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Correio da Manhã

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Castigo de 368 milhões

Instabilidade causada por desacordo entre Governo e PSD faz disparar taxa de juro da dívida pública.
3 de Novembro de 2010 às 00:30
José Sócrates culpa “movimentos especulativos” pela subida para 6,3 por cento dos juros da dívida
José Sócrates culpa “movimentos especulativos” pela subida para 6,3 por cento dos juros da dívida FOTO: Vasco Neves

A desconfiança em relação à execução do Orçamento do Estado para 2011 e à solidez política para manter a estabilidade do País está a sair cara aos portugueses: entre 15 de Outubro e ontem, a taxa da dívida pública portuguesa, apesar do acordo assinado no sábado passado, já subiu 0,08 pontos percentuais, ao atingir os 6,3 por cento. Com esta tendência altista das taxas de juro, se Portugal emitisse agora a dívida pública prevista para 2011, no valor de 46 mil milhões de euros, iria pagar em juros mais 368 milhões de euros.

No dia do debate sobre o Orçamento do Estado para 2011, a taxa de juro das obrigações do tesouro a dez anos não só foi a mais alta desde a apresentação da proposta do Orçamento como se aproximou perigosamente do máximo histórico de 28 de Setembro, quando atingiu os 6,512 por cento.

No Parlamento, no final do debate, José Sócrates justificou esta subida dos juros com "movimentos especulativos" relacionados com a dívida pública da Irlanda, que ontem atingiu 7,25 por cento. Com este aumento da taxa de juro, ocorrido após a assinatura do acordo de sábado, os mercados financeiros revelam desconfiança sobre o combate ao défice orçamental.

Apesar de haver um acordo escrito e até troca de e-mails para assegurar o entendimento, o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, avisou ontem o PSD de que não se pode "brincar" com a situação e que o acordo "tem de ser levado até ao fim, a bem do País". Em relação a outro dos pontos do acordo, a suspensão das parcerias público-privadas, em que se destaca o TGV, o primeiro--ministro mostrou-se confiante de que vai conseguir provar que a obra é importante para o crescimento da economia. O acordo prevê a reavaliação de todos os projectos.

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