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Base da ETA activa no País há 6 anos

Organização basca entra em Portugal para preparar, planear e desenvolver ataques bombistas. Carros alugados em solo luso utilizados em atentados.
12 de Março de 2011 às 00:30
Andoni Fernández e Oier Mielgo arrendaram casa em Óbidos, onde as autoridades encontraram vários engenhos explosivos
Andoni Fernández e Oier Mielgo arrendaram casa em Óbidos, onde as autoridades encontraram vários engenhos explosivos FOTO: Carlos Barroso

Desde 2005 que a ETA tem base de apoio em Portugal para "preparar, planear e desenvolver os seus ataques bombistas em território espanhol". A informação consta na acusação do Ministério Público a Andoni Fernández e Oier Mielgo, dois membros da organização terrorista basca que tinham esconderijo em Óbidos, numa casa onde foram encontrados, em Fevereiro do ano passado, diversos explosivos.

"Com efeito, a partir daquela altura, elementos da organização terrorista ETA (...) começaram a viajar para Portugal, onde alugaram automóveis, com vista à sua posterior utilização, no transporte ora de artefactos explosivos, ora de materiais destinados à fabricação de tais artefactos", lê--se na primeira acusação a terroristas bascos no nosso país.

Mais: a investigação levada a cabo pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal dá conta de que automóveis alugados em solo luso foram já utilizados em ataques bombistas em Espanha, nos anos de 2007 e 2008. Fernández e Mielgo serão exemplo do ‘modus operandi’ dos bascos em Portugal. Além de crimes de terrorismo, estão acusados de resistência e coacção sobre funcionário, quando fugiram a uma operação da GNR, em Óbidos, a 1 de Fevereiro de 2010, quase atropelando um sargento.

Cientes de que poderiam ser descobertos, os bascos abandonaram a residência em Óbidos. Andoni, 32 anos, viria a ser apanhado, um mês depois, no aeroporto de Lisboa. Oier, 27, está a monte.

"ATENTADOS DE LARGA ESCALA"

Entraram em Portugal com documentação falsa e, apresentando-a, arrendaram casas – primeiro na Lousã, depois em Óbidos – e alugaram carros. Para o transporte de explosivos, também roubaram automóveis, sempre Citroën Berlingo, aos quais colocavam matrículas igualmente falsas.

Assim operavam Andoni Fernández e Oier Mielgo, obrigados a abandonar o esconderijo em Óbidos, onde as autoridades encontraram, segundo a acusação a que o CM teve acesso, "engenhos explosivos artesanais de grandes dimensões e prontos a serem utilizados em atentados de larga escala".

Recentemente veio a público que os explosivos de Óbidos teriam como destino um atentado contra as Torres Kio, em Madrid.

 

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