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Burla de 1 milhão com firmas falsas

Vendiam mais barato porque não pagavam os produtos que compravam. Várias empresas enganadas num esquema que se arrastava há dois anos.
16 de Março de 2010 às 00:30
O grupo que se dedicava ao esquema fraudulento foi ouvido ontem pelo juiz Carlos Alexandre no Campus da Justiça, em Lisboa
O grupo que se dedicava ao esquema fraudulento foi ouvido ontem pelo juiz Carlos Alexandre no Campus da Justiça, em Lisboa FOTO: Vítor Mota

Dois dos seis empresários detidos anteontem pela Polícia Judiciária de Lisboa já estavam radicados em Espanha, onde pretendiam dar continuidade ao negócio das burlas. Regressaram no fim-de-semana passado à capital e foram apanhados, numa operação que levou também à detenção de outros quatro empresários. Moravam em Lisboa, Santarém e Alcobaça e estão indiciados por fraudes que já ultrapassam o milhão de euros.

O modus operandi do grupo que ontem foi ouvido pelo juiz Carlos Alexandre era simples. Há pelo menos dois anos que se dedicava a comprar empresas falidas mas com credibilidade no mercado. Usavam testas-de-ferro – habitualmente indigentes ou toxicodependentes – e adquiriam as mesmas empresas por preços irrisórios.

Depois, começavam a negociar. Compravam pequenas quantidades de mercadoria diversa que pagavam a pronto. A segunda encomenda já era a crédito, normalmente a 90 dias. Não pagavam, fechavam as empresas e depois iam revender o produto. Sempre a preços ligeiramente mais baixos, mas com lucro de 100 por cento.

PJ APREENDE ALIMENTOS CONGELADOS

O grupo adquiria os mais variados produtos consumíveis. Desde gado vivo, carnes verdes e congelados diversos que depois eram revendidos a preços mais baixos. Na operação da Polícia Judiciária de Lisboa, os investigadores encontraram toneladas de alimentos. Porque estavam bem acondicionados, designadamente em câmaras frigoríficas, foram apreendidos e manter-se-ão naquele local até que o MP decida o que lhe fazer.

Entretanto, a Polícia Judiciária alertou ontem os empresários para o aumento de situações idênticas em todo o País.

PORMENORES

Medidas de coacção

Até ao fecho desta edição desconheciam-se as medidas de coacção aplicadas por Carlos Alexandre.

Com cadastro

Os detidos, todos empresários, tinham idades entre os 35 e os 64 anos. Alguns já tinham cadastro por burlas.

Quarenta empresas

As autoridades admitem que o grupo tenha burlado pelo menos 40 empresas. O valor estimado é de um milhão de euros, mas pode ser superior.

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