PSP e GNR foram alvo de fogo cerrado na perseguição aos atiradores. Um suspeito foi baleado
Pouco passava das 04h00 de ontem quando cinco brasileiros apareceram, em pânico, a pedir abrigo na discoteca Coyote Point, em Setúbal. Um desentendimento com dois compatriotas, alegadamente armados, levou-os a atravessar a avenida Luísa Todi, temendo pela sua segurança. O sossego durou poucos minutos, e terminou quando uma chuva de disparos de caçadeira feitos na direcção da porta da discoteca lançou o pânico naquela artéria. Seis pessoas sofreram ferimentos ligeiros, em consequência do impacto de chumbadas.
Os autores dos disparos, dois brasileiros residentes na Amora, Seixal, ainda aguardaram alguns momentos na avenida Luísa Todi. Só terão entrado no Citroën C5 que os levou a Setúbal quando as sirenes do primeiro carro-patrulha da PSP ecoaram na avenida.
Armados com uma caçadeira, furtada no ano passado na zona de Loures, os dois homens aceleraram pelas ruas da cidade de Setúbal, disparando esporadicamente contra a PSP.
Mal o Citroën C5 saiu de Setúbal, pela Estrada Nacional 10, a GNR foi avisada. Os brasileiros conseguiram furar uma barreira da PSP montada na localidade de Aires. Um carro-patrulha foi abalroado e três agentes quase atropelados.
A PSP ainda os encurralou numa rua sem saída mas, a tiro, o carro acabou, mais uma vez, por conseguir escapar. A GNR detectou a viatura, pela primeira vez, perto de Palmela, assumindo então a dianteira na perseguição. Terá sido durante a atribulada fuga que um elemento policial (ainda está por definir se da PSP ou da GNR) efectuou um disparo que furou a carroçaria do Citroën C5, ferindo o condutor no joelho direito.
No total, a chapa do carro dos assaltantes tinha cinco furos de munições disparadas pelas forças da autoridade. Já sem o controlo da viatura, o condutor ferido despistou-se junto ao Modelo da Quinta do Conde, sendo de imediato detido. O homem tem trinta anos e foi levado ao Hospital Garcia de Orta, em Almada. Deverá ter alta hoje, e ser amanhã ouvido no Tribunal de Setúbal. O cúmplice escapou à perseguição.
MARATONA DE INTERROGATÓRIOS NO CAMPUS DA JUSTIÇA
Os 15 detidos anteontem na megaoperação coordenada pela Unidade de Combate ao Crime Especialmente Violento do DIAP de Lisboa começaram a ser presentes no Tribunal de Instrução Criminal, no Campus da Justiça, ontem de manhã, mas à hora de fecho desta edição ainda continuavam os interrogatórios aos envolvidos.
Recorde-se que o líder do grupo, Sandro Lima ‘Bala’, está foragido no Brasil, mas a operação desmantelou a organização – cujo negócio principal passava pela colocação de seguranças em bares e discotecas dos distritos de Lisboa e de Setúbal e pela extorsão aos proprietários dos mesmos – na sua totalidade. O grupo é ainda suspeito de recrutar criminosos e peritos em artes marciais no Brasil para virem cometer assaltos e outros crimes em Portugal.
PORMENORES
DESENTENDIMENTO
Atiradores e algumas das vítimas já se conheceriam previamente. Os primeiros residem na Amora e terão discutido recentemente com brasileiros de Setúbal. Ficou o ressentimento.
GANG DA CAPARICA
A Polícia Judiciária de Setúbal vai assumir a investigação do ajuste de contas de ontem. Mantém-se em aberto a hipótese de os atiradores terem agido em retaliação à detenção de 15 elementos da máfia brasileira da Caparica.
VÁRIOS CARROS
No momento em que o condutor do Citroën C5 foi detido, seis carros-patrulha da GNRe PSP estavam no encalço da viatura fugitiva.
MÁFIA ESPANCA POLÍCIAS COM TACO DE BASEBOL
O grupo liderado por Sandro ‘Bala’, detido anteontem numa megaoperação que envolveu 600 agentes da PSP, GNR e do SEF, é suspeito de – entre muitos outros crimes cometidos durante o período em que impuseram serviços de segurança (ilegal) em vários estabelecimentos de diversão nocturna de Lisboa, Almada e Seixal – ter chegado ao ponto de espancar três agentes da PSP que tinham saído da discoteca W, em Alcântara.
Segundo o CM apurou, em Outubro de 2008 um grupo de quatro agentes de folga foi àquela discoteca. À saída, trocaram algumas palavras com André Ferreira, responsável pelo estabelecimento, e com um dos detidos anteontem.
Sem se aperceberem, os polícias foram perseguidos por um Opel Corsa conduzido por Miguel Ângelo, um dos praticantes de jiu-jitsu que faziam segurança aos estabelecimentos controlados por Sandro ‘Bala’, e com um outro homem, que não foi identificado. Quando os agentes pararam na avenida da Índia foram imediatamente abordados por Miguel Ângelo, que trazia um taco de basebol na mão. Um dos polícias saiu do carro e identificou--se como agente, mas a resposta foi uma pancada com o taco na cabeça.
Outros dois agentes saíram em seu socorro e também eles foram espancados pelo perito em artes marciais. Os três sofreram traumatismos cranianos.
ENTREGAVAM DINHEIRO DENTRO DA PRISÃO
O CM apurou que o grupo de Sandro ‘Bala’ mantinha ligações com Pedro Gameiro, um dos elementos do grupo de Alfredo Morais, que ficou conhecido como a ‘Máfia da Noite’. Numa altura em que Gameiro estava em prisão preventiva terá contactado com Sandro ‘Bala’ para saber se era ele que estava a colocar seguranças no bar Zepherinus. Ao mesmo tempo, a mulher de Gameiro terá servido de intermediário para levar os 300 euros mensais à cadeia de Vale de Judeus que o gang de Sandro ‘Bala’ dava para ajudar Gameiro durante o período passado na cadeia.
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