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Director da PJ quer silêncio no Algarve

Um autêntico ambiente de caça às bruxas. É assim que se vive na PJ do Algarve, entre Faro e Portimão, depois da demissão de Gonçalo Amaral, responsável pela investigação do caso Maddie e até aqui coordenador do departamento de Portimão. O director nacional, Alípio Ribeiro, deu instruções expressas para que ninguém fale com os órgãos de comunicação social e o sentimento de medo é evidente. Um mal-estar que se agravou nos últimos dois dias, mas já notório após a constituição de arguidos de Kate e Gerry McCann.
4 de Outubro de 2007 às 13:01
Guilhermino Encarnação (à dir) da PJ de Faro. A ordem de Alípio Ribeiro (centro) é de silêncio. Gonçalo Amaral começou em Faro
Guilhermino Encarnação (à dir) da PJ de Faro. A ordem de Alípio Ribeiro (centro) é de silêncio. Gonçalo Amaral começou em Faro FOTO: Fotomontagem CM
Alípio Ribeiro já então insinuava que os elementos da PJ do Algarve eram responsáveis pelas fugas de informação, enquanto os mesmos negavam. E a troca de acusações entre Lisboa e o Algarve subiu de tom até ao afastamento de Gonçalo Amaral.
As declarações ao ‘Diário de Notícias’ e a notícia do CM a avançar que o coordenador de Portimão viajara para Huelva, Espanha, foram o ‘transbordar do copo’ para o responsável máximo da PJ, que demitiu o coordenador de Portimão, já com 28 anos de experiência, e ameaçou que repetirá o procedimento com quem voltar a falar.
Até o nome do sucessor de Gonçalo Amaral está guardado a sete chaves. O CM sabe que há um lote de três candidatos, entre coordenadores e coordenadores-superiores, e que Alípio Ribeiro só deverá tornar pública a nomeação na próxima segunda-feira. Entretanto deu ordens expressas para que estes nomes não sejam revelados.
“Não fazemos do segredo e do anonimato as nossas armas. Mas há que acautelar a defesa da nossa imagem exterior e não podemos pactuar com fontes não identificadas”, afirmou mesmo o responsável máximo da PJ, durante uma cerimónia pública em que participou – a abertura do concurso para coordenadores que aconteceu ontem à tarde no Instituto Superior de Polícia.
Aí, foram muitos os recados deixados por Alípio Ribeiro. “Há limites para aquilo que os elementos da PJ podem dizer publicamente”, disse, comentando a demissão de Gonçalo Amaral, enquanto garantia que o trabalho de um polícia devia ser norteado por três princípios: “Reserva, discrição e ponderação”. “Há que evitar a divulgação de factos que não devem ser do domínio público. Não podemos servir interesses nem fazer uso de informação para benefício próprio ou de terceiros”.
O discurso de Alípio Ribeiro foi todo em torno da mesma tónica. Mas negou, no final da cerimónia, que tivesse sido sujeito a qualquer pressão no afastamento do quadro do elemento da Judiciária, mostrando até alguma compreensão com o que considerava ter sido um excesso de linguagem. “Há um limite para aquilo que os elementos da PJ podem dizer. Compreendo os momentos de tensão e desgaste por que as pessoas às vezes passam – mas por vezes não se controlam. É uma questão deontológica e também ética, se quiserem”.
Gonçalo Amaral foi o grande ausente da cerimónia e ontem apresentou-se ao serviço na PJ de Faro. Chefia agora o combate ao tráfico de droga e ao banditismo.
TELEVISÃO ESPANHOLA ESTREIA SÉRIE
A TVE, televisão pública espanhola, estreou ontem a série ‘Desaparecida’, que narra a história de uma família que se debate com o drama do desaparecimento de um dos seus membros, a adolescente ‘Patrícia Marcos’, interpretada por Luisa Martín, de ‘Médico de Família’, série que a SIC exibiu. Numa altura em que o caso Madeleine McCann está
na ordem do dia, o formato, que se baseia num grande número de casos reais, segundo Javier Pons, director da TVE, afirmou aos meios de comunicação, “dará que falar e que pensar. Não há precedentes na nossa ficção nacional”.
IMPRENSA INGLESA
CAOS
As buscas para encontrar Madeleine “estão um caos, depois de o chefe da polícia portuguesa [Gonçalo Amaral] ter sido afastado através de um fax”, adianta o ‘Daily Mail’ de ontem. “Ainda não foi substituído”.
FURIOSOS
Depois de lançar “o violento ataque a Kate, Gerry e à polícia inglesa”, o coordenador foi “chutado” para fora da investigação pela direcção da PJ. Os superiores “ficaram furiosos”, segundo o ‘Daily Mirror’.
ANIVERSÁRIO
“O coordenador acusou a nossa polícia de estar a ser manipulada pelos McCann”, diz o ‘The Sun’. Gonçalo Amaral “foi afastado de uma forma sensacional no dia em que fazia 48 anos”.
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