Barra Cofina

Correio da Manhã

Exclusivos
7

D. José renuncia daqui a um ano

Como mandam as normas canónicas, em Fevereiro de 2011, aos 75 anos, escreverá ao Papa a pedir para deixar o cargo de patriarca de Lisboa.
27 de Fevereiro de 2010 às 00:30
D. José renuncia daqui a um ano
D. José renuncia daqui a um ano FOTO: Bruno Colaço

É naturalmente a mais aguardada das sucessões dos últimos anos na hierarquia da Igreja Católica em Portugal. Dentro de um ano, e ao abrigo das normas canónicas, D. José Policarpo escreverá ao Papa a solicitar a dispensa do cargo de patriarca de Lisboa, abrindo caminho à nomeação de um novo bispo diocesano.

Ontem, D. José completou 74 anos (no mesmo dia em que D. Januário Torgal Ferreira, bispo das Forças Armadas, completou 72), celebrando dentro de um mês 12 anos como bispo titular de Lisboa.

O mais certo é que o Papa não aceite de imediato o pedido de renúncia e lhe proponha a continuação no cargo por mais dois ou três anos. No entanto, fica aberto o caminho da sucessão.

Apesar de, na Igreja Católica, a tradição não ser lei, tem um peso significativo nas decisões importantes, daí que se dê como muito provável a subida do agora bispo auxiliar, D. Carlos Azevedo. Sublinhe-se que foi isso que aconteceu nos casos de D. António Ribeiro, que era auxiliar de D. Manuel Cerejeira, e de D. José Policarpo, que foi auxiliar de D. António Ribeiro.

No entanto, já aconteceu serem nomeados patriarcas (sucede desde 1716, e D. José é o 16º) bispos de outras dioceses, como Algarve, Évora, Coimbra ou Leiria. Nesta altura, no seio da Igreja, além de D. Carlos Azevedo, os nomes apontados como sendo os que têm mais possibilidades de suceder a D. Policarpo são o bispo do Porto, D. Manuel Clemente, o arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, e o bispo de Leiria--Fátima, D. António Marto.

PERFIL

D. José da Cruz Policarpo nasceu em Caldas da Rainha a 26 de Fevereiro de 1936. Foi ordenado padre em 1961 e bispo em 1978. Tornou-se patriarca de Lisboa em 1998 e cardeal em 2001. 

ABORTO NA AGENDA DO PAPA

'O Papa pode fazer referências a assuntos que são perturbadores da família', afirmou ontem D. Carlos Azevedo, coordenador nacional da visita de Bento XVI a Portugal – 11 a 14 de Maio –, referindo-se à legalização do aborto e aos casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Durante a apresentação da imagem oficial da deslocação do Papa a Portugal, D. Carlos explicou que não existirá um encontro com os jovens por opção. 'É para não sobrecarregar a agenda do Papa, que já tem 83 anos', justificou, acrescentando: 'Os jovens querem estar com o Papa. Em Lisboa vão estar na rua a cantar enquanto o Papa jantar.'

Quanto a custos, D. Carlos garantiu ainda não ter valores mas promete que 'serão o menos possíveis, face à situação do País'. A Câmara de Lisboa não suportará qualquer despesa com o altar junto ao Terreiro do Paço, ao contrário da autarquia do Porto. n A.P.

OS MAIS FALADOS

D. CARLOS AZEVEDO, BISPO AUXILIAR DE LISBOA

Se a tradição mandar, será o sucessor de D. Policarpo. Apesar de bispo auxiliar, é um dos nomes mais relevantes da Igreja portuguesa.

D. MANUEL CLEMENTE, BISPO DO PORTO

Considerado um intelectual de grande craveira e possuidor de notáveis princípios humanistas, será sempre um nome a ter em conta para todos os grandes desafios da Igreja.

D. JORGE ORTIGA, ARCEBISPO DE BRAGA

Leva 10 anos de arcebispo e está a seis dias de completar 66 de idade. Preside à Conferência Episcopal e é um nome a ter em conta.

 

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)