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Espancamento explica morte

O relatório da PSP, elaborado no passado mês de Outubro e enviado para a Polícia Judiciária a propósito das mortes ocorridas no Porto, descreve com pormenor o jantar ocorrido no Restaurante Boi na Brasa, horas antes de Aurélio Palha ser executado. Percebe-se que tudo aconteceu na sequência da primeira morte, quando Nuno Gaiato foi baleado pelo grupo de ‘Berto Maluco’ na discoteca El Sonero, e que a reunião pretendia apurar se havia alguma retaliação prevista.
15 de Dezembro de 2007 às 13:00
O CM sabe que outro dos motivos para a discórdia entre os dois grupos estava relacionado com o facto de o grupo de Nuno Gaiato ter contratado os serviços de um prestigiado advogado para acelerar a investigação. ‘Berto Maluco’, que temia ser acusado do homicídio, pediu a Aurélio para promover um encontro com os elementos do grupo da Ribeira. Actualmente, a investigação ainda não apurou se ‘Berto’ esteve envolvido na morte de Gaiato.
Fernando Madureira, líder dos Superdragões, viu-se assim convocado para uma reunião no Boi na Brasa, tendo negado qualquer envolvimento na ‘colecta’ que estaria a ser feita para pagamento ao jurista. ‘Berto’ disse-lhe que a sua ‘fonte de informação’ havia sido Rómulo – dono de um ginásio frequentado pelo grupo da Ribeira –, chamado ao jantar para confirmar a informação.
Tudo se descontrolou quando Rómulo, que inicialmente acusara Madureira, disse que afinal mentira. Acusou várias pessoas e acabou agredido violentamente no restaurante por ‘Berto’, na presença da mulher e da filha de Aurélio Palha. O mesmo relatório diz que este só não matou Rómulo ali mesmo porque Palha o chamou à razão.
Menos de duas horas depois, no exterior da discoteca e depois de Madureira levar Rómulo ao hospital, três indivíduos discutem com ‘Berto’. Estão armados e Palha tentou acalmá-los. Sem êxito, porque aqueles disparam mas não atingiram ‘Berto’. Mataram apenas Palha.
PROCESSOS FORAM DIGITALIZADOS
Os processos sobre as mortes do Porto, que estão a ser investigados pela Polícia Judiciária, foram ontem digitalizados e enviados para Lisboa. Deverão agora ser estudados pela nova equipa constituída por Pinto Monteiro e que está a ser chefiada pela procuradora Helena Fazenda. Ontem, a magistrada não voltou ao Porto e, segundo o CM apurou, ainda não são conhecidos os elementos que farão parte da mesma equipa que será constituída por dez elementos. Entretanto, Pinto Monteiro, à margem de uma conferência em Lisboa, voltou a reafirmar a necessidade da criação da equipa, desvalorizando a tensão criada no Ministério Público do Porto. “Foi criada na altura certa, quando tinha de ser”, garantiu o procurador-geral da República.
LEVADO AO HOSPITAL
Fernando Madureira levou Rómulo ao restaurante Boi na Brasa e após a agressão conduziu-o ao hospital de S. João, no Porto. O dono do ginásio apresentava ferimentos graves em todo o corpo, mas não apresentou queixa da agressão. Além disso, a primeira participação policial diz que a agressão foi cometida por desconhecidos, na Rua de Manuel Pinto de Azevedo, no Porto. O que significa que Rómulo omitiu quem seria o seu agressor, também não referindo que o espancamento havia ocorrido no interior do restaurante, do qual Palha era proprietário.
MAGISTRADOS QUEREM INSPECÇÃO AO DIAP/PORTO
Quarenta magistrados do Porto aprovaram ontem uma moção, que será recebida segunda-feira pelo procurador-geral da República, Pinto Monteiro, na qual requerem uma inspecção ao Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) do Porto. “Não estamos contra a nomeação de Helena Fazenda, mas é a segunda vez que é nomeado um responsável de Lisboa. É preciso clarificar se há incapacidade no Porto e havendo problemas quem são os responsáveis”, disse ao CM o procurador-geral adjunto, António Cluny.
CAVACO PEDE FIRMEZA À POLÍCIA
O Presidente da República, Cavaco Silva, considerou ontem no Porto que a criminalidade violenta, ligada aos negócios que populam os meandros do mundo da animação nocturna, é um assunto muito sério, “ao qual as autoridades darão a resposta adequada”.
“É óbvio que como Presidente da República acompanho com preocupação todas estas manifestações de violência”, assegurou ainda Cavaco Silva na Câmara Municipal da Invicta, à margem de uma cerimónia de entrega da Medalha da Liberdade ao advogado Mário Montalvão Machado, por “serviços relevantes prestados à causa da democracia e da liberdade”.
Foi a primeira vez que o Chefe de Estado se pronunciou sobre o recente aumento da criminalidade na noite do Porto, que resultou, já, em quatro homicídios de empresários e seguranças. As declarações vêm numa altura em que todos os responsáveis políticos tinham expressado a sua preocupação com os crimes, embora alguns deles, como Rui Rio, tivessem manifestado dúvidas na actuação da Polícia Judiciária.
Cavaco Silva aproveitou, ainda, para sublinhar a importância da restituição do sentimento de segurança entre as populações. “É importante que as autoridades sejam firmes e actuem de forma a restituir o sossego e a segurança”, afirmou.
A pedra de toque também ficou bem marcada: “Os portugueses precisam de sentir que vivem numa sociedade em que a segurança não é uma palavra vã”, continuou.
Sem margem para qualquer dúvida, Cavaco Silva disse claramente que não se podem “menosprezar” os recentes homicídios na noite do Porto e também em Lisboa.
“É um assunto muito sério que está entregue às autoridades competentes de investigação criminal”, apontou.
NOTAS
AGRESSÕES COMEÇARAM NA GIESTA
A primeira agressão que desencadeou a onda de violência envolveu indivíduos do grupo da Giesta, de Gondomar, agredidos pelo grupo de Nuno Gaiato.
MULHER DE PALHA ACUSA 'BERTO'
A mulher de Aurélio Palha, Carla Teixeira, disse à polícia que o causador de tudo o que se passou foi ‘Berto Maluco’ e que os disparos eram para ele.
POLÍCIAS INVESTIGADOS
O ministro da Administração Interna já autorizou a investigação ao envolvimento de polícias em esquemas de segurança nocturna
PJ SÓ TRABALHA DE DIA
A Associação Sindical dos Funcionários da PJ disse ao PortugalDiário que à noite só devem trabalhar os inspectores de piquete
PORTAS EXIGE REFORÇO
Paulo Portas disse que o combate à nova criminalidade necessita de melhor investigação e mais efectivos nas forças de segurança
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