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Correio da Manhã

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“Disse que matava os nossos filhos”

É a entrevista que faltava: mulher obrigada a participar em orgias conta tudo ao CM.
7 de Outubro de 2011 às 01:00
Ana Carina Valente, psicóloga criminal, analisou o vídeo
Ana Carina Valente, psicóloga criminal, analisou o vídeo FOTO: João Miguel Rodrigues

"Ameaçava que se eu não participasse nas orgias matava os nossos filhos", contou ao CM, com os olhos cheios de lágrimas e a voz trémula de quem continua a viver amedrontada, a mulher do empresário de Famalicão que foi obrigada a participar em orgias, uma delas envolvendo José Castelo Branco.

A vítima garante que o rei do jet-set sabia que a sua participação era forçada, e diz que só uma vez é que se envolveram sexualmente. "Ele sabia de tudo. Que eu não queria", garantiu. "Infelizmente para mim, aquilo aconteceu mesmo. Senti-me suja, morta por dentro...", afirmou, contrariando a versão do marchand, que nega ter participado nos encontros sexuais. A mulher diz que a orgia ocorreu numa ida a Lisboa, num hotel de luxo.

"Primeiro ameaçava os meus pais e depois começou a dizer que fazia mal aos nossos filhos se eu me recusasse a participar nos encontros que ele marcava em Lisboa", relatou ao CM a vítima, de 40 anos.

Profundamente envergonhada, a mulher tenta a todo o custo esquecer os momentos de terror que viveu durante os 23 anos em que esteve casada com João Ferreira. "Só com a ajuda da minha família e de muitos antidepressivos é que consegui aguentar este calvário. O meu marido tratava-me como uma verdadeira escrava", disse a mulher, procurando esconder o nervosismo.

A vítima diz ainda que era obrigada a ir muitas vezes a Lisboa e a manter relações sexuais com pessoas que nunca tinha visto antes. "O meu marido levava-me até lá, contra minha vontade, e se eu recusasse batia--me", recordou.

JUIZ CONSIDERA QUE EXISTEM INDÍCIOS FORTES

O juiz de instrução criminal do Tribunal de Famalicão decidiu na terça-feira levar o caso a julgamento por considerar que existem indícios de que a vítima foi forçada a manter relações sexuais. O magistrado manteve o crime de violência doméstica, que engloba a coacção sexual, nos exactos termos da acusação. "O juiz considerou que existem indícios de que a mulher foi a coagida, mas em julgamento vamos apresentar provas que demonstram o contrário", disse o advogado do arguido, Miguel Brochado Teixeira.

MENOR DEPÕE EM TRIBUNAL

A filha do casal, que tem apenas dez anos, terá de depor em tribunal contra o pai, João Ferreira. A menor nunca chegou a ser ouvida para memória futura por um juiz de instrução criminal, pelo que será interrogada como testemunha já na fase de julgamento.

A criança já foi inclusive arrolada como testemunha pelo Ministério Público do Tribunal de Famalicão, e será uma das testemunhas-chave da acusação. Isto porque chegou a confessar aos inspectores da Polícia Judiciária do Porto que o pai batia muito na mãe.

A criança pediu até que o pai fosse preso, porque não aguentava mais viver em sofrimento.

O depoimento da menor será assim uma peça essencial para se perceber qual o ambiente que se vivia na casa do casal e como era o relacionamento entre ambos.

Segundo a acusação do Ministério Público, a vítima era frequentemente agredida na presença da filha.

João Ferreira chegou também a esconder pelo menos 26 fotografias de cariz sexual no quarto da menina, que viu também na casa vários vibradores. Descreveu o aspecto dos artefactos sexuais aos inspectores da PJ.

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