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Correio da Manhã

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Estado gasta 6 milhões em carros de gestores

Empresas públicas com prejuízos têm frotas de luxo
27 de Junho de 2011 às 00:30
Há casos em que as prestações dos veículos atingiram os 25 mil euros em 2010
Há casos em que as prestações dos veículos atingiram os 25 mil euros em 2010 FOTO: Vítor Mota

Os carros dos gestores públicos custam aos cofres do Estado 6,4 milhões de euros. De um universo de 63 empresas do Sector Empresarial do Estado (SEE), há um total de 224 carros atribuídos aos conselhos de administração, sendo que mais de metade são da marca Mercedes, BMW ou Audi.

Segundo os dados disponibilizados pelas empresas à Direcção-Geral do Tesouro e Finanças relativos a 2010, a grande maioria (44 empresas com participação do Estado) optou por adquirir os automóveis cedidos aos administradores e vogais, num custo total de 5,8 milhões para 158 veículos. Outras 19 empresas públicas optaram por regimes de aluguer do automóvel, pagando um valor mensal. Em 2010, os gastos das empresas com as prestações dos 66 automóveis chegou aos 604 mil euros.

Há diferentes modelos, mas a preferência dos gestores vai para os topos de gama alemães. São 49 os Mercedes ao serviço dos administradores, seguidos de 38 BMW e 35 Audi – o que representa mais de metade da frota do Estado dedicada aos gestores das empresas públicas.

A nível de aquisição de viaturas, o Centro Hospitalar de São João lidera, com 245 mil euros gastos em sete Toyota Avensis, cada uma com um custo de 35 mil euros. No que diz respeito às prestações mensais, a Caixa Geral de Depósitos tem o parque automóvel mais caro das empresas do Estado: são sete viaturas topo de gama, das quais quatro são Mercedes e duas Audi, num valor de 147 mil euros/ano.

Os gestores públicos têm ainda outros benefícios, como telemóvel, senhas de presença por reunião ou assembleia geral e combustíveis.

MERCEDES DA CP CUSTAM 27 MIL EUROS POR ANO

O conselho de administração da CP, liderado por Cardoso dos Reis, conta com cinco Mercedes E220 CDI, com um prestação combinada de 27 mil euros em 2010. Viaturas adquiridas para o presidente, para o vice-presidente e para três vogais no ano de 2008.

A CP encerrou o ano de 2010 com prejuízos de 195,2 milhões de euros, um agravamento de 168% face a 2009, quando tinha tido prejuízos de 76,2 milhões.

EP GASTA NOVE MIL EUROS EM COMBUSTÍVEL

Na Estradas de Portugal (EP), que em 2010 ainda era liderada por Almerindo Marques, a empresa tinha um Audi A6 para o presidente, no valor de 46 mil euros, e mais quatro Mercedes C adquiridos em 2009

no regime de Aluguer Operacional do Veículo (AOV), custando anualmente quatro mil euros. Em combustível, a EP gastou mais de nove mil euros com os seus cinco administradores. A EP tem um passivo de 1,919 mil milhões de euros.

MEIO MILHÃO DE EUROS EM COMBUSTÍVEL

Os gestores públicos gastaram 576 mil euros em combustíveis no ano de 2010, segundo informação prestada pelas próprias empresas públicas à Direcção-Geral do Tesouro e Finanças.

É uma média de 2500 euros em gasolina ou gasóleo por cada administrador, gasto num ano marcado pelas medidas de austeridade para equilibrar as contas públicas. Há mesmo casos de empresas em que o presidente apresentou 12 mil euros em despesas de combustíveis, mais do que as prestações de aluguer de alguns carros topo de gama ao serviço dos gestores estatais. Mas também nos pagamentos da Via Verde há lugar para facturas de 2300 euros.

Estes gestores têm ainda direito a outros benefícios inerentes ao cargo de topo, nomeadamente telemóvel e senhas de presença por participação em determinadas reuniões ou assembleias gerais. O valor médio por presença nestes casos ronda os 500 euros, segundo os dados das empresas públicas, que terão de reduzir os gastos, face ao que foi acordado com a troika.

AQUISIÇÃO MAIS CARA FOI NOS CTT

Das 63 empresas cuja informação consta da Direcção-Geral do Tesouro e Finanças, a aquisição mais cara documentada cabe a Estanislau Mata Costa, que em 2010 esteve à frente dos CTT. Quando Mata Costa passou de administrador para presidente dos CTT, trocou o BMW de serviço por um Mercedes S 320 CDI que os CTT tinham adquirido em 2004 por 84 mil euros. A retoma do BMW permitiu baixar este preço para os 60 mil euros.

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