Barra Cofina

Correio da Manhã

Exclusivos
5

Empresário atado e atirado com vida para ribanceira

Atado com cinco cordas de nylon e com a cabeça enrolada num pano escuro – supostamente uma saia comprida, típica de uma mulher de etnia cigana. Foi assim que o jovem empresário Ricardo Pereira foi atirado de um precipício da antiga pedreira de Montariol, em Adaúfe, Braga. Caiu sobre uma palete de madeira, num amontoado de lixo clandestino. Além das fracturas e hematomas provocadas pela queda de cerca de 100 metros, o corpo apresentava sinais claros de ter sido violentamente espancado. Os primeiros exames ao cadáver indicam que a vítima terá sido lançada com vida.
23 de Dezembro de 2008 às 22:00
Corpo foi atirado para uma ravina com cerca de 100 metros. É um precipício criado pela exploração da antiga pedreira de Montariol, junto à entrada Norte de Braga.
Corpo foi atirado para uma ravina com cerca de 100 metros. É um precipício criado pela exploração da antiga pedreira de Montariol, junto à entrada Norte de Braga. FOTO: José Rebelo

A Polícia Judiciária mantém em aberto todas as hipóteses no que toca às motivações do crime, designadamente por eventual ajuste de contas relacionado com a actividade empresarial ou um caso passional. A extrema violência que caracterizou o homicídio do vendedor de carros – e cuja companheira se encontra grávida de três meses – leva a admitir que se possa estar perante um crime por encomenda.

A PJ recolheu o computador de trabalho e vários documentos, incluindo listas de todos os credores e devedores, pertencentes a Ricardo, que frequentemente viajava ao estrangeiro para adquirir carros.

Ao que foi possível apurar, Ricardo Pereira, de 28 anos, terá sido morto logo na noite do seu desaparecimento, na passada quarta-feira. No dia seguinte, foi encontrado o carro – um Opel Corsa cinzento – completamente calcinado, junto à fábrica da Maconde, em Maximinos.

O corpo foi depois levado para o alto da antiga pedreira de Montariol, servido por um caminho em terra, e atirado de uma zona onde é habitualmente lançado lixo clandestino, como colchões e resíduos de construção civil.

O cadáver foi encontrado na manhã de domingo por um casal que andaria às pinhas, na zona dos fundos da pedreira, sobre um aterro que se encontra completamente vedado e de acesso muito difícil, o que tornou extremamente complicado o trabalho dos bombeiros e até da polícia.

VIDA FAMILIAR

CASA NOVA

Ricardo Pereira tinha adquirido recentemente uma casa nova num loteamento em Frossos, para onde se deveria mudar com a companheira, dentro de duas a três semanas.

PAIS E SOGROS

Nos últimos tempos, Ricardo Pereira pernoitava ora na casa dos futuros sogros, em Maximinos, ora no apartamento dos pais, junto à estação da CP, na freguesia da Sé.

SEGUNDO CRIME VIOLENTO PARA DESVENDAR

Este é o segundo crime violento no espaço de poucos dias. Há menos de duas semanas, em Penafiel, foi encontrado completamente incendiado um Audi A4. No interior estava um cadáver que veio a ser identificado como um empresário de Paredes, proprietário do automóvel. Manuel Sousa tinha saído da loja no dia anterior e nunca mais tinha sido visto. A autópsia revelou que a vítima foi assassinada com vários tiros em diferentes locais do corpo. O incêndio terá sido provocado depois do homicídio – o corpo foi colocado no banco de trás – para que os vestígios fossem destruídos. A PJ continua ainda a investigar o crime.

FAMÍLIA REVOLTADA E CHOCADA

Os familiares de Ricardo Manuel Martins Pereira estão em estado de choque e revoltados, perante o crime violento que matou o vendedor de carros. "É desumano só pensar no que ele sofreu", lamentou uma tia de Ricardo, sublinhando que "não dá para aceitar nem para compreender como é que aconteceu uma coisa destas".

Vários familiares – incluindo o irmão da vítima, Rui – vincaram que "não havia qualquer dificuldade de ordem financeira", nem problemas de ordem pessoal. "Estava felicíssimo da vida, com a notícia da gravidez da companheira", acentuou, frisando o desejo de "que os criminosos sejam descobertos, seja de que maneira for".

Mesmo depois do carro incendiado, mantiveram a esperança. "Não havia razões para pensar em tragédias", vincou um dos tios de Ricardo, que era uma visita assídua da avó, de 78 anos e em estado debilitado, de tal maneira que a família optou por não revelar ainda o que aconteceu ao jovem empresário, cuja mãe teve de receber assistência hospitalar.

SAIBA MAIS

DESAPARECIDO

Ricardo Pereira foi dado como desaparecido na quarta-feira.

11h00

Ricardo e Rui falaram na manhã de quarta-feira, mas a vítima não se queixou de qualquer ameaça.

15h00

Ricardo esteve com um amigo em Frossos. Encontrou-se com o advogado em Vila Verde e desapareceu.

ENCONTRADO

O cadáver de Ricardo foi encontrado domingo de manhã.

NOTAS

IRMÃO: OUVIDO NA PJ

Anteontem, pouco tempo depois de ser descoberto o cadáver, o irmão da vítima foi chamado à PJ de Braga para tentar reconstituir os últimos passos da vítima

PEDREIRA: CARRINHA E COFRE

Não é primeira vez que a pedreira de Montariol é usada para esconder crimes. Há um ano, uma carrinha com um cofre roubado foi atirada naquele local mas ficou presa às árvores

FUNERAL: AMANHÃ EM REAL 

O funeral de Ricardo Pereira deverá ter lugar na manhã de quarta-feira, em Real. O corpo só hoje deverá ser libertado pelas autoridades para as cerimónias fúnebres

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)