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Cônsul suspenso por desviar milhão

Adelino Vera-Cruz Pinto temuma parte do ordenado penhorada desde 2008 mas o Ministério não retinha o valor certo e acabou multado.
9 de Abril de 2011 às 00:30
António Braga garante que se houver ilícito criminal o caso passa para o Ministério Público
António Braga garante que se houver ilícito criminal o caso passa para o Ministério Público FOTO: Manuel Almeida/Lusa

O vice-cônsul de Portugal em Porto Alegre, Adelino Vera-Cruz Pinto, suspeito do desvio de mais de um milhão de euros da arquidiocese local, foi suspenso preventivamente, disse ontem o secretário de Estado das Comunidades, António Braga, adiantando que o inquérito continua.

Ao que o CM apurou, esta não é a primeira vez que o Ministério dos Negócios Estrangeiros, liderado por Luís Amado, tem problemas com o diplomata. Já em 2008, Adelino Vera-Cruz Pinto foi condenado pelo Tribunal de Almada a devolver cerca de 80 mil euros a uma mulher com quem manteve uma relação e esteve para casar. Em Junho de 2010, o Ministério dos Negócios Estrangeiros foi condenado pelo mesmo tribunal a pagar uma multa por não enviar os recibos de vencimento do vice-cônsul e por não penhorar o valor determinado judicialmente. Adelino Pinto devia pagar por mês à mulher 752 euros e o ministério apenas retinha 465 euros.

Da dívida inicial, o diplomata ainda deve à mulher que o accionou em tribunal cerca de 50 mil euros.

Quanto ao processo do Brasil, o secretário de Estado das Comunidades garantiu que, se durante a investigação que o próprio Ministério dos Negócios Estrangeiros está a efectuar houver provas de "ilícito criminal, isso será, naturalmente, comunicado ao Ministério Público".

A investigação do Ministério dos Negócios Estrangeiros deverá estender-se à Bélgica. Em causa está a necessidade de averiguar a existência efectiva da organização não-governamental (ONG) que, alegadamente, pediu os 2,5 milhões de reais como garantia para ajudar no restauro de duas igrejas de origem portuguesa.

Outro facto a averiguar também é a veracidade da identidade da mulher, Teresa Falcão Cunha, que se apresentou como directora da ONG e recebeu pessoalmente o dinheiro da Igreja, em Lisboa.

Inicialmente, o dinheiro foi depositado numa conta de Adelino, que alega ter entregue o valor a Teresa Cunha para agilizar o processo da ajuda da ONG à Igreja.

PROMETEU DEVOLVER DINHEIRO ATÉ SEGUNDA-FEIRA

O vice-cônsul de Portugal em Porto Alegre está em Lisboa, onde chegou na passada quinta-feira, sabe o CM. Ontem já terá prestado declarações no Ministério dos Negócios Estrangeiros. Recorde-se que no início desta semana, quando o caso se tornou público, Adelino Vera-Cruz Pinto ligou para a Cúria, segundo contou um dos párocos, e prometeu devolver os 2,5 milhões de reais até ao dia 11 de Abril, segunda-feira. O diplomata era amigo do padre Luís Inácio Ledur, administrador da Arquidiocese de Porto Alegre.

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