ano lectivo”. A convicção é expressa pelos professores de Matemática e Português, disciplinas onde os alunos do 9.º vão ser submetidos a exame nacional pela primeira vez em Junho. O atribulado processo de colocação de professores atrasou o início das aulas e à entrada do último período lectivo, a opinião é generalizada: não há tempo para dar as matérias.
O programa da disciplina dos números e contas já é extenso por si só. Como houve escolas a abrir com um mês ou mais de atraso, tudo se complicou. “Alguns conteúdos vão ficar por leccionar, apesar de haver escolas que até têm adoptado estratégias para recuperar”, explicou ao CM Isabel Rocha, presidente da Associação de Professores de Matemática. Mas estas estratégias – substituir horas de estudo acompanhado por aulas extras é o mais recorrente – são apenas para “remediar o mal”.
“EXAMES A BRINCAR?”
O cumprimento do programa curricular vai ser difícil, pois é uma disciplina onde para além da compreensão “é necessária a maturação” dos conceitos, para a qual é necessário tempo. “Este ano nada faz sentido, não se percebe para que é que servem os exames do nono”, criticou Isabel Rocha, temendo os resultados a médio prazo para os alunos. “Para o ano os programas terão de ser definidos de acordo com os conteúdos leccionados”, explicou.
A existência de exames no 9.º também tem causado problemas em Português. “Alteraram-se as regras a meio do jogo o que tornou muito difícil cumprir com o programa”, garantiu Paulo Feitor Pinto, presidente da Associação de Professores de Português. “O exame deste ano é para ser uma experiência, é para ser a brincar?”, questiona o docente. As provas contam apenas 25 por cento da nota final na disciplina.
Em Geografia o atraso não é relevante ao nível dos conceitos, mas sim no campo das metodologias. Falta tempo para a realização de simulações, trabalhos de grupo, visionamento de vídeos, pesquisas de informação na internet e visitas de estudo. “O trabalho experimental é muito importante” na disciplina, explicou Emília Sande Lemos, presidente da Associação de Professores de Geografia, frisando que “os princípios, para serem apreendidos pelos alunos, levam certo tempo, é preciso treinar”. A solução tem sido ‘cortar’ nalgumas áreas dos programas da disciplina.
SEGUNDO ‘TERÇO’
Começou ontem o segundo ‘terço’ da apresentação de candidaturas pelos professores para o concurso de 2005/06. Os docentes cujo nome se inicie pelas letras I a M podem concorrer até 4 de Abril. Até agora o sistema informático criado pela ATX ainda não causou grandes transtornos.
APOIOS NO CENTRO
De acordo com o Sindicato dos Professores da Região Centro, foram apoiados na primeira fase de candidatura cinco mil professores e educadores nos serviços do Sindicato, que abrange seis distritos da região.
TIMOR E PALOP FORA
O sistema informático não permite ainda a candidatura à primeira prioridade para os professores que trabalham em Timor, nos PALOP e na América. Só na passada semana é que foi desbloqueado o problema similar enfrentado pelos docentes que estão na Europa.
PROVA ANULADA
Antes de sair do Governo a ex-ministra Maria do Carmo Seabra decidiu adiar a realização da prova do 9.º ano da disciplina de Tecnologias da Informação e Comunicação. A grande aposta tecnológica do anterior executivo esbarrou na falta de professores e de meios.
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