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Dupla lança mãe e filha pela janela

Cecília Leal diz que ladrões se fizeram passar por funcionários da EDP. Recusou dar dinheiro. Foi agredida e atirada do 1.º andar com criança de 5 anos
15 de Julho de 2010 às 00:30
Mãe e filha, segundo a versão da primeira à GNR, foram atiradas do primeiro andar por assaltantes. Estão internadas em estado grave
Mãe e filha, segundo a versão da primeira à GNR, foram atiradas do primeiro andar por assaltantes. Estão internadas em estado grave FOTO: Joana Neves Correia

Uma mulher de 34 anos e a filha, de apenas cinco, terão sido, ontem de manhã, atiradas pela janela do 1º andar onde vivem por uma dupla de ladrões encapuzados que se fez passar por funcionários da EDP para entrar no prédio da rua das Laranjeiras, em Alfena, Valongo. Esta é a versão apresentada pela vítima, Cecília Leal, às autoridades, justificando os ferimentos graves na filha, que está internada. Não houve testemunhas e o Núcleo de Investigação Criminal da GNR de Santo Tirso investiga o caso.

Tudo se terá passado cerca das 11h00, altura em que Cecília e a filha, Inês, estavam em casa. Os dois homens tocaram à campainha do prédio, identificaram-se como funcionários da EDP e pediram para subir, porque queriam ver os contadores da luz. Chegados ao 1º piso, bateram à porta do apartamento e insistiram em que Cecília saísse para ver o contador, que fica no corredor. Mal abriu a porta, a mulher foi atacada pela dupla de ladrões, que já estava encapuzada, a exigir--lhe dinheiro.

Sem mais demoras, os assaltantes forçaram a entrada e começaram a agredir a dona da casa. Pegaram na mulher e lançaram-na da janela da marquise para o pátio das traseiras. Fizeram o mesmo com a criança e fugiram sem o dinheiro. Terão deixado a porta do apartamento aberta e nem o remexeram.

As vítimas ficaram no pátio, imobilizadas pela dor, até que os vizinhos se aperceberam de que algo teria acontecido depois de ouvirem 'um estrondo'. Mãe e filha ficaram em estado grave. 'A mãe tinha uma fractura no pé direito e referia bastantes dores na cintura pélvica, onde tinha sido recentemente operada. A filha teve um traumatismo crânio-encefálico, dor abdominal, hemorragias internas e partiu os dentes da frente', diz Paulo Ferreira, subchefe dos Bombeiros de Ermesinde. Foram transportadas para o hospital de S. João, no Porto. Ao CM, o marido e pai das vítimas recusou-se a comentar o que pode ter acontecido.

'NINGUÉM DEU PELA PRESENÇA DOS LADRÕES'

A queda de mãe e filha era ontem o tema de conversa por entre a vizinhança. Os populares mostravam--se espantados, surpresos e assustados com a situação. Ninguém viu os dois assaltantes nem assistiu ao momento exacto em que a mulher e a criança caíram no pátio das traseiras. 'Foi uma questão de segundos. Pode-se supor muita coisa. Ninguém deu fé da presença dos ladrões', disse ao CM um funcionário do Centro de Recuperação Física, que fica mesmo ao lado do local onde as vítimas caíram.

'Estava a tomar café, ouvi um estrondo muito grande e alguém a dizer ‘socorro’ muito baixinho. Desci e ela só dizia que ‘tinham uma máscara’. A porta do prédio estava fechada e não vi ninguém suspeito a fugir', disse Maria da Conceição, moradora no 3º andar do mesmo prédio das vítimas.

TELEMÓVEL ESTAVA AO LADO DA VÍTIMA

De acordo com os relatos das primeiras testemunhas que socorreram Cecília e Inês, a mulher estava deitada com o seu telemóvel ao lado. 'Tinha-o ao lado dela mas não chamou ninguém', começou por dizer Carlos, dono da frutaria situada no rés-do-chão do prédio. O comerciante diz que quando chegou ao pátio encontrou a mulher e a filha, que não se conseguiam mexer. 'Com o pânico, peguei na menina e trouxe-a para a entrada do prédio', contou.

Carlos Santos, fisioterapeuta, outra testemunha, adiantou: 'Fui buscar um lençol para cobrir a criança e tapar os ferimentos'.

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