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CSI caça polícia por homicídio

Recolha de sangue com ADN da vítima, em ferramenta do agente da PSP, permitiu à Secção de Homicídios da Judiciária resolver caso em seis meses.
7 de Janeiro de 2010 às 00:30
Mário Ferreira é acusado de ter incendiado o carro com o cadáver no interior, atirando-o para uma ravina com a ajuda da irmã
Mário Ferreira é acusado de ter incendiado o carro com o cadáver no interior, atirando-o para uma ravina com a ajuda da irmã FOTO: Carlos Barroso

A experiência de Mário Ferreira como agente da PSP não foi suficiente para enganar a Judiciária. Acabou preso seis meses depois de assassinar o cunhado à pancada com uma chave de mudar pneus, atirando depois o cadáver num carro a arder por uma ravina na serra de Montejunto, para simular acidente.

Os investigadores da Secção de Homicídios da PJ de Lisboa encontraram sangue com ADN da vítima na ferramenta, através de exames laboratoriais – além de que apanharam o homicida em conversas ao telefone e na internet.

O agente da PSP da Brandoa, na Amadora, 28 anos, que para esconder o corpo terá contado com a ajuda da irmã, ex-mulher da vítima, começa hoje a ser julgado, no Cartaxo, acusado de homicídio simples e profanação de cadáver. Célia Ferreira, 35 anos, responde pela profanação do cadáver.

Luís Fernandes, 36 anos, carpinteiro de Casal da Bica, Alcobaça, foi morto dentro de casa, em Vale Ceisseiro, Azambuja, onde vivia após a separação. A ex-mulher residia com a mãe, a 30 metros, na mesma rua. As relações entre ambos eram más e um dos pontos da discórdia eram os encontros com a filha do casal, de apenas dez anos.

Na noite de 17 de Novembro de 2008, a vítima foi a casa da ex-sogra e falou com Célia à porta, após o que se deslocaram até à moradia onde ambos tinham vivido. Incomodado com a demora, o suspeito de homicídio foi ter com a irmã e mandou-a embora. Seguiu-se o confronto físico com o ex-cunhado, no hall da casa – e, segundo a Acusação, Mário Ferreira pegou numa chave de mudar pneus e desferiu várias pancadas na cabeça de Luís Fernandes, mesmo com este já estendido no chão, matando-o.

O polícia foi ter com a irmã e ambos puseram o corpo num BMW de um familiar da vítima. Levaram o carro para a serra de Montejunto e Mário ateou-lhe fogo, empurrando-o por uma ravina com 70 metros, com a ajuda de Célia, com o cadáver no lugar do condutor. 

METEU NO LIXO ROUPA QUE USOU DURANTE O CRIME

Após o crime, o agente da PSP da Brandoa regressou à casa da mãe, onde deixou a irmã. Tomou banho e mudou de roupa, guardando a que usara até então num saco, que abandonou mais tarde, num caixote do lixo em Alfornelos, Amadora, sua área de residência. Os exames laboratoriais permitiram à PJ chegar até ele, detendo-o a 7 de Abril do ano passado. Recolhas de ADN, impressões digitais, escutas telefónicas e até endereços de correio do hotmail na internet ajudaram à detenção. Quando os bombeiros do Cadaval chegaram, o corpo estava carbonizado. Facturas encontradas na berma da estrada ajudaram a identificar a vítima. No piso não havia rasto de travagem ou derrapagem e foram detectados pingos de sangue. Também no hall da casa de Luís Fernandes havia muito sangue espalhado.

EX-MULHER MOSTROU-SE CHOCADA

Na altura, a arguida mostrou-se surpreendida . 'Fiquei em estado de choque. Estou apática', afirmou Célia Ferreira ao CM, adiantando: 'A GNR de Aveiras de Cima ligou-me a dizer que tinha havido um acidente e que era preciso ir ver o carro. Não sei se o corpo é do Luís e estou no completo desconhecimento do que se terá passado', referiu, adiantando que a PJ 'andou a ver o chão todo à volta da casa [onde ambos moraram]. Não entraram porque eu não tenho a chave'. Perante o desenvolvimento das investigações, incluindo a análise ao seu carro, disse: 'Acho estranho e não sei o que estão a insinuar'.

PORMENORES

AMEAÇAS

Luís e Célia estiveram casados durante onze anos. Desde a separação que a mãe dos arguidos se queixava que os filhos recebiam ameaças de morte.

COMBINARAM

A Acusação afirma que os arguidos agiram de forma consciente, dando seguimento a um plano combinado entre ambos.

PRISÃO PREVENTIVA

O agente da PSP está em prisão preventiva em Évora. A irmã está sujeita a termo de identidade e residência.

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