Barra Cofina

Correio da Manhã

Exclusivos
8

Burlada ao telemóvel

Mulher de 49 anos foi contactada por homem que se fez passar por funcionário do tribunal e que lhe prometeu que iria receber dinheiro de um seguro de saúde. Ficou sem 1200 euros.
3 de Novembro de 2010 às 00:30
Mulher dirigiu-se ao multibanco e foi carregando nos botões que o burlão lhe indicava, ontem de manhã, em Vila Nova de Gaia
Mulher dirigiu-se ao multibanco e foi carregando nos botões que o burlão lhe indicava, ontem de manhã, em Vila Nova de Gaia FOTO: Miguel A. Lopes/Lusa

Alice Ribeiro, de 49 anos e reformada por invalidez, foi burlada por um homem que se fez passar por funcionário do tribunal e que conseguiu que fizesse uma transferência de 1200 euros, alegadamente para poder receber igual montante de um seguro de saúde. A conta para onde o dinheiro foi transferido foi fechada horas depois, e ao que tudo indica estará em nome de um toxicodependente que terá usado documentação falsa na instituição bancária.

A burla, cujos contornos estão longe de ser inéditos, deixou Alice em choque. "Fiz o que me mandou para passar o dinheiro da conta do tribunal para a minha. Como não tenho experiência com o multibanco, confiei e fui carregando nos botões que ele me indicava. Mandou-me ir ao item das transferências e clicar no ok. Foi o que fiz, pensando que assim recebia o dinheiro. Nunca pensei que fosse o meu dinheiro que saía da conta", refere ao CM a mulher, residente em Vila Nova de Gaia. "Depois, fui verificar o meu saldo e o dinheiro não estava lá. Fui burlada por burrice", lamenta.

Assim que se apercebeu do golpe de que fora vítima, a mulher foi de imediato apresentar queixa ao posto da GNR e voltou a ligar para o número que o homem lhe tinha fornecido. "Ele atendeu e disse-me para não me preocupar pois o dinheiro tinha sido apenas bloqueado e hoje [ontem], ao final da tarde, iria estar novamente disponível", explica Alice. A mulher já tentou ligar para o mesmo número de telemóvel, mas está desligado.

"SABIA O MEU NOME, ONDE MORAVA, TUDO"

Alice Ribeiro ainda estava a dormir quando foi contactada pelo burlão, pouco depois das 09h00. "Ao início estranhei, pois não me lembrava de ter feito nenhum seguro de saúde quando me reformei, mas como agora há tantas alterações no Governo, pensei que poderia ser verdade", explicou a vítima. "Ele sabia tudo sobre a minha vida: sabia em que rua vivia, o meu nome completo, o meu número de telemóvel e o andar do meu prédio.

Foi muito estranho, mas foi o que deu mais credibilidade à situação. Acredito que seja alguém que viva aqui perto", acrescentou a mulher, ainda revoltada com o facto de ter sido burlada.

Agora, Alice só pensa em reaver o dinheiro e deseja que o burlão seja apanhado pela GNR. "Tenho vergonha e nem consigo contar isto às pessoas."

USOU PEDITÓRIO PARA BURLAR

Ana Terceiro, mãe do Dinis, criança de 19 meses que nasceu com uma doença neurológica rara, descobriu em Outubro de 2009 que havia um burlão a angariar dinheiro através de um NIB divulgado na internet em nome do seu filho.

Ana Terceiro disse ao CM que "lamentava" o desfecho do caso, pois teria preferido confrontar o burlão em tribunal para pagar a quem enganou. Assim não aconteceu porque Joaquim Mendes, de 32 anos, enforcou-se cinco dias depois de ter sido detido pela Judiciária. O homem não terá aguentado a condenação pública na sua terra natal, Montemor-o-Novo.

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)