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Escolha de Cadilhe valeu 518 mil euros

O tempo que os accionistas da SLN Valor levaram a escolher o sucessor de Vakil foi pago generosamente através dos cofres da própria instituição.
30 de Maio de 2010 às 00:30
Os accionistas que escolheram Miguel Cadilhe para a presidência fizeram-se pagar por essa escolha
Os accionistas que escolheram Miguel Cadilhe para a presidência fizeram-se pagar por essa escolha FOTO: Andre Kosters/Lusa

Accionistas da SLN Valor, dona do Banco Português de Negócios (BPN), fizeram-se pagar, generosamente, pela escolha de Miguel Cadilhe para sucessor de Abdool Vakil à frente da instituição financeira. Segundo documentos a que o CM teve acesso, pelo menos três grandes accionistas da SLN Valor debitaram ao banco facturas no valor global de 518 mil euros, por serviços prestados 'com vista a proceder à reorganização da estrutura de governação da SLN, SGPS, no processo de mudança do conselho de administração e escolha e contratação da nova equipa de gestão, incluindo também despesas incorridas na prestação de tais serviços durante 2007 e o 1º semestre de 2008'.

Miguel Cadilhe foi confirmado no cargo de presidente da holding Sociedade Lusa de Negócios (SLN) no dia 20 de Junho de 2008, através de uma Assembleia Geral da SLN. Nessa altura, Alberto Queiroga Figueiredo adiantava que os accionistas da SLN tinham aprovado também a realização de uma 'auditoria externa às contas do grupo'. 'Foi uma condição que Miguel Cadilhe pôs desde o início'.

Aquele mesmo accionista debitou ao banco uma factura superior a 93 mil euros, em 17 de Dezembro de 2008. Outro dos accionistas de referência da SLN Valor, Adelino Santos Silva, proprietário da metalomecânica Metalogalva, uma empresa situada no Concelho da Trofa que detém 2,4 por cento da SLN, SGPS e 11 por cento da SLN Valor, debitou, na mesma data, uma factura de 197 540 euros, que foi paga à Metalcon Investimentos, SGPS. Mas a factura mais pesada foi debitada por Fernando Duarte Rodrigues Cordeiro, sócio-gerente da empresa Piubelle – Confecções, Indústria e Comércio, cujo negócio está ligado à indústria têxtil, e que detém 0,8% da SLN, SGPS, aos quais junta 3,5% da SLN Valor. Aquele accionista facturou mais de 226 mil euros à sociedade.

Todas as facturas mencionadas foram pagas pela SLN e pelo BPN por ordem de Miguel Cadilhe, mas, em Dezembro, o banco já estava sob intervenção do Estado.

MORAIS SARMENTO REPRESENTA JOAQUIM COIMBRA

Joaquim Coimbra, ex-vogal da Comissão Política Nacional do PSD e que detém 1,9 por cento da SLN, SGPS e 10,7 por cento da SLN Valor, vai estar representado nas reuniões de amanhã da SLN Valor através do advogado Nuno Morais Sarmento.

Recorde-se que Joaquim Coimbra foi um dos membros do Conselho Superior da SLN/BPN que acompanhou, de perto, a contratação do sucessor de Oliveira e Costa, tendo participado na reorganização dos negócios do Grupo Banco Português de Negócios.

PORMENORES

APROVAÇÃO DAS CONTAS

A SLN Valor e a SLN discutem amanhã a aprovação das contas de 2009, com um resultado líquido consolidado no valor de cinco milhões de euros.

CHAMADO A EXPLICAR

Alguns accionistas vão aproveitar esta ocasião para pedir explicações ao presidente da SLN, Fernando Lima, sobre a alienação das participações na Marina de Albufeira e a venda da companhia de seguros Real, dois dos activos mais relevantes da empresa.

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