O Ministério da Segurança Social recusa revelar a verba que tem depositada na conta aberta no BPN, o banco que o Governo decidiu nacionalizar para impedir a sua falência. Para já, fonte do ministério de Vieira da Silva confirma que o Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social (IGFSS) tem uma conta-corrente no BPN, mas garante: "Não temos 500 milhões de euros no BPN, nem há um tostão do FEF [Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social, responsável pela gestão das pensões] no BPN."
A recusa do ministério de Vieira da Silva em revelar o dinheiro depositado na conta no BPN tem uma justificação simples: "Não queremos abrir um precedente para um banco, senão tínhamos de dizer os valores que estão nos outros bancos", explica a mesma fonte. No essencial, a conta no BPN destina-se a pagar as pensões e a acolher o pagamento das prestações sociais das empresas. Por isso, segundo o Ministério da Segurança Social, o IGFSS tem contas abertas em oito bancos, um dos quais é o BPN. E garante que, "dos oito bancos, o BPN é o sexto com menos valores da Segurança Social". Por isso, deduz-se que o IGFSS terá contas correntes nos cinco maiores bancos nacionais: CGD, Millennium BCP, BES, Santander Totta, BPI.
A 21 de Outubro, o ‘Público’ publicou que a Segurança Social tinha 500 milhões de euros depositados no BPN. Ontem, o líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, desafiou o Governo a explicar "o que aconteceu aos 500 milhões de euros que a Segurança Social depositou em Agosto neste banco [BPN]". Sobre este assunto, o ministério de Vieira da Silva é categórico: "Não temos 500 milhões de euros no BPN."
CADILHE GARANTE QUE NÃO PERDE PENSÃO
Miguel Cadilhe, presidente do BPN, garantiu ontem que não irá perder a pensão a que tem direito, caso abandone o banco na sequência da nacionalização decidida pelo Governo. E pela primeira vez criticou Vítor Constâncio por falta de supervisão do Banco de Portugal.
"Não ia sair do BCP para perder a pensão", afirmou Cadilhe, numa alusão ao compromisso do BPN de assumir a responsabilidade com a pensão até então paga pelo BCP.
Certo é que a proposta de lei ontem apresentada pelo Governo na Assembleia da República refere que a administração do BPN não terá direito a indemnização caso abandone a gestão do BPN em resultado da nacionalização. Cadilhe criticou a decisão do Governo de nacionalizar o banco e recusou continuar à frente da instituição após a passagem do controlo para o Estado.
DO FISCO PARA A BANCA
O ex-presidente do Banco Português de Negócios (BPN) tem uma larga experiência no sector bancário. Quer do lado da banca comercial, quer do lado da regulação. Após a licenciatura em Economia pela Faculdade do Porto, o Banco de Portugal abre-lhe as portas como técnico superior. É aí que conhece Cavaco Silva, de quem fica amigo. Em 1980, Cavaco assume a pasta das Finanças no Governo de Sá Carneiro e convida Oliveira e Costa para a vice-presidência do Banco Nacional Ultramarino (BNU). Daqui transita para o Banco Pinto & Sottomayor.
A ligação entre os dois homens continua. Quando Cavaco Silva consegue a primeira maioria absoluta, convida Oliveira e Costa para secretário de Estado dos Assuntos Fiscais. Fica no Governo durante seis anos, no qual chega a partilhar o ministério com Manuela Ferreira Leite e Carlos Tavares (de 1987 a 1991). É convidado para representar Portugal no Banco Europeu de Investimento (BEI). Regressa a Portugal em 1994 e ocupa, pela primeira vez, a presidência de um banco (o Finibanco) por convite do seu maior accionista, Álvaro Costa Leite. Durante três anos, lidera o processo de expansão da instituição de onde sai para liderar os destinos do BPN em 1998.
PERFIL
José Oliveira e Costa nasceu em 1935 em Esgueira, Aveiro. Começou a trabalhar com 15 anos como empregado de escritório. Frequenta a Faculdade de Economia do Porto e depois de licenciado entra para o Banco de Portugal.
UM BANCO PARA TODA A FAMÍLIA
A influência de Oliveira e Costa no BPN (onde detém pouco mais de três por cento do capital) era enorme. Para além de ter a solidariedade e um ascendente sobre a maioria dos accionistas da SNL-Valores (que confiavam plenamente na sua gestão), tinha a trabalhar consigo na instituição os dois filhos. José Augusto Oliveira e Costa realizou diversas transacções com o Banco Insular de Cabo Verde, entidade que está na base da nacionalização do BPN.
A filha, Iolanda Maria Rodrigues Oliveira e Costa, é uma das responsáveis pela informática do BPN. Também trabalhava no banco o genro do próprio Oliveira e Costa, João José Costa Abrantes.
FRASES
- "A nosso ver o Governo quis, preferiu, optou, não foi obrigado a nacionalizar. Na verdade, não vislumbramos as reais motivações de uma tal opção do Governo"
- "Houve falha grave e demorada de supervisão. Falha de Estado"
- "Esta nacionalização vai exigir muito mais capitais públicos do que exigiria a nossa proposta. É uma solução desproporcionada."
- "Com a nacionalização do BPN, não sei se o Governo a ponderou devidamente, porque o grupo SLN emprega 6500 pessoas"
- "Continuar à frente do BPN nacionalizado? Nunca"
(Miguel Cadilhe, Presidente do BPN)
NOTAS
MANCHETE: SITUAÇÃO EVITÁVEL
Rui Machete, presidente do Conselho Superior da Sociedade Lusa de Negócios, que detém o BPN, considera que a nacionalização do BPN poderia ter sido evitada
PROPOSTA DE LEI: 60 DIAS
A Caixa Geral de Depósitos terá um prazo de 60 dias para definir um plano de gestão para o BPN, de acordo com a proposta de lei que nacionaliza aquele banco
BANCO INSULAR: ILEGALIDADE
O Banco Insular, de Cabo Verde, recebia "parte dos activos na ilegalidade, a parte clandestina" que era registada nas contas do BPN, disse o responsável pela supervisão bancária, João Fidalgo
UNIVERSO DO GRUPO (SLN, SGPS, S.A.)
BPN (Seguros)
- Real Seguros
- Nossa
- Real Vida Seguros
- AVs-Corretores
- AVS-Consultadoria
- Solução-Corretores
SLN NT (Tecnologias)
- Datacomp
- Seac BAnche
SLN MULTIAUTO (Retalho Autom.)
- Coimbracar
- Garagem Lopes
- Motorgest
- Multiauto
- Sorel
- Animacorpus
- Turiscaramulo
- St.ª Maria Park Hotel
- World Rest
- Listardem
GPSAÚDE
- Clínica Lotus
- Clínica de Braga
- Clínica do Porto
- Hospital Britânico
- British Hospital XXI
- Microcular
- Cedima
- IMI – Imag. Médicas
- SMN
- SGCMFRSUL
- 4M-Soc. Médica
PLEIADE (Indústria e Transp.)
- Inapal
- CNE
- Geslusa
- Pet Gest
- VSegur
- Complementus
- Serviplex
- Vantec
- Limpeque
PARTINVEST (Agro-alimentar)
- SACV-Murganheira
- Tapada do Chaves
- Raposeira
- Castânia
- Geosil
- Sortegel
- Vinalda
PARTINVEST IMOB. (Imobiliária)
- Foz Garden
- Partenon
- Planmedicação
- Socente
- Turifenus
ESTADO
- BPN
- BPN Crédito, IFIC
- BPN Crédito Brasil
- BPN Gest. Activos
- BPN Imofundos
- Banco Efisa
- Fincor
INTERNACIONAL
- BPN Cayman
- BPN IFI
- BPN Partic. Brasil
- BPN Brasil
- Portucale Corr. Seg.
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