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Despiste mata avó, mãe e neto

Paula Coelho, 37 anos, seguia ao volante com a mãe, Luísa, 63, ao lado, e o filho Bruno, 13, atrás. Carro saiu da estrada em recta e embateu numa árvore.
6 de Junho de 2010 às 00:30
A violência do embate contra um plátano, imediatamente antes de começarem os railes de protecção na EN2, fez o pequeno Renault Clio, onde seguia a família, ficar completamente destruído
A violência do embate contra um plátano, imediatamente antes de começarem os railes de protecção na EN2, fez o pequeno Renault Clio, onde seguia a família, ficar completamente destruído FOTO: Manuel Isaac

No pequeno Renault Clio seguiam avó, filha e neto. Poucos minutos após saírem de casa encontraram a morte num violento despiste na EN2, junto a Ponte de Sor, ao início da tarde de ontem. Ao volante do ligeiro de passageiros seguia Paula Cristina Coelho, de 37 anos; ao seu lado ia a mãe, Luísa Aparício, 63, e no banco de trás o pequeno Bruno Coelho, de 13. Todos os ocupantes tiveram morte imediata. No local, e perante um cenário trágico, os familiares, parcos em palavras, só encontravam um adjectivo para o que os seus olhos viam: 'É inexplicável. Uma família desfeita'.

As explicações para o sucedido ainda não são conhecidas, mas certo é que o veículo saiu da estrada e embateu lateralmente, com 'extrema violência', contra um plátano junto à Herdade da Água Branca, numa recta de óptima visibilidade, ironicamente, mesmo antes de começarem os railes de protecção daquela via. As vítimas residiam nos arredores de Ponte de Sor, na zona conhecida como Vale da Bica. O pequeno estudava, enquanto mãe e a avó se dedicavam a cuidar do pequeno monte onde habitavam, agora a três, desde a hospitalização do patriarca da família. Viram as suas vidas ceifadas quando se deslocavam-se ao Hospital de Abrantes, onde iriam visitar o marido, pai e avô, para quem agora se viram todas as atenções dos familiares (ver peça secundária).

As equipas de socorro depararam-se então com um cenário dantesco. Ao CM, o comandante dos Bombeiros Voluntários de Ponte de Sor, Joaquim São Facundo, disse que a 'operação foi especialmente difícil', dado o embate ter sido muito violento, daí que o desencarceramento das três vítimas mortais tenha demorado mais de uma hora. Foram mobilizadas de imediato três ambulâncias, uma viatura de desencarceramento e 14 elementos para o local do acidente, mas nada havia a fazer pelos três familiares.

No local esteve também a VMER do Médio Tejo, chegada de Abrantes, bem como oito militares do posto territorial de Ponte de Sor da GNR, até à chegada do Destacamento de Trânsito de Portalegre da GNR com mais cinco elementos. Há suspeitas de que o acidente possa ter resultado de uma ultrapassagem efectuada pela condutora, Paula Cristina, e ao retornar à sua mão o veículo tenha ficado instável, mas só uma investigação da GNR poderá levar a conclusões.

'Só a investigação e o inquérito podem determinar as causas do acidente', adiantou ao CM o major Guedelha, comandante do Destacamento de Trânsito de Portalegre. Uma testemunha ocular será ouvida pela investigação.

INVESTIGADORES DA GNR CHEGAM UMA HORA DEPOIS

Ao que o CM apurou, a única patrulha disponível no distrito de Portalegre do Núcleo de Investigação Criminal de Acidentes de Viação (NICAV) só chegou ao local do sinistro cerca de uma hora depois do alerta, devido à falta de meios disponíveis no dia de ontem. 'As operações estiveram sempre asseguradas pela GNR de Ponte de Sor, que esteve no local desde o início da ocorrência, não pondo em causa a segurança ou a preservação de indícios', avançou ao CM fonte do Comando de Portalegre da GNR.

OUTROS CASOS

COLISÃO FERE DOIS

Uma colisão frontal entre dois carros ligeiros provocou ontem, na EN231, em Oliveira de Barreiros, Viseu, dois feridos, um dos quais em estado grave. O acidente ocorreu às 15h45 e as vítimas foram transportadas para o Hospital de Viseu.

FERIDO GRAVE

Uma colisão entre dois ligeiros provocou ao início da manhã de ontem, no concelho de Tomar, um ferido em estado grave. De acordo com a GNR, o acidente deu-se pelas 07h40. A vítima foi transportada para Santarém.

PORTALEGRE

O distrito de Portalegre é o que apresenta a mais baixa taxa de sinistralidade rodoviária. Em 2009 registaram-se apenas nove vítimas mortais nas estradas do Norte Alentejo. O acidente de ontem foi o mais grave desde o início do ano.

MÉDIA

Portalegre teve, durante o ano de 2009, 328 acidentes com vítimas, uma média inferior a um acidente grave por dia. No total registaram-se, além das nove vítimas mortais, 57 feridos graves e 393 feridos ligeiros.

'PODE HAVER OUTRA VÍTIMA'

Os familiares das vítimas presentes no local durante as operações de socorro temem que este trágico acidente faça uma quarta vítima: Francisco Aparício, conhecido como ‘Chico Cascalho’, o marido, pai e avô dos sinistrados, que estes iam visitar quando o embate com uma árvore lhes ceifou a vida. Ao que o CM apurou, o homem encontra-se em estado grave e teme--se que o choque emocional lhe seja fatal. Está internado há cerca de duas semanas em Abrantes com um problema do foro sanguíneo.

'Estamos preocupados. Quando ele souber não será fácil perceber que perdeu a família mais chegada. Pode haver outra vítima', adiantaram, visivelmente chocados, os irmãos do homem hospitalizado, não querendo, no entanto, prestar mais declarações.

Em Ponte de Sor a notícia caiu também como uma bomba. As vítimas eram tidas como 'pessoas de bem, muito educadas'.

'Todos os dias passava pelo miúdo e sempre me cumprimentava. São pessoas bem vistas, que faziam a vida da agricultura no pequeno monte onde moravam. Estamos todos incrédulos com a tragédia. O rapaz então era uma simpatia', confessou ao CM Rodrigo Pereira, do café Manjerico, amigo da família sinistrada, em particular de Francisco Aparício.

TRÊS CORPOS EM ABRANTES

As relações hospitalares do concelho de Ponte de Sor são estabelecidas para efeitos de socorro com o Centro Hospitalar do Médio Tejo, em Abrantes, no distrito de Santarém. Como tal, os corpos de Luísa Aparício, Paula e Bruno recolheram à Medicina Legal daquela unidade, onde está internado Francisco e para onde se dirigiam quando perderam a vida na tarde de ontem.

NOTAS

LISBOA: ACIDENTE NA PONTE

A colisão entre três carros na ponte 25 de Abril provocou ontem à tarde um ferido ligeiro, que recebeu assistência no local. Socorro foi assegurado por 14 bombeiros sapadores e pelo INEM

AUTÓPSIAS: REALIZADAS AMANHÃ

As três autópsias só se devem realizar amanhã no gabinete médico-legal de Abrantes. Não está, para já, marcada a data e hora das cerimónias fúnebres dos familiares sinistrados

HOSPITAL: APOIO PSICOLÓGICO

Os familiares das vítimas serão alvo de apoio psicológico, como é habitual nestes casos. As atenções estão viradas para o homem, hospitalizado, que perdeu a mulher, a filha e o neto

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