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Correio da Manhã

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Cunha a Rangel para indemnização no Sporting

Pedro Sousa, comentador da TVI, queria ajuda do juiz em litígio que tinha com os leões.
Tânia Laranjo e Henrique Machado 9 de Maio de 2018 às 01:30
Rui Rangel
José Veiga ajudava Pedro Sousa em troca de favores
Juiz Rui Rangel
Juiz Rui Rangel
Rui Rangel
José Veiga ajudava Pedro Sousa em troca de favores
Juiz Rui Rangel
Juiz Rui Rangel
Rui Rangel
José Veiga ajudava Pedro Sousa em troca de favores
Juiz Rui Rangel
Juiz Rui Rangel
Pedro Sousa, comentador da TVI ligado ao Sporting, queria em 2015 que o juiz Rui Rangel intercedesse a seu favor junto do colega titular de um processo litigioso que opunha o primeiro ao clube de Alvalade. Estava em causa uma ação laboral – Sousa foi diretor de Comunicação do Sporting - e o intermediário da cunha ao desembargador foi José Veiga.

Em troca Pedro Sousa, que conhece Veiga desde os tempos em que este era empresário de futebol, também prometeu ajudá-lo num negócio importante. E ganhavam todos, segundo o Ministério Público, que sustenta os indícios do processo Lex. Ganhava Pedro Sousa a ação que tinha contra o clube, com a ajuda de Rangel; ganhava Veiga porque Sousa dizia conseguir chegar a Sérgio Monteiro, ex-secretário de Estado do Governo PSD/CDS e atual assessor do Fundo de Resolução do BES, que poderia ajudar Veiga na compra do Banco Internacional de Cabo Verde; e ganhava Rangel, que depois, sempre através do advogado Santos Martins, era subornado por José Veiga.

A mais-valia de Pedro Sousa para ajudar Veiga era a mulher, a ex-jornalista da RTP Patrícia Galo, que era assessora de Carlos Moedas no Governo e conheceria Sérgio Monteiro – sendo que podia influenciá-lo para que o banco fosse vendido a Veiga, que era alvo de objeções do Banco de Portugal.

O Ministério Público deu conta aos arguidos das escutas telefónicas que sustentam os indícios de tráfico de influências: foi escutada uma conversa a 19 de outubro de 2015, em que Pedro Sousa deu conta a Veiga do seu processo e este respondeu que ia tratar com o ‘amigo’ (Rangel). Depois disso, tudo passa por Octávio Correia, o funcionário judicial que trabalhava com Rangel.

No dia seguinte diz a Veiga que o ‘amigo’ já está a tratar do assunto. A 30 do mesmo mês, Octávio e Veiga encontram-se num hotel no Estoril e Veiga telefona a Pedro Sousa para transmitir pormenores do seu processo. Encontram-se depois no escritório de Veiga e a PJ apanha ainda Octávio a entregar um envelope a Veiga.

Escutas levaram a suspeitas da PJ     
As escutas da operação Rota do Atlântico, que apanharam referências a Sérgio Monteiro, deixaram o ex-secretário de Estado sob investigação por alegado favorecimento a Veiga na compra do BES Cabo Verde, que depois acabou por não se consumar.

Cadastro limpo para poder comprar banco  
José Veiga é considerado no processo da operação Lex como o principal corruptor do juiz Rui Rangel – tendo transferido centenas de milhares de euros para a esfera do magistrado através das contas de dois testas de ferro – o advogado Santos Martins e o filho deste, Bernardo. Em troca, Veiga queria que Rangel o ajudasse na Justiça, nomeadamente num processo que, em 2015, corria contra o empresário no Tribunal Administrativo Fiscal de Sintra.

Em causa estavam as dívidas fiscais de Veiga, que o atrapalhavam na tentativa de compra do BES de Cabo Verde – cujo objetivo a PJ acredita que fosse branquear milhões de euros e de dólares com proveniência em esquemas de corrupção na República do Congo. Para poder comprar o banco, José Veiga precisava de uma declaração de idoneidade do Banco de Portugal, que só seria emitida caso tivesse o cadastro fiscal limpo. 

PORMENORES 
Marcar café
A 13 e a 14 de outubro, Octávio Correia conversa com Rui Rangel e informa-o de que se vai encontrar com Veiga. Pergunta se lhe quer dar algum recado e Rangel responde para marcar um café com o empresário.

Processo Marquês
Na mesma altura, em 2015, Octávio Correia garantiu a Veiga que Rui Rangel andava atarefado. Estava a decidir processos mediáticos: um deles era o caso Marquês, em que foi o único juiz que deu razão a José Sócrates.
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