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BPN teve prejuízo de 87 milhões de euros

Caixa Geral de Depósitos já injectou 4190 milhões, mas vai afastar-se após a reprivatização.
21 de Janeiro de 2010 às 00:30
Faria de Oliveira, líder da Caixa Geral de Depósitos, diz que o banco tem interesse para quem quiser expandir a rede de agências no País
Faria de Oliveira, líder da Caixa Geral de Depósitos, diz que o banco tem interesse para quem quiser expandir a rede de agências no País FOTO: Manuel Moreira
O BPN encerrou os primeiros nove meses de 2009 com um prejuízo de 87 milhões de euros. Os capitais próprios do banco fundado por Oliveira e Costa atingiram, nessa altura, um resultado negativo de 1887 milhões.

Os números foram divulgados ontem pelo presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD) na comissão de Orçamento e Finanças, onde Faria de Oliveira foi explicar a intervenção do banco público no BPN. Assumiu ainda que a CGD já injectou no banco nacionalizado 4190 milhões de euros, um valor que é já mais do que suficiente para pagar o novo aeroporto de Lisboa (custará 3,1 mil milhões). Apesar do elevado valor dos financiamentos, e da 'remuneração marginal' que está a aplicar, o líder da CGD explicou aos deputados que a injecção de liquidez 'não tem implicações nos resultados da Caixa'. 'São financiamentos garantidos pelo Estado, sem risco'.

Faria de Oliveira descartou o interesse no BPN, garantindo: 'A CGD não conta participar no processo de privatização.' Sobre o crédito cedido, adiantou que o objectivo é 'receber no montante da venda ou assegurar formas contratualizadas' com o novo comprador.

PROCESSO PARA VENDA JÁ ESTÁ NA FASE FINAL

O presidente da CGD adiantou ontem que o processo de preparação da venda do BPN 'está na fase final'. 'Está em curso a finalização do caderno de encargos que será entregue ao Ministério das Finanças nos próximos dias', disse Faria de Oliveira.

Será o caderno de encargos a ditar os termos do concurso para a venda do BPN, mas o valor da entrega do banco a privados 'é uma decisão que compete ao accionista Estado, não à CGD'. O líder da Caixa afirmou ainda que a privatização está a ser preparada de forma a 'minimizar qualquer custo que o Estado venha a suportar com o processo'. Sem revelar interessados, Faria de Oliveira afirmou que 'o banco será interessante para instituições que queiram expandir a rede ou bancos que se queiram instalar ou reforçar em Portugal'.

ADMINISTRADOR QUESTIONADO SOBRE MUDANÇA NO NETPAY

Norberto Rosa, gestor da CGD no BPN – que ontem acompanhou Faria de Oliveira – foi confrontado pelo deputado do PCP, Honório Novo, sobre as mudanças ocorridas na rede de pagamentos multibanco Netpay. A rede passou recentemente a ser gerida pela SIBS.

'É verdade que um administrador do BPN é também administrador da empresa que agora presta serviço ao BPN e estava interessado na mudança?, perguntou Honório Novo. Assumindo-se como o gestor em causa, Norberto Rosa disse que as empresas que geriam a rede (todas da SLN) 'tinham uma situação financeira deficitária', daí terem optado pela SIBS. E que os terminais foram substituídos de forma a poderem reconhecer os novos cartões com chip.

PORMENORES

LIQUIDEZ

Os financiamentos serviram para contrariar a diminuição dos depósitos, comprar unidades de participação em fundos do grupo. A não-renovação de créditos no mercado interbancário também ditou a ajuda.

CRÉDITO A CLIENTES

O BPN tem actualmente cerca de sete mil milhões de euros de créditos a clientes.

IMPARIDADES

Faria de Oliveira garante que as imparidades farão parte do balanço no processo de venda.

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