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Esquentador mata pai e filha

Mulher e mãe das vítimas já teve alta do hospitalar assim como uma amiga que passava o fim de semana com a família.
Alexandre Salgueiro e Joaquim Martins 2 de Maio de 2017 às 01:30
José António Teixeira, 42 anos, e a filha Sara, de 14, morreram
José António Teixeira, 42 anos, e a filha Sara, de 14, morreram
Momento em que os bombeiros procederam à remoção dos corpos de pai e filha do interior da habitação onde ocorreu a tragédia
Maria de Lurdes Teixeira, tia das vítimas mortais e residente em Malpartida
Isolina e Fernando recordam com carinho a família que vivia em Serzedo
Autoridades vedaram a área
José António Teixeira, 42 anos, e a filha Sara, de 14, morreram
José António Teixeira, 42 anos, e a filha Sara, de 14, morreram
Momento em que os bombeiros procederam à remoção dos corpos de pai e filha do interior da habitação onde ocorreu a tragédia
Maria de Lurdes Teixeira, tia das vítimas mortais e residente em Malpartida
Isolina e Fernando recordam com carinho a família que vivia em Serzedo
Autoridades vedaram a área
José António Teixeira, 42 anos, e a filha Sara, de 14, morreram
José António Teixeira, 42 anos, e a filha Sara, de 14, morreram
Momento em que os bombeiros procederam à remoção dos corpos de pai e filha do interior da habitação onde ocorreu a tragédia
Maria de Lurdes Teixeira, tia das vítimas mortais e residente em Malpartida
Isolina e Fernando recordam com carinho a família que vivia em Serzedo
Autoridades vedaram a área
O fim de semana prolongado terminou ontem de forma trágica para uma família de Serzedo, Vila Nova de Gaia. José António Teixeira, de 42 anos, e a filha Sara Teixeira, com apenas 14, morreram intoxicados com monóxido de carbono, que foi libertado pelo fumo do esquentador no rés do chão da casa de férias, em Malpartida, no concelho de Almeida. Ambas as vítimas mortais estavam no primeiro andar da habitação.

Apesar de o esquentador se encontrar no hall do piso inferior, o homem foi encontrado de bruços e sem vida na casa de banho, no exterior do poliban, e a menor ainda na cama, com vestígios de que tinha sentido náuseas provocadas pelo gás.
Luís Faustino, chefe dos Bombeiros de Almeida, contou ao CM que "o pedido de socorro, pouco depois das seis da manhã, foi feito com grande dificuldade" pela mulher da vítima e mãe da jovem. Ilda Monteiro, de 42 anos, já depois de se ter sentido mal no interior da casa, conseguiu sair à rua e chamar por socorro. Quando os bombeiros chegaram, "estava desorientada no espaço e no tempo", acrescentou o bombeiro.

No interior da residência, que pertence ao casal, estava ainda Maria dos Prazeres Brasiela, de 46 anos, amiga da família, com quem estava a passar o fim de semana prolongado. As duas mulheres foram transportadas para o Hospital da Guarda, onde ficaram sob observação.Na manhã desta terça-feira tiveram alta hospitalar.

Por agora, as autoridades excluem a hipótese de qualquer crime, mas a Polícia Judiciária da Guarda espera pela autópsia e pelos exames toxicológicos realizados às duas vítimas, que chegaram à morgue do Hospital Sousa Martins, na Guarda, ontem à hora de almoço.

Sobrevivente desorientada na rua 
Ivone Teixeira, tia das vítimas, foi uma das primeiras familiares a chegar ao local. "Quando ouvi barulho e vim à rua, vi a mulher do meu sobrinho completamente desorientada a ser assistida pelos bombeiros", disse ao CM.

Jantaram todos e foram tomar banho 
Quando conseguiu recuperar a consciência, Ilda Monteiro, mulher e mãe das vítimas mortais, contou às tias que só se lembrava das coisas até ao momento de irem tomar banho. Antes tinham jantado todos juntos na cozinha da habitação em Malpartida.

Aldeia em choque com tragédia da família  
"Não há memória de uma tragédia destas ter acontecido aqui. Toda a aldeia está em choque", lamenta uma vizinha das vítimas. Maria de Fátima tinha estado a conversar com a família no dia anterior: "Estavam muito felizes e sentiam-se bem", recorda ao CM

"Nunca estamos preparados para estas tragédias"  
José António Teixeira trabalhava como serralheiro numa empresa de Vilar do Paraíso, em Vila Nova de Gaia, mas era na freguesia de Serzedo que vivia com a filha Sara, de 14 anos, e com a mulher, Ilda. A família ficou ontem em choque com a morte de pai e filha. "Nunca estamos preparados para este género de tragédias. Eles não mereciam isto", disse ao CM Isolina Fernandes, prima do casal.

A notícia chegou a Serzedo ao início da tarde de ontem. "O presidente da junta ligou-me e disse ‘Aconteceu uma grande tragédia na tua família’. Eu fiquei sem reação. Depois ele disse ‘O teu primo e a filha morreram por inalação de monóxido de carbono’. Caiu-me tudo naquele momento", acrescentou.

Também o primo Fernando Fernandes, conhecido por ‘35’, recorda os dois familiares. "Cheguei a andar com o Zé ao colo. Tenho muito boas lembranças dele. Ainda no sábado ele me ligou de Almeida a dizer que não conseguia sintonizar a televisão. Eu ajudei-o e desejei-lhe umas boas férias", descreveu, lavado em lágrimas.

OUTROS CASOS
Fuga em hotel

Oito pessoas foram, no espaço de uma semana, no mês passado, intoxicadas por um gás libertado no Hotel Vip Executive, em Santa Iria da Azoia, Loures. As autoridades investigam a origem da fuga.

Estudantes feridas

Cinco estudantes, entre os 18 e os 20 anos, do Instituto Politécnico de Bragança, ficaram intoxicadas por inalação de monóxido de carbono libertado de um esquentador a gás, em novembro de 2016.

Mortos após festa

Um casal, de 19 e 25 anos, morreu intoxicado por gás de um gerador após ter saído de uma festa e entrado num anexo, na Figueira da Foz, em 2014.
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