Carlos Mota, de 72 anos, o ex-secretário de Carlos Cruz, tem um processo pendente por lenocínio (auxílio à prostituição) e está em parte incerta há seis anos, mas as autoridades já não estão à sua procura. Segundo fonte da Procuradoria-Geral da República (PGR) já “não existe qualquer mandado de detenção pendente”.
Mota foi referenciado por dois ex-alunos da Casa Pia no processo de pedofilia, mas nunca foi ouvido no caso. Logo após a prisão de Carlos Cruz, Mota deixou de ser visto, mas continuou a ser referido em julgamento, altura em que o Ministério Público revelou que emitira já um mandado de captura. Esse mandado, porém, segundo informação da PGR, já não existe, embora permaneça pendente um inquérito no DIAP de Lisboa. A Defesa de Carlos Cruz também desencadeou diligências para o encontrar e chegou à conclusão, através das antenas do seu telemóvel, de que Mota permaneceu em Lisboa, pelo menos, até Outubro de 2003. No entanto, nunca foi capturado. Ao longo destes seis anos, várias informações apontavam o Brasil como destino de Carlos Mota.
Certo é que o mandado de captura emitido já não existe, enquanto Carlos Mota, constituído arguido por lenocínio, continua desaparecido. Sobre o inquérito, a PGR apenas diz que está 'pendente da continuação de diligências de investigação criminal e encontra-se sujeito ao segredo de Justiça'.
Mota foi visto pela última vez pouco tempo depois de Carlos Cruz ter sido preso, em Fevereiro de 2003, quando disse que, se o apresentador era pedófilo, também ele o era. Entretanto, é noticiado o seu envolvimento num caso de abuso de crianças (ver caixa) e Mota desaparece.
Em julgamento, o ex-motorista da Casa Pia, Carlos Silvino, revelou que Mota ia buscar miúdos à Casa Pia. Já Carlos Cruz garantiu que despediu o secretário após a divulgação das suspeitas.
CASO DE VIOLAÇÃO PARADO 13 ANOS ACABA ARQUIVADO
O processo contra Carlos Mota por alegado atentado ao pudor e tentativa de violação de duas meninas, em Odemira, em 1974, esteve parado durante 13 anos, e acabou por ser arquivado pelo Tribunal de Portimão em 1990. A última diligência refere-se a uma tentativa de notificação, em 1977, mas o Tribunal de Odemira assume a impossibilidade de a levar a efeito, devido ao facto de o arguido 'não residir na morada indicada' (no Cacém). Três tribunais (Beja, Odemira e Sintra) e GNR e PSP nunca conseguiram localizar Carlos Mota.
APONTAMENTOS
DENUNCIADO EM CARTA
Numa carta enviada ao juiz Rui Teixeira, em Fevereiro de 2004, Carlos Silvino denuncia pela primeira vez Carlos Mota e afirma ter conhecido Carlos Cruz por seu intermédio nos pastéis de Belém.
‘PERITO’ EM DESAPARECER
Durante 13 anos, período em que trabalhava com Carlos Cruz, a Justiça não conseguiu encontrar Mota. Agora está a monte há seis anos e já terá sido visto no Brasil, na Escócia e na Bélgica.
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